Moments - Capítulo 13

| | |

I can see everything you do...

Zayn Malik

Eu confesso que sempre tive um fraco por meninas tipo ela. Nunca entendi o porque, afinal ela sempre distribuiu ódio gratuito por mim, sempre grossa e sem um pingo de sensibilidade. Mas ao mesmo tempo que se mostrava indiferente, algo que me dizia que Dora Devine tinha algo maior guardado. Tudo bem que eu também nunca fui um cavalheiro com ela, mas não era ódio que eu sentia. É que ás vezes ela conseguia ser muito irritante e mimada. Mas me parecia divertido fazer o joguinho dela.

Por isso que eu fazia questão de olhar sem discrição alguma para o decote da amiga gostosa dela, a qual eu nem me lembrava o nome. E era engraçado ver como ela reagia toda vez que eu ria e passava o braço pelo encosto da cadeira, fingindo querer algum contato corporal com a morena do meu lado. Não é possível que não soubesse o quão enciumada ela demonstrava estar e sua atitude me mostrava exatamente o contrário do que me dizia todos os dias desde que nos conhecemos. Ela não me odiava, mas por algum motivo gosta de fingir que sim. E eu gostava de fingir também.

Mas apesar de toda e qualquer repudia que eu supostamente sentia dela, eu simplesmente não poderia ignorar o fato de que ela era muito gata. Era uma coisa que não dava pra negar. E uma das coisas que eu mais gostava nela é que ela tinha um jeito diferente de se vestir, algo sempre indeterminado. Eu já a tinha visto com aquelas roupas mais arrumadinhas, de salto e tudo (inclusive, ela não era muito boa em se equilibrar em cima daquele troço), com roupas pretas, camisetas de banda e também com moletom e pantufas. E em todas as ocasiões eu achei que ela estava bonita. E bom, pra ser sincero, por mais que eu odeie admitir, eu nunca tinha visto Dora Devine feia ou no mínimo mal arrumada. E acho que nunca veria.

Se ela não fosse tão chata eu com certeza iria investir, mesmo sabendo que Josh jamais me deixaria tocar um dedo em sua protegida irmãzinha caçula. Não que isso fosse um grande problema.

Rolei na cama pela milésima vez naquela madrugada e desejei voltar a ser uma criança naquele momento. Era uma vida fácil. Passar o dia todo brincando era um sonho pra mim e, quem me dera, deitar a cabeça no travesseiro e dormir segundos depois. Era uma droga deitar na cama e rolar de um lado para o outro, repassando cada problema e insatisfação pessoal pela cabeça. Não dava pra relaxar daquele jeito e eu precisava dormir, já que eu tinha poucas semanas de folga e logo entraria em turnê com os caras.

Joguei o cobertor pra longe do meu corpo e me coloquei de pé, pegando uma bermuda do chão e logo depois meu maço de cigarros e um isqueiro. Depois de me vestir, segui meu caminho até a varanda do meu quarto, me sentando numa cadeira que havia ali e sentindo o vento frio vir de encontro ao meu tronco descoberto, me fazendo arrepiar um pouco. Tirei um cigarro do maço e acendi, logo dando a primeira tragada e sentindo meu corpo bem mais leve. 

Enquanto eu soltava a fumaça pela boca, entre os galhos da árvore que separava a minha casa e a de Josh, eu vi uma luz acesa. Uma luz fraca, mas que me deixava ver uma pequena movimentação lá dentro. Eram três horas da manhã e eu não tinha ideia do que poderia estar acontecendo lá dentro. Eu via Dora andando de um lado para o outro e pelo barulho intenso de seus passos, eu pude deduzir que ela parecia impaciente.

Entre um trago e outro, eu me levantei e apoiei meus cotovelos na sacada, tendo uma visão mais ampla do quarto. Pude ver melhor o que estava acontecendo lá dentro e, por conta do silêncio, também consegui ouvir algumas coisas que ela estava dizendo. Só não entendia muito bem o que estava sendo dito, era português, mas pela cara que ela estava fazendo olhando para a tela do celular não parecia ser algo bom.

