Moments - Capítulo 10

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An unlucky game...

Dora Devine

A minha vontade naquele momento era de levantar os braços pra cima e esperar a mão de Deus me puxar. Isso com certeza seria menos constrangedor do que a situação em que eu acabara de me enfiar. Eu poderia muito bem sair andando pela calçada como se aquilo não estivesse acontecendo e eu nunca na vida tivesse tido relação alguma com Zayn ou qualquer outro integrante da banda (inclusive o puto do meu irmão, o causador dessa merda toda), mas claro, eu tinha que ser um imã pra azar. Eu só posso ter sido uma pessoa muito ruim numa vida passada, porque olha...

Eu não tinha ideia do que fazer. Não sabia se eu caminhava como quem não quer nada, entrar e vazar com aquele carro, ou permanecer ali fingindo que não é comigo e prolongar aquela situação. Como eu era uma completa idiota, decidi optar pela terceira opção. O que eu não sabia é que essa decisão poderia piorar ainda mais a situação. 

De longe, vi Malik revirar os olhos e abrir a porta do carro, colocando pra fora suas pernas de passarinho e, com as mãos dentro do bolso da calça, caminhar em minha direção e enlouquecer todas as meninas e meninos (incluindo Chloe, óbvio) que estavam ali fora, vendo e gravando tudo com seus malditos aparelhos da Apple. Antes mesmo que ele pudesse se aproximar mais, eu caminhei rapidamente até ele sentindo uma aflição inexplicável e uma vontade imensa de morrer.  

Quando finalmente cheguei perto dele, ao contrário do que eu pensei, ele abriu um sorriso sarcástico e passou direto, correndo em direção a multidão alargando mais o seu sorriso. Boquiaberta, fiquei observando aquela falta de consideração da parte dele. Eu queria ir embora desse inferno, estava sendo humilhada pela presença dele, e pra acabar de ser pisada, estava sendo completamente ignorada. Dessa vez eu iria aparecer nas revistas como "a trouxa do ano". Acho que estou merecendo esse reconhecimento.

Vendo ele atender, abraçar e tirar foto com cada uma das suas fãs - que, estranhamente, estavam respeitando o espaço dele (se fosse no Brasil o coitado estaria a pura carcaça) -, rodeei o carro e pulei pra dentro, desejando que aquele momento findasse logo para que eu pudesse ir para onde quer que seja e começar a me preparar psicologicamente para o dia infernal que provavelmente seria amanhã.

Tirei o celular de dentro da bolsa e coloquei os fones no ouvido, logo sentindo a voz macia de Ed invadir novamente minha cabeça, cantando mais uma daquela canções que te faz entrar em depressão de amor. Enquanto eu esperava o idiota acabar com o que estava fazendo, eu ouvi uma batidinha na janela e, quando olhei, era Emma com um sorriso pequeno em seus lábios. Tirei um dos fones e abaixei o vidro.

— Espero que saiba que sua vida vai começar a ser um completo inferno nessa universidade. - ela disse sorrindo de lado e se escorando na porta, ajeitando a alça da bolsa no ombro magro.
— Não acha que tem como escapar disso? - questionei, fazendo-a direcionar seus olhos para a quantidade de pessoas que estava rodeando Zayn, voltando a olhar pra mim com certa pena, porém com o sorriso mais largo.
— Provavelmente não. - disse e ambas rimos - Você não sente ciúmes de todo esse assédio, não? Todas essas meninas loucas por ele.
— Oi? Não, nós não somos um casal... Cruzes! - eu respondi balançando a cabeça negativamente, causando a queda do outro fone do meu ouvido.
— É sério? Nossa, me desculpe, é que saíram fotos de vocês naquela revista e...
— Foi só um mal entendido. 
—  Então vocês são amigos, certo?

Como eu iria explicar pra ela essa situação? Quer dizer, seria estranho se eu dissesse pra ela que na verdade eu odeio Zayn Malik e ele também me odeia, porém ele vem me buscar depois da faculdade e vamos juntos, um do lado do outro, até um jogo beneficente. Se eu mesma me sinto completamente confusa e entendo que isso não faz o menos sentido, imagina ela. Sem contar que acabamos de nos conhecer, eu não deveria ficar espalhando detalhes da minha vida para uma desconhecida. 

