Lullaby - Capítulo 02

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- BÊBADA NA ESTRADA


P.O.V DANIEL
     Já se passaram cerca de três dias em que eu havia me mudado de país e ainda não tinha saído de casa um minuto se quer.
     Durante esses três dias eu fiquei ajudando meu pai e minha mãe a arrumar as coisas na casa nova, foram três dias cansativos e ... divertidos! SeuNome sempre estava saindo para comprar comida enquanto eu estava sempre ajudando papai com as caixas maiores. A casa já vinha com mobília, a única coisa que tínhamos que fazer agora era deixa-la mais com a nossa cara, e era exatamente isso que estávamos fazendo. No primeiro dia, a única coisa que fizemos foi colocar as caixas dentro da nova casa e separarmos o que era de cada. Os quartos eram do mesmo tamanho, o que não causou brigas quando fui ver meu quarto. Estava pintado de azul, a mobília era duma cor branca e tinha alguns detalhes em preto, eu gostava dessas três cores. Meu computador estava numa mesa que ficava perto da janela, tudo o que eu precisava para poder fazer os meus vídeos estava ali.
     Sentei na cadeira nova e sorri ao perceber que ela era macia e confortável. Liguei meu computador e enquanto o mesmo ligava fui até a cozinha. A casa já estava toda pronta, e devo admitir, essa casa era muito melhor do que a antiga. A geladeira felizmente estava cheia de comida, então peguei algumas coisas e preparei para mim um sanduíche e peguei um pouco de suco de laranja, logo subi de volta para meu quarto. A imagem da área de trabalho era uma foto minha e de SeuNome quando crianças, ambos estávamos na praia, brincando de fazer castelos de areia. Lembro-me que quando voltei para casa, descobri um segredo, um segredo que até hoje eu guardo.
     Não gosto de segredos, especialmente quando esses segredos envolvem a minha família. Deixei esses pensamentos de lado e abri o Sony Vegas, havia um vídeo salvo no computador, um vídeo no qual eu havia jogado Five Nights At Freddy’s 3 a pedido dos meus inscritos. Eu havia gravado na última semana em que estava nos EUA, e só agora eu vou ter tempo para editá-lo e postá-lo.

[...]

     Já era noite, e eu havia conseguido a chave do carro do meu pai. Pretendia sair para passear, ou algo assim. Queria conhecer melhor Doncaster, queria saber como era o serviço dos restaurantes daqui. Tinha algum dinheiro na carteira, o que era bom. Meu relógio dizia ser 18:47, e meu estômago já começava a me dizer que precisava de comida. Encontrei um restaurante e estacionei, ao sair coloquei meu boné e abri a porta do estabelecimento. Haviam grupos de amigos, casais e famílias ali. Estava cheio, mas ao mesmo tempo não estava. Sentei em uma mesa bem no meio do restaurante e esperei que a garçonete viesse fazer o meu pedido. Olhei o cardápio e optei por uma pizza. Era uma pizza pequena, apenas para mim e a minha fome que só crescia.
     Uma garota, aparentemente a minha idade veio me atender. Sua pele era branca e seus cabelos eram bastante cacheados, os olhos azuis estavam destacados por conta do forte lápis de olho que usava. Mascava um chiclete e apoiou a caneta em seu pequeno caderno quando chegou até mim.

Garçonete: O que vai querer? – Perguntou.
Eu: Uma pizza de calabresa pequena e uma garrafa de coca-cola.
Garçonete: Mais alguma coisa? – Neguei. – Aguarde alguns minutos. – E logo depois de anotar, a garota de olhos azuis virou-se e foi embora.

     Ela parecia entediada, e assim que chegou no balcão, começou a discutir com uma moça que ao que aparentava também era uma garçonete. Creio que se o número de pessoas ali não fosse grande, elas certamente terminaram aquela discussão no tapa. A garota que me atendeu revirou os olhos e entrou na cozinha depressa, seja lá o que tenha acontecido, ela não estava nem um pouco preocupada com o que iria acontecer.
     Tinha uma aparência rebelde, e eu posso jurar que senti cheiro de bebida alcoólica enquanto falava comigo, talvez seja esse o motivo da discussão.
     Peguei um palito de dente e fiquei mordiscando o objeto enquanto olhava para as pessoas que estavam ali. A mesa mais próxima a mim estava um casal com provavelmente sua filha que aparentava ter cinco anos, eles conversavam sobre o trabalho de artes dela, diziam que o desenho que ela fez dos três estava muito bonito. Não sou de ouvir a conversa dos outros, mas era impossível não poder escutá-los quando eles estão bem atrás de mim e falando um pouco alto.
     Cerca de vinte minutos se passou, e então a garota “rebelde” veio até a minha mesa com meu pedido. Sorri para ela mas não fui correspondido por um sorriso, a garota simplesmente sentou-se numa cadeira que ficava mesmo de frente para mim e ficou me olhando comer durante três minutos, três minutos contados por mim. Olhei para ela e me senti incomodado com aqueles olhos azuis me encarando como se eu tivesse culpa de algo.

