Moments: Capítulo 18

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Fries as dinner... And a brokenhearted girl.

Dora Devine

A mulher que conheci no pior dia de toda a minha existência estava bem ali na minha frente e eu não tinha ideia do que fazer. Quer dizer, tudo bem que nós tínhamos conversado brevemente naquele dia, mas eu simplesmente não poderia agir como se fôssemos velhas amigas se reencontrando depois de anos. Mas uma coisa eu não podia negar: aqueles meses tinham feito muito bem a ela. 

Enquanto eu estava mais gorda e provavelmente com mais estrias e espinhas que o normal, ela estava deslumbrante com aquelas pernas malhadas aparecendo nas fendas da lateral de seu vestido, a maquiagem perfeita e o cabelo mais sedoso e brilhante do que modelo da L'Oréal. A barriga também já estava aparecendo, o que dava um charme a mais para ela. 

Com medo de ser descoberta e vista com aquela cara de quem viu um fantasma, fingi que não estava abalada com sua presença e arranquei a tampa do meu batom vermelho, me aproximando do espelho e o espalhando por meus lábios, melhorando o aspecto dele que havia saído um pouco enquanto eu devorava aquelas batatinhas (que estavam maravilhosas, por sinal). 

— Ah, que droga!

Eu me lembrava muito bem da voz dela, tanto que logo reconheci quando ela reclamou, aproximando o rosto do espelho e mexendo em seus cílios que descobri serem postiços. Ela arrancou os dois (o que me deu uma pequena agonia), enquanto eu passava o dedo ao redor dos lábios para tirar o que foi borrado fingindo não vê-la ali. Mas acho que eu não poderia ignorá-la quando se dirigiu a mim. 

— Ahn... Me desculpe por pedir isso, eu nem te conheço! - ela começou em inglês, sorrindo, enquanto eu ria ironicamente na minha mente - Você teria uma máscara para cílios para me emprestar? Tudo bem se não quiser, também, eu entendo.
— Não, tudo bem. - eu respondi em inglês também, futucando na minha bolsa e arrancando a máscara de lá - Aqui. - ela o pegou das minhas mãos e sorriu, o abrindo e começando a usar.

Estava um clima um tanto constrangedor e, ao mesmo tempo que eu queria correr dali para não ser reconhecida e seguir minha vida bagunçada, eu sabia que tinha que esperar pelo rímel, já que havia me custado quase os olhos da cara. Fingi que estava arrumando a maquiagem, olhando aqui, tocando ali, até que percebi que ela havia terminado. Com os cílios quase batendo na sobrancelha, ela se voltou para mim, com um sorriso de orelha a orelha.

— Muito obrigada! Você salvou minha vida! - eu o peguei de suas mãos com a cabeça baixa, enquanto ela me olhava com atenção. - Nossa, eu tenho a impressão de que te conheço de algum lugar...
— Quê? Não, claro que não! - eu ri nervosa, enfiando o rímel na bolsa e indo em direção a porta quase tendo um infarto - Eu com certeza me lembraria de você.
— Espera... - ela disse indo em minha direção com uma expressão incrédula - Eu conheço você sim, claro que conheço! Dora, não é? Você é a Dora!
— Não, você está me confundindo com outra pessoa! Meu nome é Megan. - afirmei tentando fazê-la esquecer aquele assunto, me lembrando do maldito sonho com Malik e usando aquele nome estranho.
— Eu reconheceria você em qualquer lugar! - ela disse agora em português, sorrindo - Você é a Dora, sim. Meu Deus, você está tão diferente!
— Ah, sim. - eu disse envergonhada por ter mentido meu nome em vão. Ah, claro, eu sempre tenho que dar uma de ridícula. - Você também. Sua barriga já está enorme.
— Sim, está. - Marianela sorriu, acariciando-a. - Caramba, nunca pensei que poderia te encontrar aqui, quer dizer, o país é tão grande!
— É, pensei o mesmo. - falei - O que veio fazer aqui?
— Ah, eu me mudei pra cá. Meus pais tem várias propriedades aqui e resolvi que seria bom pra mim começar essa nova fase da minha vida num lugar diferente. 
— Foi uma ótima escolha. - eu disse, sorrindo simpática.
— Você está aqui sozinha? - ela me perguntou e eu neguei com a cabeça, vendo-a sorrir.
— Não, vim com um amigo meu. - respondi e percebi que ela ficou um pouco vermelha. - E você? Está tão bonita que a ocasião deve ser muito importante. - eu brinquei, vendo suas bochechas ficarem ainda mais vermelhas.
— Ahn... Sim, é uma ocasião muito importante. - afirmou - Estou aqui com Pedro.