Eu a vi jogar o celular em cima da cama e se jogar lá depois, soltando um gritinho abafado e irritadiço que me fez rir um pouco. Dei mais um trago e continuei observando cada movimento dela, como se fosse algum tipo de Big Brother ao vivo. Ela pegava o telefone e digitava alguns números e, em todas as tentativas, não fora atendida. Dora ficava cada vez mais irritada. Até que ela percebeu minha presença ali e veio até sua janela soltando fogo pelas ventas. 

— O que pensa que está fazendo, Malik?
— Nada demais. - respondi liberando aquela fumaça de minha boca.
— Nada demais? Você por acaso virou algum stalker? - ela parecia estar mais irritada a cada segundo.
— Dora, relaxa, eu não te vi nua nem nada. Eu só estava...
— Será que eu não posso ter um minuto de privacidade no pior dia da minha vida? Isso por acaso é pedir demais? Que droga!

Percebi que tinha algo errado quando eu vi ela começar a chorar desesperadamente, o que me fez sentir culpado no mesmo instante. Eu nunca soube o que fazer nesses momentos e, pior ainda, quando a pessoa está há alguns metros de distância de você. Eu larguei o meu cigarro e pensei em alguma coisa que pudesse ajudar. 

— Dora, olha...
— Malik, você não tem nada a ver com isso, okay? Só me deixa em paz. 

Com a voz embargada e o rosto brilhando a meia luz por conta das lágrimas, Dora pegou seu celular e saiu do quarto sem ao menos olhar para atrás. Segundos depois pude vê-la sair pela porta da frente de sua casa e seguir na calçada para algum lugar que eu não tinha ideia de onde era. Eu até chamei pelo seu nome, mas ela não me respondeu e continuou andando como se nada pudesse a impedir.

Entrei rapidamente no meu quarto e calcei o primeiro sapato que vi pela frente, peguei uma das camisetas jogadas no chão e saí praticamente voando, descendo as escadas e logo correndo atrás de uma Dora que estava um pouco longe. Fiquei mais relaxado quando a vi seguir em direção a área interativa para crianças e se deitar na grama verde que cobria aquela local, parecendo estar bastante fadada.

Assim que me aproximei e ao perceber que ela não se importou com minha presença, eu me deitei ao seu lado sem saber muito bem o que falar ou fazer. Ela olhava para o céu sem desviar os olhos em nenhum momento, o que acabou me fazendo olhar para lá também, percebendo que o céu estava limpo e completamente estrelado.

— Porque você me seguiu? - ela perguntou um tanto amargurada.
— Porque eu vi que você não está bem.
— Quem disse que eu não estou bem?
— Você não precisou dizer nada. Seu choro demonstrou isso.

Voltei meus olhos para Dora e senti que, apesar de não aparentar estar nada bem, naquele momento ela me passava certa serenidade. Ela era o tipo de garota aparentemente inatingível e era o que eu pensava sobre ela, mas vê-la deitada na grama do meu lado, observando as estrelas sem se importar com o que estava ao seu redor, me fez perceber que debaixo daquela casca grossa e espinhenta que ela usava, estava uma garota sensível e delicada. Isso fez com que eu me sentisse mais... Próximo, talvez.

— Porque você?
— O quê?
— Porque é sempre você, Malik? - ela me encarou com as sobrancelhas juntas - Quer dizer, você está sempre dizendo que me odeia, mas ao mesmo tempo nunca negou me ajudar. Isso me deixa confusa, sabia? 
— Vou te contar um segredo. - os olhos dela ficaram mais atentos - Eu não odeio você.

A risada dela me fez abrir um sorriso sincero. Não era um riso irônico e cheio de sarcasmo, como eu estava acostumado a ouvir. Era um riso verdadeiro. Eu estava vendo aquilo pela primeira vez em toda a nossa convivência. Os olhos dela voltaram-se para mim novamente e, dessa vez, ela tinha um sorriso largo no rosto.