Eu: Quer? – Perguntei e apontei para a pizza.
Garota: Se eu dissesse que não estaria mentindo. – A garota pegou um pedaço de pizza e começou a comer, ainda olhando para mim. – Não estou aqui por causa da pizza, se é o que quer saber.
Eu: Então porque está sentada aqui? Com um desconhecido como eu?
Garota: Sei que está com seu carro, vi você saindo de uma picape quando chegou, e você é a única pessoa aqui que está sozinho, totalmente sozinho. Eu não te conheço e sei que você pode ser um tarado, mas eu só quero que você me dê um carona de volta para casa, entendeu? – Enquanto falava, senti o forte cheiro de bebida, e percebi que a minha teoria estava certa.
Eu: Você bebeu?
Garota: Sei que não parece mas eu estou bêbada. Não muito, mas estou.
Eu: Você não tem carro? – Perguntei e a garota negou com a cabeça, logo em seguida mordeu outro pedaço da sua pizza. – Porque eu te daria uma carona?
Garota: Por que eu sei que você não vai deixar uma garota perder a sua carteira de habilitação pois foi pega dirigindo embriagada. – Beberiquei meu refrigerante.
Eu: Não. – Respondi.
Garota: Vai me dar uma carona? – Abriu um sorriso.
Eu: Não.
Garota: Vai me deixar?
Eu: Vou.
Garota: Por quê?
Eu: Por que eu simplesmente não faço a mínima ideia de quem você é. – Levantei-me da cadeira e em seguida abri a carteira, tirei algumas cédulas e deixei em cima da mesa. Peguei o último pedaço de pizza e o resto do refrigerante e fui embora, podendo ouvir somente a garota esmurrando a mesa. Sorri vitorioso e entrei na minha picape vermelha, eu estava rindo.

P.O.V VOCÊ
     O frio praticamente dominava aquela noite. Não era tão tarde, então resolvi sair e infelizmente tive que sair a pé, Daniel havia pegado o carro e sabe se lá onde ele está agora. Certamente estaria em algum bar ou restaurante, ele gosta desses tipos de lugares, e não devo negar que são meus preferidos também. Mas hoje eu não estava afim de beber algo ou comer, eu queria comprar algum disco para poder ouvir quando estou na minha solidão, queria ter a minha primeira completa solidão no meu mais novo quarto. Eu havia gostado dele, estava pintado de roxo e a mobília era branca, o quarto de Danny também tinha a mobília branca, mas tinha uns detalhes no qual agradeci por ter nos meus móveis também.
     Eu estava numa loja de CD’s, era uma loja pequena e o movimento estava calmo. Gostava assim, me sentia mais confortável para poder escolher algum CD bom para poder ouvir. Optei por Ed Sheeran, e logo encontrei uma parte que estava cheia de CD’s do ruivo, sorri e fiquei olhando o mais recente.

XxX: Gosta do ruivo? – Olhei por cima da prateleira que batia até uma parte abaixo do pescoço e vi um cara que de vez em quando olhava para mim e para o CD que segurava. Pensei em ignorá-lo, mas seria rude demais.
Eu: Curto algumas de suas músicas, não o conheço bastante.
Ele: Recomendo ouvir mais, existem várias músicas dele que são boas, deveria ouvir todas. – O cara se aproximou de mim e vi que segurava um CD da Taylor Swift, quando via homens ouvindo Taylor Swift, achava que eles eram gays, mas não vou julgar pelo gosto musical, não ele pois ele era incrivelmente lindo. – Estou pensando em dar isto para uma amiga minha, espero que ela não já o tenha.
Eu: É uma amiga especial? – Perguntei, imaginando que ele gostava dela.
Ele: Ela é, na realidade, a pessoa mais encrenqueira que eu já conheci. Ontem ela foi para uma festa e me chamou para me animar um pouco, mas eu não quis ir. Ela foi e voltou de manhã, bêbada e foi para o trabalho com uma garrafa de vodka na mão, ela só não é despedida porque a filha do patrão dela quer... hmm... Como posso dizer? Dar uns pegas no primo dela.
Eu: Meu Deus... – Ri.
Ele: Sou Liam. – ‘Liam’ estendeu a mão e eu o cumprimentei.
Eu: Sou SeuNome, prazer em te conhecer. – Sorri.
Liam: Você é americana, certo? – Assenti. – Percebi pelo sotaque, não tem dificuldade em entender o que eu falo, tem? As pessoas quase não entendem o que eu falo, dizem que eu falo rápido demais.
Eu: Pois eu estou entendendo perfeitamente.
Liam: Que bom! – Liam sorriu. – Vai levar? – Perguntou apontando para o CD.
Eu: Sim.
Liam: Ótimo. Seus ouvidos agradecerão por estar ouvindo um artista tão bom que é o Ed Sheeran, já recomendei virar uma fã dele. – Ri. – Você é de onde?
Eu: Dallas, no Texas.
Liam: Sabe, sem querer ser intrometido, mas porque saiu da América?
Eu: Mudanças algumas vezes são necessárias.

     Liam sorriu e eu me assustei quando ouvi meu celular vibrando no bolso da minha calça. Peguei e vi que Danny me ligava, era estranho, ele geralmente não me ligava, sempre me mandava uma mensagem no whatsapp.

Eu: Daniel?
Daniel: SeuNome você precisa me ajudar, agora! – Ele parecia nervoso.
Eu: O que aconteceu?
Daniel: Não posso te explicar pelo telefone, só me encontra no Hospital Central de Doncaster, eu estou ficando apavorado! Eu juro que se você não estiver aqui dentro de meia hora eu sou capaz de fazer uma loucura.

P.O.V DANIEL
     Estava andando em círculos, assim conheceria melhor alguns pontos no qual eu precisava saber caso eu quisesse conhecer melhor a cidade em que eu agora estou morando. Ainda ria lembrando da garota bêbada que achou que eu ira lhe dar uma carona, nem a conhecia, não iria confiar nela só por causa daqueles olhos azuis que não paravam de me encarar.
     Me distraí por um segundo ao olhar o horário no relógio 19:35. Ainda estava cedo, não iria para casa agora. Voltei a olhar para a estrada e tentei frear o mais rápido que eu pude ao ver aquela silhueta de uma garota na frente do carro. Consegui diminuir o impacto, mas não consegui fazer com que a garota não fosse atropelada. Ela bateu a cabeça no retrovisor e o quebrou um pouco, fazendo uma gota de sangue me deixar preocupado. Saí do carro e vi seu corpo no chão, não estava desmaiada, mas não conseguia se mexer e apenas me olhava com os olhos semiabertos. Era ela, a bêbada de antes. Segurei-a e a levei para o banco de trás do carro. Ela havia conseguido sua carona, não do jeito que queria, mas conseguiu.

Eu: Como se sente? – Perguntei, a pergunta mais idiota que eu já fiz.
Garota: Eu vejo estrelas, cara.

[...]

     Andava de um lado para o outro, apenas esperando notícias da garota. O médico ligou para a sua família, e ali estavam eles, conversando com ela e perguntando-a se estava bem. Me senti culpado por não ter prestado atenção na estrada, a sua mãe me olhou com uma cara feia e vi que a mesma havia deixado várias lágrimas caírem. Seu pai nem me notou, e o loiro falsificado que estava com eles, certamente o irmão da vítima me olhou de uma maneira normal. Eu não sabia como ela estava, apenas sabia que estava consciente. O que já era muito bom.
     Não aguentava mais esperar, então resolvi olhar pela pequena “janelinha” que havia na porta. A mulher estava abraçada com o homem e ambos estavam de frente para a garota, o loiro estava sentado numa cadeira ao lado dela, ele estava segurando a mão dela e fazia um carinho na mesma. Acho que não eram irmãos mas namorados. O médico conversava com ela, e a garota como sempre revirava os olhos. Ela devia gostar de revirar seus olhos azuis.


Homem: Você bem que mereceu! – Dizia seu pai.
Mulher: Scott, ela não tem culpa de ser uma adolescente. – Sua mãe a defendia, o que fazia o pai bufar. – Mas se bem que lhe avisamos sobre essas bebidas.
Garota: Diziam que faziam mal, mas não que eu iria ser atropelada!
Garoto: Não complica as coisas, Stephanie, você nem devia ter ido naquela festa ontem à noite. Harry me disse que foi embora porque as pessoas estavam tentando o obrigar a usar drogas.
Stephanie: E quem é você para dizer para onde eu devo ir ou não?
Garoto: Seu primo. – Respondeu. – Sou eu quem vou cuidar de você, lembra?
Mulher: Stephanie, como vamos para Nova Iorque em paz sendo que você continua cometendo os mesmos erros? Será que a quase morte da Sara não foi o suficiente para você aprender? – Sua mãe estava chorosa, e por um momento, senti pena daquela família. – Você está sujando o nome Horan.
Garoto: Acho melhor você vir comigo para a Irlanda. – O loiro sugeriu.
Stephanie: O quê? Não!
Garoto: Prefere ficar aqui e ainda se meter em confusões?
Stephanie: Eu prefiro que você “cuide” de mim... – Fez aspas com os dedos. – ... Aqui em Doncaster, não vou sair de Doncaster por nada na minha vida, certo?
Garoto: Então toma jeito nessa tua vida!
Stephanie: Eu vou parar de beber! – A garota reclamou.
Médico: Acho bom mesmo, ou então a senhorita será levada para uma clínica de reabilitação. – O médico intrometeu-se, trazendo uma notícia que não agradou a moça. – Isso já está se tornando um grande vício.
Homem: Ele tem razão, Stephanie... – “Stephanie” olhou incrédula pro seu pai.
Stephanie: Eu não preciso de uma clínica!
Garoto: Então pare de beber! – O loiro disse. – Faz isso pelo seu primo.
Stephanie: Certo...
Médico: Bem... Vou dar notícias suas para o garoto que a atropelou. – Stephanie olhou para a porta e fez cara de zangada ao me ver a olhando, quando seu pai olhou, logo ajeite-me e sentei numa cadeira que havia ali próximo a porta.


     SeuNome estava demorando para vir, fazia cerca de vinte e cinco minutos que eu havia ligado e a minha querida irmã ainda não apareceu. Ouvi que o médico ainda estava conversando com a família de Stephanie e que ela ainda se recusava a aceitar o fato de que poderia a qualquer momento frequentar uma clínica de reabilitação. Ouvi a porta ser aberta e o doutor olhou-me, levante-me e o cumprimentei, dizendo-lhe que agradecia por ter cuidado da tal Stephanie.

Eu: Como ela está? – Perguntei.
Médico: Felizmente ela apenas quebrou a perna esquerda, nada grave.
Eu: Ainda bem... – Suspirei e passei a mão em meu topete, arrumando-o. – Olha eu não sei o que aconteceu ali, eu apenas olhei e já era tarde demais para eu poder parar o carro e não atropelar ela. Juro que não foi proposital!
Médico: Tudo bem, senhor McCall, não precisa mais se preocupar com isso!

     O médico deu um meio sorriso e foi embora, como se a nossa conversa nunca tivesse acontecido. Voltei a sentar na cadeira já mais calmo, a garçonete estava bem e felizmente eu nunca mais a veria em toda a minha vida. Pelo menos é o que eu espero...
     Depois de mais dez minutos esperando, SeuNome finalmente chegou. Ao me ver, suas bochechas ficaram vermelhas e em passos largos e fortes ela veio até mim. Estava sentado, e ao me levantar e sorrir aliviado para a minha irmã recebo em troca um tapa na cara. Quase me desequilibrei, mas consegui me manter de pé e coloquei a mão em minha bochecha que agora estava ardendo e provavelmente vermelha. Numa hora como essas, ameaçava-me por ser mais branco do que o desejado.

Eu: Mas que...
SeuNome: Isso foi por me assustar ao achar que algo havia acontecido com você. – Abri a boca para falar algo, mas a bipolar da SeuNome simplesmente me deu um abraço apertado e beijou a minha bochecha no qual ela havia batido. – E isso é por você estar inteiro.
Eu: Você é bipolar, garota!
SeuNome: Mas agora... O que aconteceu? Danny você está me assustando com esse desespero!
Eu: Calma, eu estou perfeitamente bem, pelo menos eu estou.
SeuNome: Como assim? Eu estou?
Eu: Eu... Atropelei uma garota. Mas eu não tenho culpa, ela ficou na frente e eu não pude fazer nada para parar o carro, quando vi ela já tinha batido a cabeça contra o vidro do carro e eu corri para ajudá-la...
SeuNome: Espera... Você atropelou alguém?
Eu: Sim. – Assenti com a cabeça. SeuNome deu-me outro tapa, dessa vez eu me desequilibrei e caí sobre a cadeira, logo me levantei e olhei para ela incrédulo. – Mas que...
SeuNome: Seu irresponsável!
Eu: Foi sem querer, eu não tive a intenção!
SeuNome: Deveria ser mais cuidadoso.
Eu: Mas eu tinha apenas ido olhar as horas, foram pelo menos sete segundos desatento.
SeuNome: Sete segundos esses que poderiam ter matado uma pessoa... – Abri a boca para falar alguma coisa, para me defender, mas não me veio nada em minha mente. SeuNome suspirou e olhou para mim com aqueles olhos claros. – Ela está bem?
Eu: Sim, ela só quebrou uma perna.
SeuNome: Você ainda diz “só uma perna”? – Dessa vez ela me bateu com a sua bolsa.
Eu: Mas a garota está VIVA!
SeuNome: Você está encrencado, garoto. Aquele carro não era seu e você vai ter que concertar o prejuízo que você fez. Tudo o que essa menina precisar para poder se recuperar da PERNA QUEBRADA... – Gritou. – ...Será VOCÊ quem vai pagar, ok?
Eu: Já estou sabendo disso.
SeuNome: Podemos ir para casa? Eu só quero dormir um pouco.
Eu: Sim, nós podemos!
SeuNome: Ótimo!

P.O.V STEPHANIE
Manhã seguinte...
     Odiava hospitais, odiava até mesmo o cheiro de hospital. Eu receberia alta esta tarde e a única coisa que eu podia fazer agora era ficar olhando para a sacada do prédio ao lado e pensando em como eu adoraria estar em casa assistindo algum filme ou série. Não havia nem mesmo uma televisão naquele quarto e a comida desse lugar é horrível. Estava em tempo de me jogar dessa janela, seja lá qual andar eu estivesse, alto ou baixo, seria melhor do que ficar olhando a garota mimada que ficava se exibindo na sacada.
     Odiava esse tipo de gente, e aquela ceninha dela estava me deixando bastante irritada. Levantei-me da cama desconfortável e fui para o banheiro. Mamãe havia deixado uma bolsa aqui para caso eu precisasse de alguma coisa, e como ela me conhecia muito bem, não esqueceu de colocar o lápis de olho e o rímel na bolsa. Os passei em meus olhos e sorri ao ver que eles destacavam perfeitamente a minha íris azul.

XxX: Seus olhos causam inveja em qualquer um.
Eu: Já estava pensando que você tinha se esquecido de vir me visitar. – Dei um sorriso e olhei para a porta do banheiro, Mikaelle sorrindo. A abracei e ela olhou para a minha perna, logo em seguida olhou para mim.
Mikaelle: Você está andando muito bem para quem quebrou uma perna.
Eu: Não está quebrada, querida! – Dei um sorriso e Mika me repreendeu com o olhar. – Descobri que o médico também é um traficante, então ameacei ele a contar seu segredinho caso não fingisse que a minha perna estava quebrada.
Mikaelle: Por quê?
Eu: Por que o cara que me atropelou não quis me dar uma carona. Sabe que eu não gosto quando me recusa algo, então... Vai ser legal ver ele gastando um dinheirinho comigo, ele me deve.
Mikaelle: Você é realmente uma vadia!
Eu: Apenas sou esperta, Mikaelle... Apenas esperta!
Mikaelle: Você não está envolvida com drogas, está?
Eu: Mika, eu apenas bebo, certo?
Mikaelle: Certo!
Eu: Não pode contar a NINGUÉM sobre a verdade, nem mesmo para o Niall. Ele certamente contaria aos meus pais se soubessem o que eu estou fazendo.
Mikaelle: Mas você pretendia ser atropelada? Você fez isso por querer?
Eu: Não.
Mikaelle: Então realmente foi um acidente? – Assenti.
Eu: A minha sorte foi que ele conseguiu frear e o impacto não foi tão forte, eu só tive alguns arranhões nos braços e nas pernas e também um corte na cabeça.
Mikaelle: Mas quem é esse garoto que te atropelou?
Eu: Não faço a mínima ideia de qual possa ser o seu nome.
Mikaelle: É bonito?
Eu: Muito.