— Sim... Somos amigos...
— Queria eu ter um amigo gostoso desses...
— Emma! - eu comecei a gargalhar, fazendo-a rir.
— Qual é, Dora, vai me dizer que não é? - não, ele não é. - Pra ser sincera, de todos os meninos dessa banda, ele é o mais lindo de todos.
— Tudo bem, se está dizendo...
— Ah, meu Deus, me desculpe! - ela arregalou os olhos com as duas mãos na boca, fazendo com que eu juntasse as sobrancelhas.
— Me desculpe pelo o que?
— Você gosta dele! - ela respondeu, fazendo meus olhos saltarem e por pouco não parar em cima da bolsa que estava no meu colo. - Dora, eu não fazia ideia...
— Não, Emma! Não, eu não gosto dele! - eu respondi rapidamente - Inclusive, se quiser pode ficar com ele, eu realmente não me importo. 
— Sério mesmo? 
— Seríssimo.
— Então com licença, ele está vindo.

Na minha frente, sem ao menos hesitar, Emma abriu uns três botões da camisa que usava, deixando a mostra a curva de seus seios que faziam os meus quase nem existir. Jogou os cabelos negros em seu ombro direito e levantou uma das sobrancelhas, fazendo o tal do olhar sexy (que inclusive me deixava com cara de retardada). Zayn entrou tão rápido no carro que se quer percebeu a presença de alguém ali dentro. Tanto que quando Emma se pronunciou com uma voz completamente diferente da normal, o idiota levou um sustinho.

— Então, Dora, assim que você acabar... Oh, me desculpe! Estou atrapalhando? - ela disse com aquela típica voz de garota propaganda. 
— Não, é claro que não. - Zayn respondeu com a voz mais doce do que um favo inteiro de mel - A propósito, sou Zayn Malik.
— Emma Jones, um prazer em conhecê-lo. - a oportunidade de mostrar ainda mais seu decote, é claro, não poderia passar despercebido, então ela se inclinou o quanto pôde pra apertar a mão do senhor-galanteador ao meu lado.
— Seria um prazer maior ainda se eu pudesse te conhecer melhor.
— Ah, é claro. - ela respondeu exibindo seu sorriso largo - Podemos marcar alguma coisa, qualquer dia desses. Aqui meu telefone.

AI MEU DEUS, ALGUÉM ME MATA AGORA! Além de estar praticamente sendo sufocada por aquele par de peitos, eu ainda tinha que ficar no meio de toda essa melação. Porque eles simplesmente não conversavam do lado de fora do carro e me deixam aqui sozinha com Ed Sheeran? Eu só posso ter grudado chiclete na cruz pra merecer tanto isso!

Emma tirou um cartãozinho (porque as pessoas tinham esse tipo de cartão como se fossem alguém importante?) de dentro do bolso de sua calça e se inclinou novamente pra entregar o seu número para o idiota do meu lado, que nem se preocupou em disfarçar o olhar bem no meio do decote, fazendo aquela cara de safado que todo homem tem e faz. Ele pegou o cartão da mão dela e colocou dentro do bolso de sua calça. 

— Bom, eu tenho que ir agora. Foi um prazer te conhecer, Zayn. - Emma alargou o sorriso que já tinha em seu rosto - Nos vemos amanhã, Dora.

Acenando com a mão depois de sair de perto do carro, Emma rodeou o carro e encontrou Chloe do outro lado, que acenou com um sorriso pra mim, que retribuí, logo fechando a cara. Zayn deu a partida no carro ao mesmo tempo em que eu fechava o vidro ao meu lado, enquanto ele fazia a manobra para entrar novamente no meio dos carros e partir para o Emirates Stadium, onde o jogo iria acontecer.

— Eu não sabia que você tinha amigas tão bonitas. - Zayn comentou sem tirar os olhos do tráfego, com um sorriso esquisito nos lábios. Revirei os olhos.
— A conheci hoje, não é minha amiga. - falei do modo mais arrogante que eu alguém poderia falar, o levando a me encarar por alguns segundos.
— Você está com ciúmes! - como da última vez em que disse essa mesma frase, ele começou a gargalhar, me causando raiva.
— Ciúmes de quem, Malik? De você? Até parece que eu iria perder meu tempo com isso! Você é um babaca, idiota e convencido demais pro meu gosto. Se enxerga.
— Não tem mais como tentar fugir. Tanto ódio se transformou em amor, não é?
— Para de falar merda, Malik! Acabei de sair da porcaria de um relacionamento, pra que eu vou me apaixonar agora? Ainda mais por você?!
— Não é o que está parecendo.
— Se depender de mim você pode passar a noite com as pelancas da rainha que eu não vou estar me importando nem um pouco. - exclamei sem encará-lo, voltando a colocar os fones no ouvido e ouvir a melodia do violão de Sheeran.
— Mas, cara, ela é muito gostosa!
— Me poupe dos seus comentários.