— Sabe de uma coisa, Malik? Eu também não odeio você.
— Isso não é uma surpresa para mim.
— Ah, lá vem você ser convencido! - ela revirou os olhos enquanto eu ria.
— Tudo bem, tudo bem! - eu exclamei - Eu vou tentar me controlar.

E seus olhos seguiram novamente para o céu, enquanto seu sorriso ia sumindo aos poucos. Um silêncio se instalou entre nós, mas não era um silêncio constrangedor ou incômodo. Era um silêncio calmo e confortável. Um silêncio que há muito tempo eu não havia presenciado. Mas apesar disso, eu queria saber o que estava acontecendo com ela, e por algum motivo minha consciência martelava na minha cabeça o tempo todo, pedindo para que eu perguntasse, que eu insistisse. Eu resolvi obedecer.

— E então, não vai me contar o que aconteceu? - eu questionei sem encará-la.
— Você não se importa. - ela respondeu em tom baixo.
— Dora, são quase quatro horas da manhã. Acha mesmo que se eu não quisesse saber o que está havendo com você eu estaria aqui deitado nessa grama fria?

Ela me olhou ainda meio hesitante, mas suspirou e esfregou o rosto com as mãos, parecendo voltar ao estado emocional que estava quando a vi em seu quarto. Ela ajeitou seu corpo na grama, ficando de frente para mim. 

— Tudo bem. - ela respondeu e eu a encarei atento - É que eu sinto falta dele... Eu sei que isso é patético, ele me traiu, mas ainda sim eu sinto falta dele, sabe? Ele sempre foi uma parte importante da minha vida e eu estava completamente apaixonada. Dediquei anos da minha vida pra ele, pensei que ele fosse perfeito e me joguei de cabeça. Mas aí eu descubro que ela estava me traindo com outra menina que também não tinha ideia da minha existência. Depois de tanto tempo sendo trouxa, o meu troféu é um belo par de chifres gliterizado e brilhante pra enfeitar a minha cabeça! 

Eu juro que tentei me segurar, mas eu comecei a gargalhar. Apesar de não poder ver, eu sabia que ela estava me encarando seriamente naquele momento e também sabia que não poderia estar rindo desse jeito. Poderia parecer insensível pra ela, mas não era a minha intenção. Até que fui surpreendido por sua risada ao meu lado, talvez até um pouco mais histérica do que a minha.

Dora Devine, diferente da pessoa que acabara de desabafar, estava rindo da sua própria desgraça. Acho que isso é um belo avanço.

— Olha só, você está rindo! - eu exclamei, vendo-a cessar o riso e terminar com um sorriso bem humorado no rosto.
— Eu só ri porque você riu. É idiotice.
— Eu chamo isso de superação. - respondi e vi seus olhos brilharem por um instante.
— Sinceramente, você seria a última pessoa que eu pensaria estar ouvindo meu desabafo. - ela disse rindo um pouco.
— Viu, só? Eu não sou tão mal assim. Sou até legal, não acha?
— Talvez um pouco. - ela riu mais uma vez, me fazendo abrir outro sorriso.

Depois de mais um tempo de silêncio, olhei pra ela e percebi que estava dormindo. Nem parecia estar deitada num chão duro cheio de grama e garoa de tão confortável que parecia estar ali. E aquilo me deixou um pouco aliviado. Por algum motivo, eu estava feliz de estar ali com ela, de ter dado risada e ter deixado ela dizer o que estava sentindo pra mim, alguém que, como ela falou, seria a última pessoa de sua lista. 

Interrompendo meus pensamentos, ouvi um barulho alto e rápido, o que eu sabia ser o barulho de um celular. Ao lado dela, a tela estava acesa e ali estava dizendo que havia acabado de chegar uma mensagem. Verificando se ela ainda estava dormindo, peguei o celular e deslizei o dedo sobre a tela de bloqueio, vendo finalmente de quem era a mensagem. Era de Pedro. Antes que ler a mensagem que ele havia acabado de enviar, eu rolei a tela e percebi que haviam várias outras mensagens dele dos dias anteriores. Algumas com resposta e outras não.