     Rimos. Mikaelle estava encarregada de me levar para casa, meus pais a mandaram, acharam que seria melhor eu estar acompanhada da minha melhor amiga para poder me sentir mais à vontade no caminho de volta para casa. Havia trocado de roupa, estava com um moletom cinza e uma calça jeans e um all star normal. Ficamos conversando sobre a minha formatura, e ela me perguntava se eu tinha planos para a faculdade.
     A resposta era fácil. Eu ainda não fazia a mínima ideia do que iria fazer na faculdade. Eu tive a minha vida inteira para finalmente poder decidir o que iria fazer, mas até agora eu não fazia a mínima ideia do que eu queria ser. A sua pergunta começou a me preocupar e a refletir. Eu já tinha dezoito anos, e eu precisava parar de agir como uma adolescente de dezesseis anos. Eu estava crescendo, eu só apenas não queria acreditar. Crescer sempre foi um dos meus maiores medos, talvez esse seja um dos motivos por trazer tanta dor de cabeça para meus pais.
     Eu cresci em tamanho, agora tenho que crescer mentalmente também.

Mikaelle: Hoje de manhã saiu um vídeo novo do Danny. – Mika mudou de assunto.
Eu: Quem? – Perguntei.
Mikaelle: Daniel Henry Mccall, o youtuber que te falei. – A olhei e ela percebeu que eu ainda não fazia a mínima ideia de quem ela estava falando. – Quando chegarmos na sua casa eu te mostro uma foto dele e da irmã dele, talvez você se lembre de quando eu mostrei um vídeo dele.

     Eu realmente não fazia a mínima ideia de quem ela poderia estar falando. Peguei meus fones e deixei a minha imaginação rolar junto com a música. Eu era assim, colocava uma música para tocar e ficava imaginando momentos no ritmo da música, já vi vídeos assim, talvez possa ser isso que tenham feito com que a minha imaginação simplesmente corresse solta enquanto ouvia.

Em um minuto eu segurava a chave
No outro as paredes estavam fechadas contra mim
E eu descobri, que meus castelos se apoiavam
Sobre pilares de sal e pilares de areia

     Essa era a minha parte preferida da música. Em toda música eu sempre tinha uma parte preferida. Não sei se as outras pessoas são assim, mas eu sou, e eu gosto disso em mim. Meu corpo relaxava com tal parte de tal música, era uma ótima sensação.

Mikaelle: Certo, vou lhe mostrar uma foto. – Mika disse ao parar o carro em frente à minha casa.
Eu: O que ele faz de tão especial?

     Ignorando a minha pergunta, Mikaelle pegou seu celular e começou a procurar a foto do tal Daniel. Esse nome não me era estranho, o que significava que ela realmente já havia me falado sobre esse youtuber. Ele não era tão famoso, pelo que eu pude ver, mas já tinha vários inscritos em poucos meses de canal. Mika me entregou seu celular e sorriu.
     Meus olhos arregalaram-se quando vi a foto. Era o cara da pizza, o cara a quem eu pedi carona e ele recusou, o cara que me atropelou. Ao seu lado estava uma garota loira e de olhos azuis, provavelmente a sua namorada. Ambos sorriam e olhavam um para o outro, mas não pareciam apaixonados, pareciam mais amigos ou algo do gênero. Mas em minha mente, ela era a namorada dele. Olhei para Mika e ela parecia questionar em sua mente a minha expressão de surpresa.

Eu: É ele.

Lullaby - Continua...
Eu achei esse um dos melhores capítulos até agora, hehe.
Obrigada pelos comentários e por estarem gostando da fic tanto quando eu.
Bjs!

9 comentários:

  1. Continua ♡ To amando, sério, já quero próximo. Ja to viciada,E a fic mal começou, isso é um bom sinal kkk ♡

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    1. Wooount!
      Estou tão feliz em saber que estão gostando da fanfic, especialmente bem no comecinho dela kk.
      Vou continuar dando meu melhor.
      Bjs!

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  2. Que perfeito 😍
    Amando
    Continua

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  3. Respostas
    1. Vou trazer um dos melhores capítulos ainda essa semana, bjs!

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  4. Nossa...Parabéns! 👏 Está ficando incrível! Continua e posta o outro logo Haha'! :)) xx

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    1. Que bom que está gostando, amoor!
      Vou tentar postar o próximo o mais rápido possível!

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  5. Vc vai continuar amor?

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