Moments: Capítulo 19

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Feelings under the ocean...

Dora Devine

Eu não tenho ideia de qual era a minha conexão com mato, árvores e tudo o que havia na natureza, mas eu não podia negar que me fazia um bem danado entrar em contato com ela, principalmente em momentos difíceis como esse. Na cidade não temos muita escolha, já que tudo o que vemos são prédios, prédios e mais prédios. Minha única opção eram parques como esse. Antes mesmo de pisar dentro do lugar eu já me sentia bem, como se eu estivesse em casa, porque se eu estivesse em São Paulo, com certeza estaria entrando no Ibirapuera neste momento.

Não estava tão frio, na verdade, era a noite mais amena que eu já havia presenciado desde que cheguei aqui e agradeci por isso. Apesar de já estar escuro, ainda haviam várias pessoas no parque. Algumas já estavam indo embora, outros, assim como eu, haviam acabado de chegar. Vi algumas pessoas fazendo caminhadas acompanhados por seus cãezinhos fofos ou por seus fones de ouvido (o que me deu vontade de ter os meus comigo aqui também). Haviam pessoas comendo, amigos rindo na grama e casais apaixonados, o que me deu uma pequena náusea.

Nada contra, todos podem ser felizes, é claro, mas tudo o que eu menos precisava nesse momento era ter contato com romantismo ou qualquer coisa do tipo. Mas não me julgue, apesar de ser um ogra na maior parte do tempo, eu era uma verdadeira manteiga derretida por dentro, mas não gostava de demonstrar essas coisas. Se a Princesa Fiona como uma legítima ogra pode amar, eu também tenho esse direito.

O único problema nisso é que eu passei a vida inteira me iludindo, achando que quando eu o encontrasse, seria perfeito e duraria para sempre. Vamos ser justas? Todas nós pensamos. Não adianta negar, no fundo, lá no fundinho, você acredita sim em príncipes encantados. Eu acreditava firmemente, mas ao contrário das histórias, o meu se tornou um sapo horroroso e nojento, levando junto com toda a sua perfeição a minha credibilidade.

O amor, na verdade, é como se fosse uma religião. Desde pequenas ouvimos falar e acreditamos naquele sentimento arrebatador que pode superar tudo, inclusive a morte - só bastava um beijo de amor e tudo estaria bem. Mas na vida real não é bem assim, e a pior parte é que demoramos para entender isso. Na maioria das vezes do pior jeito possível.

Tudo começa quando você ainda é uma criança inocente e pura, que só sabe fazer uma coisa na vida: brincar. Aprendemos o que é amor (um amor diferente de pai e mãe) quando deixamos tudo de lado por causa daquela boneca que é a sua preferida. Você alimenta, dá banho, troca fraldas, penteia os cabelos e distribui amor e carinho para um objeto que nem vida tem, mas que você faz questão de cuidar como se tivesse. "Minha filhinha" dizemos.

Alguns anos depois, quando você começa a criar pelos debaixo do braço e cobrir uns caroços de azeitona debaixo da camiseta, você conhece uma banda maravilhosa e acaba se apaixonando pelo vocalista, baterista, guitarrista, baixista, e se bobear até pelo segurança dos caras. É alguém que nem sabe da sua existência (e se já soube, logo esqueceu), mas que você ama e se dedica com todo o seu ser. É uma fase que passa depois de um tempo que você guarda com muito carinho ou com muita vergonha. 

Eu passei por essa fase também, mas acho que até hoje tenho algumas sequelas. Quer dizer, eu talvez teria um colapso se Dougie Poynter passasse perto de mim, mas costumo não falar com as pessoas sobre esse meu lado, elas acabam ficando um tanto assustadas.

Um pouco mais tarde, naquela fase "sou jovem e preciso aproveitar a vida", uma hora ou outra você acaba encontrando alguém que você não vai conseguir parar de pensar por mais que tente. Tudo te faz lembrar da pessoa, mesmo que seja a coisa mais sem noção da vida. Você lembra e ainda sorri igual um idiota (tudo bem, o amor nos deixa meio babacas mesmo, não se assuste, é normal). 