Pedro [17/08 enviada ás 17:42 P.M]

"Dora, será que podemos conversar?"

[17/08 enviada ás 17:56 P.M]

"Não tenho nada pra falar com você, Pedro. Vê se me esquece!" 

Pedro [17/08 enviada ás 17:56 P.M]

"Amor, não faz assim!"

Pedro [20/08 enviada ás 14:43 P.M]

"Dora, por favor, me responde! Eu te amo!"

Pedro [29/08 enviada ás 01:26 A.M]

"Dora, a única coisa que eu quero é uma chance de me explicar. Por favor!"

Pedro [08/09 enviada ás 04:02 A.M]

"Eu sei que você está me ignorando por tem namorado, mas eu sei que você ainda me ama, você não pode negar isso!"

Observei aquela mensagem e me lembrei de toda aquela história do namoro falso. Aquilo era uma grande confusão, mas eu não tinha coragem de desmentir aquilo depois de tudo o que ela disse. Eu sabia que esse cara não merecia nada dela e nem nunca mereceu. Então eu tomei a decisão de responder quando mais uma mensagem chegou.

Pedro [08/09 enviada ás 04:02 A.M]

"Amor, eu sei que é tarde, mas eu não suporto mais! Por favor, volta pra mim!"

[08/09 enviada ás 04:02 A.M]

"Campeão, ela está dormindo. Mas quando ela acordar eu aviso."

Coloquei o celular novamente onde estava e, olhando para Dora dormindo bem ao meu lado, decidi que eu não deixaria esse cara magoar ela de novo.


SURPRESA! 
Pra quem pediu, aqui está um POV da falsiane procês (e talvez terão mais)! Eu esperei tanto pra escrever esse capítulo, você não tem noção! Agora estou aqui igual uma idiota, completamente apaixonada com a cumplicidade desses dois. E vamos combinar que já estava na hora, né? MAS, ainda tem muita coisa vindo por aí, certo? Fiquem espertas! Ah, também queria avisar que essa mensagem que Zayn enviou para Pedro foi inspirada num print que eu vi no Facebook e achei completamente apropriado para a ocasião. Espero que tenham gostado desse corte Tramontina! hahahahah Bom, comentem aí embaixo, certo? BEIJUS ♥

12 comentários:

  1. Acho que já vi esse print, deu super certinho *---*

    Amei ver o cap na visão do Zayn

    ResponderExcluir
  2. 😍😍 PERFEITO !! Nao tem outra palavra para descrever ♡.♡
    Amando demais ♡

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, anjinho, que bom que gostou! (: ♥

      Excluir
  3. Só tenho uma coisa pra dizer PER-FEI-TO *-* <3 <3 <3

    ResponderExcluir
  4. Respostas
    1. Continuo sim, senhora! Pode deixar, em breve o próximo capítulo será postado ;)

      Excluir
  5. Maria Eduarda Zancanelo16 de agosto de 2015 19:46

    Perfeito. Continua

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, amor! Logo, logo vou postar, okay?! (:

      Excluir
  6. Leitora nova!
    Fiquei até de madrugada para acompanhar de onde você parou!
    Eu amei a sua fic, e algo que eu estava vendo e que você parece não demorar para postar e isso me anima muito a terminar de ler uma fic!!
    Gostei muito da sua história!! Você escreve bem está de parabéns :)
    Já amei💜

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. SEJA BEM VINDA, COISA LINDA ♥ Seu comentário deixou meu dia milhares de vezes melhor, anjo, obrigada por isso, tá? Agradeço também pelo carinho e por ser essa pessoa tão fofa da vida, TÔ A FIM DE APERTAR VOCÊ! (desculpa o escândalo, ás vezes apenas o caps lock me ajuda a expressar meus sentimentos). Eu vou postar loguinho, tá, talvez ainda hoje, depende da minha criatividade! Obrigada novamente ♥

      Excluir