Lullaby - Capítulo 01

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- JAMIE



P.O.V VOCÊ
     Sabia que não deveria começar com um “querido diário”, até porque, isto não é um diário. E mesmo se fosse, eu sabia que essa seria a primeira e única vez em que o escreveria. Aqui estou eu escrevendo em minha própria mente sobre o que sinto nesse exato momento. Mudar de cidade sempre foi um desafio para mim, especialmente por ser obrigada a me despedir de vários amigos no qual eu demorei para conquistar certa amizade. Mas agora, era diferente, eu não iria mudar apenas de cidade, iria mudar-me de país.
     Nunca sou boa em despedidas, eu sempre odiei despedidas. Em Dallas eu não tinha tantos amigos quanto os que eu tinha em Nova Iorque, por isso nem estava tão preocupada como quando eu vim para Dallas. Apesar de ter nascido e passado poucos anos da minha infância em Dallas, eu sentia que aqui não era o meu lar e de alguma forma nunca seria. Dando uma última olhada na ‘agora minha antiga casa’ lembrei-me dos bons momentos em que passei aqui, especialmente com Daniel. Fechei a porta e me direcionei ao carro que meu pai havia alugado para irmos até o aeroporto.

Daniel: Inglaterra ... – Danny murmurou.
Eu: Vamos finalmente conhecer a boa e velha Inglaterra. – Coloquei o sinto de segurança e olhei para meu irmão, ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Danny sempre gostava de fazer isso quando íamos viajar, esse gesto o passava segurança. – Vamos conhecer novas pessoas!
Daniel: Eu espero que isso não atrapalhe nos meus vídeos, sabe?
Eu: Não vai atrapalhar, ás vezes uma mudança de cenário pode ser que agrade seus inscritos, o que eles estão achando da sua mudança?
Daniel: Estão ansiosos, pra ser sincero!
Eu: Viu, eu acho isso bom! – Sorri. – As pessoas gostam do seu trabalho, não do seu cenário. – Papai deu partida no carro, me fazendo dar um meio sorriso. – Mostre a casa para eles quando chegarmos.


[...]

     Minha querida mente...
     Certamente devo pensar assim, certo? Bom, eu finalmente cheguei na Inglaterra, mas especificamente em Doncaster. Aqui será a minha cidade a partir de agora, será aqui que começarei e terminarei a minha faculdade de psicologia. Nessas horas de viagem, percebo certos olhares cumplices entre meus pais e Daniel, e isso me preocupa. Algo não está certo aqui, e tenho a estranha sensação de que altos e baixos estarão presentes na minha vida durante todo os anos em que ficarei em Doncaster. Espero que eu consiga chamar esse lugar de lar, assim como eu espero conseguir refazer novas amizades e... quem sabe... novas aventuras.
     Acredito que escrever em minha mente o meu próprio diário poderia soar ridículo, e na realidade, é. Mas o que eu poderia fazer quando sou apenas uma garota de vinte anos destinada a tentar seguir seus sonhos e continuar querendo que eles se tornem cada vez mais reais? Olhando para a paisagem das ruas de Doncaster, decidi ver alguma frase motivadora em meu celular, e eu achei uma que combina exatamente com o que estou sentindo agora.

“Vai. E, se der medo, vai com medo mesmo.”

     Ah, querida mente ...
     Você não faz ideia de como eu estou com medo de ser rejeitada.

Daniel: Parece que chegamos ... – Danny apontou a casa. – Mais bonita do que imaginei.
Eu: Você está preparado para poder mostrar aos seus fãs?
Daniel: Bem ... Estou!

     Saindo do carro com a sua câmera na mão, Danny parou em frente à casa e ligou a sua máquina. Eu gostava da ideia dele virar um profissional em mídia na internet, ele gostava de fazer isso e tenho certeza que as pessoas adoram o seu trabalho. Era engraçado como ele sempre dava um jeito de conseguir vestir uma das minhas roupas ou as roupas de mamãe e desenvolvia uma pequena história, uma história engraçada. Gostava de seus daily vlogs, eu sempre estava presente neles e pelos comentários em seus vídeos as pessoas gostavam da maneira de como nos damos tão bem mesmo sendo irmãos de criação. Danny era adotado, mas ele não se importava com isso.