Ignorando o fato de que naquele momento Malik poderia estar tendo pensamentos perversos com aquela que poderia ser minha amiga (mas que estragou tudo no instante em que enfiou aqueles seios dentro do carro alheio), eu comecei a prestar mais atenção no que estava sendo cantado aos meus ouvidos, me permitindo encostar a cabeça no banco e relaxar um pouco, afinal, apesar de hoje ter sido o primeiro dia de aulas da faculdade, tinha sido um tanto cansativo. 

Tudo estava nos trinques, até que comecei a sentir o carro ir parando aos poucos. Eu sabia que não estávamos perto do estádio, então me assustei ao ver que devagar, aos poucos, o carro foi parando, mesmo o motorista acelerando e mexendo em tudo o que era botão. De repente, estávamos parados no acostamento da Mackenzie Road. Eu tirei os fones de ouvido e encarei o ser ao meu lado, que parecia estar mais confuso do que eu.

— A gasolina! - ele exclamou se jogando contra o banco, passando as mãos no rosto. 
— Você é burro? Como pode sair sem conferir se tem gasolina suficiente? - eu comecei a rir igual uma desesperada dentro do carro, sentindo o olhar mortal dele sobre mim.
— E desde quando você entende de carros, docinho? - ele perguntou irônico, dando ênfase no apelido irritante que ele fazia questão de usar.
— Eu entendo o suficiente pra saber que o carro não anda sem gasolina! - eu exclamei, vendo-o revirar os olhos.
— O que vamos fazer?
— O que vamos fazer? Eu não vou fazer nada, a culpa é sua, se vira!
— Você vai me ajudar sim, até porque eu estou aqui por regalia sua!
— Eu não pedi pra você buscar, você foi porque quis! Eu poderia muito bem ter pegado um ônibus, afinal, não é pra isso que eles servem?
— Você é tão mimada que chega a me dar nojo. - ele exclamou - Se eu soubesse teria te deixado sozinha naquela porcaria de universidade.
— Não tem problema, se for assim, eu saio.

Coloquei a alça da bolsa no ombro e abri a porta do carro pronta pra sair e pedir uma carona ou qualquer outra coisa que me fizesse chegar na porcaria do estádio, mas antes que eu pudesse colocar os pés para fora, uma mão grande e tatuada puxou a porta de volta com toda a força possível, me fazendo recuar.

— Você não vai sair daqui!
— E quem você acha que é pra me impedir? Meu pai?
— Não sou seu pai, mas aquele que deveria cuidar de você como um parece não se importar muito, já que sumiu exatamente na hora que teria que te buscar. Já que ninguém mais podia vir, adivinha quem foi o babaca que se ofereceu?

Eu não tinha respostas. Afinal, numa situação dessas, quem teria? Zayn Havia se oferecido pra me buscar depois da faculdade assim, de bom grado? Estava difícil acreditar que essa era uma história verdadeira. Logo o cara que diz me odiar com todas as forças, que repudia minha presença e faz o possível pra ficar longe mim? Minha cabeça tinha dado um belo de um nó. 

— Porque você está fazendo isso, Malik? - eu questionei o encarando - Você diz me odiar tanto, então porque sempre me ajuda? 
— Com licença, eu vou ligar pro guincho.

Sem me dar nenhuma resposta, Malik abriu a porta do carro com o celular em mãos e me deixou ali sozinha, completamente afundada na areia movediça que era a minha curiosidade e confusão. Os carros passavam o meu lado na rodovia e, completamente entediada e meio frustrada por ter levado um gelo de alguém repugnante, coloquei de volta os meus fones e encostei a cabeça no encosto do banco, respirando mais fundo que eu poderia respirar.

Eu sentia meu corpo dar sinais da sua quase morte e lamentei ter que ir para o jogo. Eu queria sim fazer parte desse momento importante da vida de Louis, mas a minha mente andava mais cansada do que qualquer senhora de oitenta e poucos anos. Tudo o que eu precisava no momento era que uma velha malvada jogasse uma maldição sobre mim e me fizesse enfiar uma agulha no dedo e dormir por cem anos. Com certeza eu acordaria sem nenhuma reclamação.

Suspirei cansada mais uma vez e olhei ao redor, vendo um papel branco em cima do banco vazio ao meu lado e vi um cartãozinho que eu me lembrava muito bem de onde veio. Talvez enquanto babava no decote de Emma minutos atrás, Malik nem percebeu que havia guardado mal o telefone da menina e o deixara cair quando saiu raivoso do carro.

Não me pergunte pois não faço ideia de como ou porque aconteceu, mas no segundo seguinte aquele pequeno cartão já estava sendo jogado aos pedaços na avenida através do vidro entre-aberto da janela, sendo pisoteado pelo pneu dos carros que passavam logo em seguida. Como um sociopata que acabara de causar o terror, eu me sentia satisfeita. Estranhamente satisfeita.

— O guincho chegou.

O idiota chegou tão de repente com a notícia que eu me assustei um pouco (talvez por eu ter acabado de fazer o que fiz), mas resolvi manter o direito do meu silêncio. Ele entrou no carro e colocou o cinto de segurança novamente, enquanto eu já sentia o carro sendo puxado para cima do reboque e logo depois o caminhão sair fazendo barulho entre os carros.

Nunca pensei que diria isso (até porque nunca pensei que passaria por isso na vida, já que eu sempre andei com pessoas inteligentes que entendem que o carro funciona a base de combustível), mas a avenida inteira estava com os olhos presos em mim - ou em nós, tanto faz. Seria legal se eu fosse uma rainha de bateria no meio da avenida do carnaval paulista, mas no caso eu era apenas uma estranha sendo guinchada em cima de um reboque no centro da cidade londrina. E só tinha uma coisa na vida que eu queria fazer:

— Me lembre de matar Josh depois.


E então, docinhos, confusas? Surpresas? Ansiosas?
Eu estava tão inspirada que esse capítulo saiu em mais ou menos duas horas, o que é um recorde pra mim, mas acho que foi porque eu sabia exatamente o que queria nesse capítulo. Deixe aí nos comentários o que sentiu ao ler e o que acha que vai acontecer depois, certo? Até que não demorei tanto dessa vez, né? Bom, agora vamos ao aviso.

É o seguinte, agora que eu entrei de férias, como a maioria das pessoas fazem, eu vou viajar. Vou passar o mês inteiro na Bahia ao lado da minha avózinha e a renca de primos que eu tenho. Tudo estaria bem se não fosse por um simples detalhe: lá não tem internet. Aliás, até tem, mas além de ser meio ruinzinha, não tem como postar por falta de computador. E em pleno século vinte e um (não sei números romanos) eu não tenho um notebook pra levar. MAS, eu prometo pra vocês que o primeiro computador com um sinal descente de internet que eu encontrar, posto aqui pra vocês, pode ser? POR FAVOR, não me abandonem! Eu NÃO estou abandonando a fanfic. Eu NÃO estou abandonando o blog, okay? Eu vou, mas com fé no meu Deus eu volto! Então boas férias procês, que vocês também possam viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares, novos bofes e tudo mais que há de bom nesse mundo (parece desejo de aniversário, risos). Peço que orem/rezem/torçam/desejem sorte pra mim nessa viagem, pra que tudo saia bem, tá? Ah, e se quiserem se comunicar comigo, falem lá pelo twitter, tá? @txtpayne
ATÉ MAIS POVO LINDO! ♥

7 comentários:

  1. aaaaaah não, vou ficar sem a fic por alguns dias, ou por um certo "tempinho"? ai Jesus... mas okay né? boa viajem pra cê "docinho" né? hahaha aproveite bastante, e mais capítulos longos please? pov's com o Malik também, beijoooooo!

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    1. Não, anjo, vou ficar fora o mês inteiro, o que significa: sem fic o mês inteiro - a menos que eu encontre alguém com um bom computador e uma ineternet razoável (torçam pra isso). E adorei a sugestão de ter capítulo narrados pelo macho, na verdade, já estava pensando nisso, então... ♥

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    2. ah sim entendi, já estou de dedos cruzados kkk e sim vai ficar mais legal ainda ter os pov's dele, beijoooo até mês que vem então <333

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  2. Ahhh px, mas boa viajem querida estou amando a fic, mil beijos curta o axé e os acarajés kkkk ♥

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    1. Ah, minha querida, pode ter certeza que uma coisa que irei curtir bastante é a comida de lá, porque olha... Massa demais (uma giriazinha baiana pra fingir que sou uma pessoa culturizada). E agradeço pelo carinho, tá? Logo estarei de volta! ♥

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  3. Maria Eduarda Zancanelo5 de julho de 2015 16:35

    Mentira q VC vem para a Baixa eu sou baiana. Moro na Baixa claro. Adoro a minha cidade natal. Salvador. Oxente. Se acostume pq e muito. Oxente. Ave Maria. Oxê. Além da comidas. Muqueca. Acarajé. Amo. Para agente as aulas começam agora. Mais um capítulo prefeito. Isso e massa.

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    1. Me dê abraço aqui, então, rapaz! ♥ Eu também sou completamente apaixonada por esse lugar, mas nunca tive a oportunidade de conhecer a capital. Mas se Deus quiser (Deus, por favor, queira) eu vou passar um tempinho por aí e pegar uma praia com vista pra aquele farol lindo! E obrigada pelo carinho, meu amor, de verdade xoxo

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