Você vê uma coxinha numa lanchonete e se lembra do quanto ele gosta de comer. Passa por uma loja e vê uma camisa que é a cara dele. Você pinta sua unha de preto e se lembra que é a cor preferida dele. É completamente ridículo, mas não percebemos essas coisas quando estamos cegas de amores e cheias de borboletas no estômago. Foi exatamente assim com Pedro.

Eu estava muito bem solteira, inclusive, não queria e nem pensava em namorar. Mas durante uma festa de aniversário de uma conhecida, eu o encontrei e nos demos tão bem logo de cara que passamos a noite toda conversando. Depois disso, nos falávamos todos os dias pela internet em todas as redes sociais possíveis nesse mundo. Conversávamos na escola, na rua e, basicamente, no fim de tudo, acabamos ficando e dois anos depois estou aqui, carregando um belo de um chifre na cabeça, deitada na rua da amargura (ou na grama mesmo, mas vamos aderir ao drama um pouco, obrigada) e com a maior cara de idiota que alguém pode ter na vida.

Engraçado como a vida dá voltas.

Meses atrás eu estava no Brasil, planejando tudo para entrar na Santa Marcelina e fazer minha faculdade dos sonhos, vivendo harmoniosamente com minha mãe e Rodolfo, com amigas maravilhosas e um namorado incrível. Eu não precisava de mais nada. Mas o universo quis mudar um pouco os planos. Não tenho mais namorado, deixei todas as minhas amigas (que são... Giovanna e algumas... Colegas? Beijos, dona Helena) e minha família toda para trás e me mudei para a Inglaterra, vivendo rodeada de pessoas que eu só conhecia via Skype e estudando moda em uma das melhores faculdades de arte na Europa. Coisas boas, claro, mas coisas ruins que parecem se multiplicar a cada minuto.

Queria passar um tempo fora desse planeta, mas tudo o que posso fazer é sujar esse vestido caríssimo com grama e borrar o rímel que levei horas para passar. Ótimo!

Enquanto minha cabeça girava em sua própria órbita, vi um corpo se deitar ao meu lado e fiquei surpresa por não me surpreender ao ver que era Malik. Ele colocou as mãos atrás da cabeça e seus olhos estavam focados no céu, porém eu sabia que ele estava ali porque queria conversar. Limpei as poucas lágrimas dos meus olhos discretamente e suspirei, tentando conter a bagunça que estava em minha cabeça. Senti seus olhos sobre mim.

— Algo me disse que você estaria aqui. - ele começou, mas não tive coragem de encará-lo. — Se importa se eu ficar?
— Se eu pedisse para você ir embora, iria? - vi a sombra de um sorriso em seus lábios.
— De jeito nenhum.
— Imaginei.

E ficamos em silêncio. Eu não tinha ideia do que falar e tinha certeza que ele sentia o mesmo. Mas ao contrário das outras vezes em que ficamos sem palavras um ao lado do outro, não sentia nada constrangedor no ar. Muito pelo contrário. Era um silêncio agradável e leve, como se cada um estivesse viajando em seu próprio mundinho. Mas eu sabia que era apenas uma questão de tempo até ele achar algo pra falar. Foi exatamente assim.

— Como você está?
— Estou péssima, não seria diferente. Mas eu vou ficar bem. Eu sempre fico. - eu sabia que era uma grande mentira, mas não queria parecer fraca, ainda mais para ele.
— Eu fiquei preocupado com você, Dora. De verdade. - ao ouvir aquelas palavras saírem de sua boca meu coração deu uma pequena acelerada e eu sentia minha garganta se fechar por um segundo. Aqui eu estava sendo idiota. — Vi que você não saiu muito bem de lá, por isso estou aqui.
— Muito gentil da sua parte, porém nem tanto quando nos lembramos que você estava acompanhado, num jantar romântico...
— Está falando de Emma? Harry se ofereceu para levá-la em casa. - ele riu por um segundo, o que me causou um riso também.
— Styles não perde uma oportunidade, hein? - nos dois rimos novamente, deixando a atmosfera mais leve ao nosso redor.
— Ela falou dele durante todo o jantar, eu não aguentava mais.
— Ué, mas vocês não...
— Dora, nós dois somos apenas amigos. - ele me interrompeu com um tom talvez repreensivo - Eu achei que seria legal sair com alguém diferente, isso não significa nada.
— Não era o que parecia.
— Você e Harry também pareciam bem a vontade um com o outro.
— Somos apenas amigos! - eu disse, logo me arrependendo.
— Bingo! - ele exclamou - Apenas amigos se divertindo com amigos.

Eu estava me sentindo uma idiota depois daquela preocupação desnecessária, me fazendo lembrar do real motivo de eu ter decidido ir àquele restaurante com Styles, me sentindo um pouco pior. Em nenhum momento eu parei para pensar como aquilo parecia infantil e completamente invasivo. Meu Deus, eu estava sendo ridículo, que vontade de morrer. Ainda assim agradeci aos céus por já estar escuro, eu não poderia arriscar que minhas bochechas rosas denunciassem a minha condição. Para a minha sorte, ele continuou a falar, agora com um tom mais divertido.

— Afinal, eu sou seu namorado, não é? - ele riu um pouco, me causando um sorriso.
— Não é mais, esqueceu?
— É, esqueci. Mas até que não foi tão ruim, sabia? Eu conheci um lado seu que pensei jamais existir. - meu coração disparou novamente.
— Que lado?
— Bom, digamos que em nossos "momentos românticos" - ele fez aspas com os dedos, me fazendo rir - Você era mais...
— Mais...? - incentivei curiosa ao perceber que ele havia interrompido a própria frase, provavelmente a procura de uma palavra adequada.
— Mais adorável.
— Adorável? - eu gargalhei - Malik, fala sério!
— Foi a melhor palavra que eu encontrei, não me culpe! - disse levantando suas mãos como em rendição enquanto eu ainda ria - É a verdade. Você sempre foi grossa comigo, mas você tem se mostrado uma pessoa completamente diferente. 
— Talvez eu fosse grossa com você porque você também não era nem um pouco gentil comigo. Ou não se lembra? - eu reclamei, vendo-o coçar a testa.
— É, talvez faça sentido.
— Isso faz sentido!
— Tudo bem, você tem razão. - disse balançando a cabeça - Mas de qualquer forma, eu nunca soube muito bem como lidar com você, já que sempre foi uma pessoa difícil e fechada demais para tudo, então eu não tinha ideia de como conversar com você. Mas, sendo sincero, eu até gosto disso. É chato quando você não precisa lutar nem um pouco por uma garota pelo simples fato de você ser famoso.
— Então quer dizer que você anda tentando me conquistar, Malik?

Eu comecei a gargalhar quando percebi que ele se embolou completamente nas palavras e pareceu ficar muito envergonhado com toda essa trapalhada. Não tinha como ver sua expressão, mas aquilo fez meu coração disparar um pouco mais enquanto eu tentava não demonstrar minha curiosidade e hesitação. Aquilo era um sim?

— Tudo bem, relaxa, Malik. Eu entendi o que quis dizer. - falei depois de me recuperar - Mas então, eu fui uma boa namorada? - perguntei para deixar o clima menos constrangedor para ambos.
— Como uma namorada de mentira pode até ser, mas você é péssima em atuar! - ele disse, me deixando incrédula.
— Como disse? - exclamei de um jeito bem dramático - Um dia eu ainda vou ganhar um EMMY e vou esfregar na sua cara!
— No dia em que você ganhar um EMMY eu desisto da indústria televisiva.
— Malik, não precisa falar difícil comigo. - eu falei rindo depois de ouvir sua frase - Tudo bem falar errado perto de mim, não força a barra.
— Não estou forçando nada, sou um cara inteligente.
— Tenho minhas dúvidas. - respondi me ajeitando na grama. Ele fez o mesmo.
— E eu, fui um namorado melhor que ele?

Aquela pergunta me assustou e me deixou até um tanto apavorada. Eu sabia que ele não tinha intenção nenhuma com aquela pergunta, mas me deixou meio sem chão. Engoli seco e tentei controlar as batidas do meu coração com medo de que ele escutasse. 

— Definitivamente. - eu respondi com a voz mais firme possível, tentando soar casual. Acho que não deu muito certo, mas espero que ele não tenha percebido - Acho que eu deveria te agradecer por isso, Malik. Quer dizer, foi uma ideia maluca e você topou mesmo odiando a ideia. E não ganhou nada por isso.
— Eu não precisei de muito tempo com ele pra perceber que ele era um completo babaca, Dora, por isso decidi te ajudar. Mesmo não me importando muito com você na época, eu sabia que você merecia alguém melhor que ele. - eu não consegui deixar de abrir um sorriso, mesmo sentindo algumas lágrimas se formarem em meus olhos no mesmo instante em que várias imagens dos anos em que passei com Pedro viessem em minha mente.
— Pena que eu percebi isso um pouco tarde... - eu disse com a voz embargada e um nó na garganta. Eu não queria chorar, por isso o engoli a força. 
— Você não tem mais com o que se preocupar. Já se livrou dele.
— É, me livrei.

Senti um aperto no meu peito, mas ao mesmo tempo tinha um certo alívio naquela frase. Eu finalmente tinha me dado conta de que o que eu tinha com Pedro, mesmo depois de ter e terminado com ele em seu apartamento, acabou mesmo naquele restaurante horas atrás. Coloquei um ponto final definitivo em nossa relação, e eu não poderia mentir: era um pouco dolorida a sensação da perda, mas com certeza libertadora.

— Dora, eu sei que não é da minha conta, mas eu preciso te perguntar uma coisa. - ele disse rapidamente depois de alguns minutos, me deixando curiosa.
— Tudo bem, pode perguntar. - eu disse o encarando enquanto ele encarava o céu.
— Você ainda sente alguma coisa por ele?

Minha mente deu um belo de um bug naquele momento, simplesmente por eu não ter pensado no status do meu amor por Pedro. Juntei as sobrancelhas e me perguntei o que havia restado de tudo no meu coração, e cheguei a uma conclusão que me fez sorri:

— Sobrou pouca coisa de tudo o que eu sentia por ele. Acho que hoje em dia sinto mais raiva e mágoa do que qualquer outra coisa, não que eu me orgulhe disse, mas foi o que ele causou em mim. - respondi, vendo-o rir ao meu lado.
— Coitado dele. - respondeu ainda rindo e eu juntei as sobrancelhas.
— Ué, porque?
— Já fui vítima dessa sua raiva, sei como você fica terrível! - eu comecei a rir junto com ele, me lembrando da vez em que joguei um sapato no quarto dele (com a intenção de que o acertasse, mas sou ruim de mira).
— Você também não era nem um pouco melhor, Malik. - respondi - Ainda bem que você deixou de ser tão babaca.
— Ei! - ele exclamou - Você precisa parar de usar essas palavras feias, Dora.
— É o meu jeito de mostrar meus sentimentos para as pessoas que eu gosto.
— Huh, então eu devo ser a pessoa mais importante da sua vida! - ele brincou, me fazendo rir mais um pouco. - Tudo bem, vamos trabalhar nisso. Me elogie.
— Oi? - perguntei confusa vendo-o me encarar.
— Vamos, me elogie. Não é tão difícil.
— Ahn... Tudo bem, vamos lá. Você... Você tem uma voz bonita.
— Eu sei disso. - ele disse, me fazendo arregalar os olhos.
— Está vendo? - acusei - Você é impossível!
— Não, eu não quis dizer nesse sentido! - ele abanava as mãos no ar - Minha voz é meu instrumento de trabalho, então as pessoas falam dela o tempo todo. Eu queria que você me falasse algo que não esteja tanto em evidência, entende?

Nesse mesmo instante várias imagens dele passaram na minha cabeça, enquanto eu procurava por algo que eu pudesse falar que não fosse tão revelador. Quer dizer, eu poderia facilmente falar da boca dele que eu achava linda, bem desenhada e bastante convidativa, poderia falar daquela tatuagem no quadril que me deixava perdida sempre que eu via (mesmo que sem querer). Também poderia falar do corpo dele, que apesar de ser magro e não parecer saudável, era muito atrativa e difícil de não olhar.

Poderia falar das tatuagens, das pernas, dos olhos reveladores e de todo o resto, mas eu preferia falar sobre sua personalidade ou algo que ele gostava de fazer. Bom, nós sabemos que qualquer um desses elogios físicos poderiam levar seus pensamentos a pensar algo de mim que eu não queria que ele soubesse ou pelo menos desconfiasse. Eu sabia exatamente o que eu poderia elogiar. Era um elogio sincero.

— Eu gosto muito das suas pinturas. Todas as que eu já vi. - respondi com a voz calma, me lembrando de cada um delas - Eu odeio ter que admitir isso, mas eu não posso negar que você tem muito talento com as telas. Satisfeito?
— Surpreso. - ele disse rindo, me fazendo sorrir.
— Agora é sua vez. - eu disse, o fazendo juntar as sobrancelhas.
— Minha vez do que?
— De me elogiar, oras. Ou pensou que iria receber um elogio de graça assim? - ele começou a rir enquanto eu ergui uma das sobrancelhas.
— Você não existe, Dora.
— Existo e estou aqui te enchendo o saco. 
— Acho que não posso reclamar. - ele disse me fazendo rir - Tudo bem. Você falou das minhas pinturas então acho que posso falar dos seus desenhos. - quase tive um infarto.
— Onde você já viu meus desenhos, Malik? - perguntei morrendo de vergonha. Ele sorriu.
— Você tem o péssimo hábito de dormir no sofá e deixar suas coisas jogadas. - ele respondeu, me deixando ainda mais embasbacada - Outro dia fui falar com Josh e vi seu caderno em cima da mesa de centro. Vi todos os seus desenhos e percebi que você realmente tem jeito pra esse negócio de moda.

Eu estava vermelha e a ponto de explodir. Não tinha noção de como me sentir em relação a essa afirmação, mas pela sua cara ele parecia estar falando bem sério. Eu nunca havia mostrado meus desenhos para ninguém além de minha mãe, Giovanna e meu irmão e o fato de alguém tê-los visto sem que eu percebesse me deixava um tanto desconcertada. 

— Sabe, eu estava pensando em algo agora há pouco. - ele disse mudando de assunto, talvez ao perceber que eu estava sem jeito. 
— O que estava passando por essa sua cabeça de vento?
— Nós começamos muito mal, não acha? Quer dizer, nós dois não tínhamos motivo nenhum para odiar um ao outro, mas mesmo assim o fizemos. Seria legal se começássemos de novo. - ele disse e eu juntei as sobrancelhas.
— E como pretende fazer isso, posso saber?

Do nada, ele virou suas costas para mim e voltei a me olhar com um olhar falso de surpresa, com a maior cara de idiota possível. Acho que eu entendi o que ele estava tentando fazer, mas ainda queria ver o que ele tinha planejado. Claro que deveria ser uma coisa boba e talvez até cômica.

— Opa, nem vi você ai! - disse assim que se virou - Sou Zayn Malik, prazer.
— Ai meu Deus! - eu gritei, percebendo que acabei chamando a atenção de algumas pessoas ali - Zayn, eu sou muito sua fã! Sei todas as letras das músicas, sei que você ama frango e também sei pronunciar os nomes de todos os seus parentes! Por favor, tira uma foto comigo, eu te amo demais! - enquanto eu caía na gargalhada, ele revirava os olhos.
— Nossa, Dora, você estragou todo o propósito da coisa! - disse com uma voz tediosa - Mas eu gostei do "eu te amo demais", será que pode repetir?
— Cala a boca, Malik! - exclamei revirando os olhos dessa vez enquanto ele ria.

Depois de mais alguns xingamentos e gargalhadas escandalosas, ficamos em silêncio apenas olhando para o que havia ao nosso redor, ás vezes para o céu e outras olhadas rápidas um para o outro. Até que tive uma ideia.

— Ei, você me deve uma resposta! - exclamei ficando de frente pra ele.
— O que?
— Você me fez uma pergunta mais cedo, acho que é minha vez. Não acho que seja justo. - ele se ajeitou na grama, ficando de frente pra mim também.
— Tudo bem, manda bala.
— Antes de começar, preciso dizer uma coisa - comecei - nunca mais use esse termo quando estiver comigo.
— Que termo?
— Manda bala. - ele riu - Pelo amor de Deus Malik! Estamos em pleno século vinte e um, uma frase como essa é pior do que qualquer outra. Nem minha avó fala isso.
— Tudo bem, madame. Como quiser. - respondeu rindo e fazendo uma reverência desajeitada. - Quer perguntar agora?
— Sim, mas eu quero que responda apenas se estiver confortável, certo? - ele assentiu e então tomei coragem de perguntar algo que eu queria saber desde que fiquei sabendo - O que aconteceu entre você e a Perrie?