Daniel: Olá pequenas e pequenos, aqui quem fala é o Danny!
Eu: E com participação especial da adorável que vocês tanto amam, SeuNome Evangeline Mccall. – Dei o meu melhor sorriso e abracei Danny pelas costas, fazendo-o sorrir e dar uma piscadela para a câmera.


Daniel: Como já devem terem visto, num dos meus últimos vídeos eu disse que estava de mudança para a Inglaterra. – Ele olhou para mim. – E cá estamos nós! – Daniel mirou sua câmera em direção a casa, mostrando-a perfeitamente. – Sejam muito bem-vindos a nova casa dos irmãos Mccall!
Mãe: Crianças, parem de brincar e venham me ajudar com as coisas! – Mamãe nos chamou.
Daniel: Gravamos depois. – Disse para Danny.
Eu: Certo! – Me acompanhando, ele pegou uma das caixas do caminhão de mudança e levou até a casa que se encontrava com a porta aberta. Bem atrás de Daniel estava eu, levando uma caixa com poucas coisas e o acompanhando para colocar a caixa perto da que ele segurava.
Daniel: Parece que o nosso vídeo vai demorar um pouco ...
Eu: Mas ele vai ser gravado ainda hoje, pode ter certeza disso!

P.O.V LIAM
     Jamie não parava de chorar...
     Em minhas mãos estava uma mamadeira no qual eu tentava fazer com que Jamie se alimentasse, mas parecia que não era isso o que ele queria. Segurava delicadamente ele em meus braços, mas nem mesmo uma posição confortável fazia com que ele parasse e me deixasse ter uma boa tarde de sono, já que infelizmente eu não pude ter por causa do mesmo problema em que eu estou tendo agora.
     Coloquei-o em seu berço e sentei-me numa poltrona ao seu lado. Ele me olhava, fazia uma careta e depois começava a berrar. Eu não aguentava mais isso, eu só queria que Ellen estivesse aqui para poder me dizer o que fazer com Jamie, para poder me dizer o que era necessário para poder ser um bom pai. Enxuguei uma lágrima que teimava em cair e encarei Jamie.

Eu: Você parece muito com a sua mãe ... – Disse quando Jamie parou de chorar, fazendo apenas um biquinho. – Você podia me dizer o que quer, mas infelizmente isso ainda não é possível. – Com seus lindos olhinhos castanhos, ele ficou me encarando sem pisca-los. – Quando eu estava triste, ela me olhava com esses mesmos olhos. – Sorri ao lembrar. – Olhos curiosos, bem abertos e ... Intensos. 
XxX: Essa é uma boa maneira de ter um bom relacionamento com seu filho. – Olhei para trás assustado, não tinha notado que alguém havia entrado em minha casa. Era Adam, um grande amigo meu. Ele estava segurando uma sacola de compras, e imediatamente colocou a sacola em cima na cômoda do quarto. – Achei que precisasse de ajuda.
Eu: Não sabe o quanto eu estou feliz em saber que alguém veio.
Adam: Você ligou para alguém? Recebi um SMS seu quando estava a caminho.
Eu: Liguei para todos ... Principalmente para a Sara e a Stephanie, mas eu não recebi nenhuma resposta até agora. – Fui até a sacola e vi alguns salgados e entre outras besteiras.
Adam: Posso fazer ele dormir, aí podemos jogar vídeo-game e comer besteiras.
Eu: Você sabe cuidar de crianças? – Perguntei.
Adam: Eu era quem cuidava dos meus irmãos quando minha mãe ia trabalhar, eu era quase um pai para eles. – Adam aproximou-se do berço e colocou Jamie em seu colo, balançando um pouco e cantando uma canção de ninar, minutos depois, ele começou a cantarolar uma música no qual eu tinha certeza não era para fazer crianças dormirem, mas era bem lenta como uma canção de ninar.