Naquele momento, senti tudo o que eu comi durante o dia querer voltar pela minha garganta, mas engoli seco, bloqueando aquela ação na minha cabeça. Eu não devo me importar. Nós não estamos mais juntos, inclusive para ele estou comprometida, então não tenho com o que me preocupar. Ele não é mais meu. Está tudo bem. Respirei fundo e fiz minha melhor cara de satisfação.

— Eu sei que é estranho dizer isso, mas...
— Não, Mar, está tudo bem. - eu a interrompi - Aquilo já é passado, certo? - eu sorri pra ela, me sentindo mais leve. Ela sorriu de volta.
— É estranho contar isso pra você depois de tudo o que aconteceu, mas sinto que isso acabou nos aproximando de alguma forma. - ela riu - Fico feliz que já esteja com outra pessoa também, isso significa que você seguiu em frente.
— Sim, é verdade. - eu disse com um nó na garganta.
— Ele me ligou e pediu para jantarmos aqui pra acertar tudo. - ela parecia bastante feliz com essa afirmação - Ele quer assumir o nosso filho e quer ser um pai presente. Isso é bom, não é?
— Isso é ótimo! - eu abri outro sorriso - Espero que tudo dê certo pra vocês.
— Obrigada, Dora, isso é muito importante pra mim.

Sem dar nenhum aviso, ela me abraçou forte e de um jeito um tanto desengonçado por causa da barriga, mas era um abraço sincero. Ela parecia estar mesmo muito feliz por voltar com Pedro. Saímos do banheiro e senti meu estômago dar outra voltar quando o vi na porta com as mãos no bolso. Travei na mesma hora, sabendo que não iria adiantar nada correr para não ser vista, até porque seus olhos já haviam encontrado os meus. Ele parecia bastante assustado por nos ver juntas. 

— Dora...
— Oi. - eu disse morrendo de vergonha. Não sabia como agir.
— Vocês duas...
— Nós nos encontramos no banheiro. - Mar disse, sorrindo pra mim - Improvável, não?
— Muito. - ele respondeu ainda meio incrédulo. - Está aqui com seu namorado?

Aquela pergunta fez com que eu me odiasse completamente. Olhei um pouco adiante e vi os três, Malik, Harry e Emma nos observando com atenção. Senti vontade de engolir uma garrafa inteira de vinho, talvez pudesse me ajudar a enfrentar aquela confusão. Pedro ainda me olhava procurando uma resposta para sua pergunta, mas eu simplesmente não conseguia falar nada. Até que sinto uma mão em minha cintura e um perfume que eu estranhamente conhecia.

Olhei e vi um Zayn firme ao meu lado, como sempre salvando minha vida nos piores momentos possíveis. Naquele momento, não me pareceu justo o colocar no meio de toda aquela discussão, daqueles problemas que nem dele eram. Eu sabia que poderia ter me livrado dessa situação, mas eu estava cansada de fingir e ter que submeter Zayn a tudo isso. Eu precisava parar.

— Malik, não, por favor, eu não suporto mais isso! - eu exclamei vendo-o me olhar surpreso e confuso, do mesmo jeito que os outros dois a minha frente me olhavam. - Eu sei, eu sei que eu inventei tudo isso, mas estou me sentindo sufocada! - deixei meus braços caírem ao lado do meu corpo, enquanto eu sentia aquele aperto de angústia no coração. 
— Dora, está acontecendo alguma coisa?
— Sim, está, Pedro, está! - eu respondi nervosa - Eu nunca namorei com Zayn, nunca! Aquilo foi uma loucura da Giovanna e eu acabei levando adiante por que não queria ficar por baixo. Eu sei que isso é uma idiotice, uma infantilidade, mas eu simplesmente não suportava o fato de ter te perdido como eu perdi. 
— Eu acho que aqui não é o melhor lugar para falar sobre isso... 
— Cala a boca, Malik, por favor, eu preciso falar!

Eu sabia que estava chamando a atenção de todos no restaurante, mas naquele momento eu não pensava em mais nada a não ser tirar aquele peso de cima de mim. Aquilo tudo estava me matando e com certeza atrapalhando ainda mais meus pensamentos. Encarei Pedro com meus olhos cheios de lágrimas, percebendo que ele também tinha algumas nos seus. Eu sabia que ele havia se arrependido do que fez, mas eu simplesmente não podia deixar de lado o fato de ele ter quebrado meu coração em um milhão de pedacinhos.

Mar me encarava tristemente, provavelmente entendendo o que eu estava passando, até porque ela também foi traída. Por isso saiu graciosamente dali, passando uma de suas mãos sobre meus ombros quando passou por mim. Já Malik me olhava como se pedisse permissão para sair e, com os olhos, respondi que eu iria ficar bem. Sendo assim, ele colocou as mãos no bolso e saiu dali, me deixando "sozinha" com Pedro. Segui para a área aberta do restaurante com ele em meu encalço.

— Dora, em desculpe por ter feito você passar por isso e...
— Acho que é tarde demais para falar isso. - eu o interrompi parada em frente ao chafariz que havia ali. - Eu nunca entendi o porque de você ter feito aquilo, Pedro. Eu te amava e dei tudo de mim pra você. 
— Me amava? - ele perguntou magoado, me olhando nos olhos.
— E o que você esperava? - respondi irônica - Pedro, você me traiu, você acabou com todas as minhas expectativas e ainda quer que eu te ame?
— Foram dois anos!
— Exatamente! - eu respondi nervosa - Dois anos jogados fora! Dois anos em que eu fui feita de trouxa, planejando nossa vida juntos enquanto você estava engravidando outra! - as lágrimas já caíam sem demora, eliminando toda a dor e culpa que havia em mim. - Você tem alguma explicação pra isso?

Ele ficou calado e abaixou a cabeça, enquanto eu sentia meu coração se despedaçar mais uma vez sentindo a dor da realidade. Eu nunca havia o questionado, nunca lhe dei a chance de falar e agora eu sabia exatamente o porque. Aquele era o fim definitivo de algo que nunca pensei ter um fim. Agora eu estava me sentindo mais sozinha do que nunca.

— Era só isso que eu precisava saber. - eu disse, com a voz mais baixa do que o esperado. - Só espero que você não faça Marianela passar por tudo isso de novo, Pedro. Ela não merece isso. E você não a merece.

Eu nem me importei de ficar ali para ouvir sua resposta. Agarrei firme minha bolsa e saí dali limpando o borro que minha maquiagem provavelmente havia se tornado. Apesar de ter ficado exposta a todos aqueles olhares e ter ficado um tanto envergonhada por isso, não me importei de passar voando por entre as mesas até chegar a entrada/saída daquele prédio. Eu não me importava com mais nada, só precisava de um tempo logo de tudo e todos para colocar minha cabeça em ordem.

Ali na frente, por sorte, já havia um táxi parado. Entrei no carro e vi o motorista me olhar um tanto assustado, porém continuou completamente profissional. Ele me olhou algumas vezes para o retrovisor antes de perguntar o que todos eles perguntam: "Para aonde, senhorita?", e falei o endereço que ele com certeza já sabia de cor.


*** ***

— E como você está?
— Eu estou péssima, como estar melhor? - ouvi o suspiro de Giovanna do outro lado da linha, sabendo que ela estava se sentindo culpada pelo acontecido. 
— Dora, me desculpe por ter inventado tudo aquilo e...
— Gio, não precisa se desculpar. Eu que decidi levar essa história adiante, então você não tem nada a ver com isso.
— Mesmo assim eu me sinto muito mal.
— Não se sinta, por favor. - respondi sentindo vontade de abraçá-la.
— Eu queria estar aí contigo e dar um belo chute no saco daquele imbecil! - ela disse com o sotaque mais forte, me fazendo soltar uma risada.
— Tudo bem, já passou. Deixa pra próxima.
— Ah, eu com certeza vou me lembrar disso. - ela afirmou, me arrancando outra risada.
— Gio, eu tenho que desligar agora, tá? Depois nos falamos.
— Okay, aqui já está um pouco tarde e amanhã tenho que acordar cedo. - disse e eu assenti, mesmo que ela não pudesse ver - Se cuida, Dorinha, eu amo você.
— Dorinha é sua avó, sua vaca gorda. - ela gargalhou - Também te amo muito.
— Tá, chega de melação. Adeus.

Desliguei o celular no mesmo instante em que o táxi parou em frente a um dos portões do parque, destravando as portas para que eu pudesse sair. Paguei a corrida e agradeci ao moço simpático, saindo do veículo e o vendo voltar pela avenida. Respirei fundo sentindo aquele ar limpo e fresco entrar em meus pulmões, já tirando o salto e me familiarizando com aquele lugar. Hyde Park com certeza seria um ótimo lugar para um escape.

OLÁ, PEOPLES!
Muita tensão, huh? Normal, toda história tem que ter um pouco disso, principalmente quando a personagem não bate bem da cabeça como nossa querida Dora. Eu sei que esse capítulo não é tão grande como os anteriores, mas para ficar bem dividido como planejei, terá que ser assim, okay? O próximo capítulo é mais relax, então calmem as tetas que agora só vem coisa boa... Por enquanto! hahahaha Enfim, fiquei esse tempo todo sem postar porque tive problemas com a minha internet desde terça-feira passada e só consegui resolver hoje, finalmente. Aproveitei esse tempo longe das redes pra escrever o próximo capítulo e o outro, que já está na metade, então, basicamente, não demorarei tanto pra postar dessa vez, ceto? Bom, um beijo procês e comentem o que acharam, tá? SEE YA!

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