Vi que ele hesitou por um instante, mas suspirou e decidiu responder. Antes ele se ajeitou novamente na grama, apoiando o braço no chão e a cabeça na mão sem me encarar e nenhum momento. Eu estava começando a me arrepender da pergunta.

— Tudo bem se não quiser responder.
— Não, eu vou responder. - ele disse sorrindo pra mim, me deixando mais calma. - Bom, nós dois nos conhecemos no The X Factor quando eu e os meninos fomos fazer uma apresentação especial depois de quase um ano de banda, e como a banda dela estava competindo, acabamos nos esbarrando nos bastidores. Nós dois nos demos bem logo de cara e ficamos bastante próximos, mesmo depois do programa. 

"A nossa gestão acabou percebendo essa aproximação e decidiu que iria usar isso a favor de ambas as bandas. Nós poderíamos ajudá-las com a divulgação da banda e elas nos ajudariam a continuar na mídia. Então nos chamaram para conversar e nos propôs um acordo onde nós dois deveríamos sair algumas vezes e, talvez, tivéssemos que namorar durante algum tempo. Logo de cara nós dois recusamos, mas as duas bandas iriam acabar prejudicadas por causa disso, então aceitamos.

Não foi tão difícil quanto eu pensei, afinal, já éramos amigos. A única dificuldade era fingir um amor que não existia, mas ninguém parecia perceber esse esforço, já que no nosso primeiro jantar já haviam artigos em várias revistas, sites e outros meios sobre o novo casal e, consequentemente, acabam conhecendo a banda dela e deixando nossos singles no topo das paradas.

Depois de alguns meses assim, acabamos gostando de verdade um do outro e então juntamos o útil ao agradável, tanto que acabamos ficando noivos. Mas eu ainda era um cara imaturo, como a maioria das pessoas que trocam sua adolescência ou infância pela fama. Eu percebi que tinha o poder de conseguir quantas mulheres eu quisesse e isso acabou fazendo a minha cabeça. Saí com inúmeras mulheres enquanto eu estava com ela, tudo escondido e algumas vezes tive que pagar pelo silêncio dessas pessoas.

Mas uma delas acabou deixando isso vazar na mídia e aí já era. Eu fiquei com ela enquanto eu estava em tour e ela tinha me garantido que iria guardar segredo, mas é claro que o dinheiro das entrevistas e publicidade que ela ganhava era muito maior do que eu havia pagado pra ela, então ela resolveu falar tudo  - inclusive mostrar fotos minhas que ela tirou enquanto eu dormia. 

Aí você já pode imaginar o que aconteceu, não é? Eu não tive coragem de mentir mais para ela, então contei toda a verdade e ela ficou muito arrasada. Naquele momento eu percebi a burrada que eu havia feito. Eu amava a Perrie como nunca amei garota nenhuma na minha vida, mas meu egoísmo me fez perdê-la e eu sabia que não tinha mais volta. Nós dois ainda mantemos contato, como amigos claro. Sabemos que nunca mais irá passar disso, por mais que já tenhamos tentado. 

Eu fiquei mal durante algum tempo, até deixei a banda por um tempo, mas depois eu percebi que eu tinha que seguir minha vida e voltei a fazer o que eu mais amava. Depois de tanto tempo longe dela aprendi a lidar com tudo o que eu sentia por ela e tornei todo aquele amor que eu sentia em carinho, apenas."

Se ele não me contasse, certamente eu não chegaria nem a adivinhar o que os havia levado a se separar. Claro que eu sabia que o motivo tinha sido uma traição, mas nunca parei para pensar direito no assunto. Pelo jeito que ele contava dava para perceber que ele realmente havia se arrependido e eu concordava que ele havia amadurecido muito desde quando eu o conheci pela primeira vez. Também dava pra ver que ele ainda estava um pouco magoado com a situação. Talvez com ela. Talvez consigo mesmo.

— Sinto muito por isso. Eu não sabia que tinha sido desse jeito. - falei assim que ele terminou de falar, recebendo um sorriso tímido.
— Na versão que todos contam eu sou o grande vilão sem coração, não é? - ele riu um pouco sem humor - Mas tudo bem, isso tudo já passou.

Eu não sabia mais o que falar, então decidi apenas sorrir e ficar calada. Segundos depois, um homem grande e uniformizado chegou perto de nós, o que nos assustou um pouco e nos fez sentar na grama, atentos e curiosos. Era só um segurança do parque, mas no escuro era difícil confiar em alguém.

— Sinto muto atrapalhar vocês, mas vim avisar que vamos fechar o parque em dez minutos. - disse com um sorriso simpático.
— Já é meia-noite? - perguntei enquanto aceitava a ajuda de Malik para levantar,
— Sim, senhorita. - disse - Tenham uma boa noite, crianças, e tomem cuidado na rua.
— Obrigado. - Malik agradeceu com outro sorriso, vendo rapaz se afastar para falar com outras pessoas que ainda estavam ali.
— Eu não queria ter que ir pra casa agora. - respondi fazendo careta, pegando minha bolsa e meu sapato do chão.
— Porque não? - ele questionou enquanto caminhava ao meu lado para a saída.
— Josh vai vir todo feliz perguntar como foi o jantar e eu não queria ter que contar nada. Pelo menos não agora.

Por um segundo Malik parecia pensar em algo, mas tive certeza de que ele tinha algo planejado quando juntou sua mão com a minha e correu comigo em direção ao portão. Ele parecia bastante animado com sua ideia, a qual eu não tinha ideia do que era.

— O que está fazendo? - perguntei curiosa, pisando os pés descalços na calçada fria.
— Tenho certeza de que vai gostar. Confia em mim?

Eu não tinha certeza de que queria confiar nele, mas algo me dizia que eu deveria.

OLAR!
Amei demais escrever esse capítulo triste e feliz ao mesmo tempo, fazendo com que a relação desses dois se torne mais íntima. Quem diria que esses dois iriam acabar revelando seus sentimentos passados um para o outro, huh? O próximo capítulo também está ficando pronto e espero de verdade que gostem dele. Cometem o que acharam desse aqui também, certo? BEIJUS, até a próxima att ♥

13 comentários:

  1. Amando ♡.♡
    Continua

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    1. Que bom, amor, agradeço por isso! Pode deixar, vou continuar sim, senhora! hahahahah (:

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  2. Que capitulo foi esse?
    Ameiiiiiiiiiiiiiiiii
    Não demore postar 🙏
    Eu amo tua fic, todo dia venho aqui para ver se tu atualizou!

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    1. Ai, que coisa mais linda ♥ Agradeço pelo carinho amor, fico muito feliz por isso, viu?! De verdade! Vou postar loguinho, estou demorando um pouco porque é uma parte um tanto decisiva da história, então eu estou tomando cuidado para não deixar as coisas meio sem sentido, como eu fiz algumas vezes. Mas logo sai, certo? BEIJAUN

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  3. Meu Deus que dia vc vai postar o próximo capítulo? Estou muito ansiosa!

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    1. Eita, anjo, tá difícil, viu?! Semana passada e o resto dessa foi terrível: ENEM, problemas na escola, trabalhos pra fazer, reposição de aulas, recuperação de notas e mais um monte de coisas nem me deram tempo de entrar na internet, mas até segunda-feira eu vou ver se consigo terminar o capítulo e postar pra vocês, certo? ♥

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  4. Quando vc vai postar o próximo Cap? eu ja não tenho mais unha de tando roer a espera por um Cap novo!

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    1. Estou escrevendo nesse exato momento amor, e quero postar pelo menos dois essa semana para compensar a demora! Vai ser logo, então para de roer essas unhas se não vai ficar sem dedo lndckesagrjew BEIJU xx

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  5. Estou muito ansiosa , não aguento mais esperar , quando você vai postar o próximo capítulo ? Estou amando sua fic e espero que os proximos capítulos não demore tanto assim ! Por favor !!

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    1. Desculpa pela demora amor, eu como sempre tive problemas com a minha internet, mas eu quero postar os capítulos no sábado e domingo. Espere só mais um pouquitozinho, certo? ♥ xx

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  6. Mais de 3 semanas sem atualizar (T-T)

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  7. Pelo amor de deussss posta logo 😢😢

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