So just give it one more try (Então, só tente mais uma vez)
With a lullaby (Com uma canção de ninar)
And turn this up on the radio (E aumente o rádio)
If you can hear me now (Se você pode me ouvir agora)
I'm reaching out (Eu estou chegando)
To let you know that you're not alone (Para que você saiba que você não está sozinho)
And if you can't tell (E você não sabe disso)
I'm scared as hell (Eu estou muito assustado)
'Cause I can't get you on the telephone (Porque eu não estou conseguindo falar com você pelo telefone)
So just close your eyes (Então, basta fechar os olhos)
Oh, honey here comes a lullaby (Querido, aqui vai uma canção de ninar)
Your very own lullaby (Sua própria canção de ninar)

Eu: Isso não é uma canção de ninar. – Questionei.
Adam: Tem razão, não é! Mas fez ele dormir! – Adam colocou Jamie no berço delicadamente, com medo que ele acordasse. Pegou a sacola e fomos para a sala, onde eu imediatamente liguei o vídeo-game. – Eu costumava cantar esse trecho para a minha irmã quando a levava para cama, era sua música preferida.
Eu: Sinto muito, cara ...
Adam: Não se preocupe, eu já superei isso! – E deu um meio sorriso.

     Adam havia perdido os irmãos num acidente de carro há exatamente dois anos atrás. Na realidade, seu irmão está em coma e não se sabe ao certo quando e se ele irá acordar algum dia, mas Adam ainda tem esperanças de que ele possa ver os olhinhos do irmão novamente. Já a sua irmã, Daphne ... Foi uma das maiores perdas que já tivemos.

Adam: Mas e você? – Ele me perguntou.
Eu: O que tem eu?
Adam: Já faz dois meses ... Sei que é cedo, mas você precisa superar!
Eu: Como eu faço isso? Ellen é e sempre será a garota no qual eu amei e sempre amarei mais do que eu mesmo. Sabe quantas garotas me fizeram me sentir assim? Nenhuma.
Adam: Apenas ... Apenas fique com Jamie, cuide dele da forma que Ellen iria cuidá-lo. Ela não iria tomar a decisão no qual você está disposto a tomar, Liam.
Eu: A culpa agora é minha? – Aumentei meu tom de voz.
Adam: Shhh! – Apontou para Jamie que dormia como se nada estivesse acontecendo. – Estou dizendo que Ellen não iria gostar da ideia de coloca-lo num orfanato. Você queria ser pai!
Eu: Eu não posso cuidar de uma criança sem Ellen!
Adam: Se eu consegui cuidar dos meus dois irmãos quando ainda era uma criança você também vai conseguir cuidar de um bebê sendo um adulto. Olha a comparação! Eu era uma criança e você é um adulto! Onde está a sua responsabilidade?
Eu: Você se intromete muito na vida dos outros ...
Adam: É isso o que você acha?
Eu: Sim.
Adam: Okay. Então vai ser assim ...
Eu: Se você quer tanto que Jamie não vá para o orfanato, porque você mesmo não fica com ele?! – Adam olhou para Jamie e depois para mim, e bem baixinho, respondeu:
Adam: Porque eu não sou o pai dele!

     A casa ficou silenciosa, nenhum de nós dois ousou pronunciar nem uma palavra sequer. Adam pegou o seu casaco que estava em cima da poltrona e saiu do quarto de Jamie. Ótimo! Eu iria ficar sozinho de novo ... Assim como ele, eu saí do quarto de Jamie e a última coisa que vi foi vê-lo saindo de minha casa batendo fortemente a porta.
     Hoje descobri muitas coisas sobre mim no qual eu não sabia, e uma dessas coisas é que eu sou um verdadeiro idiota.

Lullaby - Continua...
Muito obrigada pelos comentários anteriores, eu estou muito grata e já os respondi.
Bom, esse não é lá o melhor capítulo do mundo, mas foi o que eu pude fazer e, sinceramente... Eu gostei!
Sempre que eu escrevo agrado primeiro a mim mesma para depois agradar a vocês, por isso algumas vezes eu demoro para postar um capítulo.
Bom, tenham uma grande semana e até mais!

3 comentários: