Moments - Capítulo 05

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A round of applause...

Dora Devine

Eu não fazia a mínima ideia do que usar para ir a lanchonete. Essa sem dúvidas é a parte mais difícil do meu dia, pois era sempre Giovanna que me arrumava, que me dizia que blusa ficava legal com tal calça e que sapato eu deveria usar. Mas ela não está aqui agora e eu terei que correr o risco de sair, no mínimo, parecendo uma louca.

— Dora? - ao ouvir a voz de Josh me chamando do outro lado da porta, eu rapidamente a destranquei, deixando-o entrar. 
— Meu Deus, o que aconteceu com seu cabelo? - questionou gargalhando assim que entrou no quarto. Revirei os olhos.


— Eu acabei de acordar, queria o que? Sou a Megan Fox não, filho. - falei e ele ergueu uma de suas sobrancelhas.
— Eu daria tudo para ver Megan Fox acordando. Imagina que cena maravilhosa acordar e dar de cara com aqueles olhos verdes...
— Se for por causa dos olhos verdes é só dormir com o Harry. - falei soltando uma gargalhada, fazendo Josh fechar a cara.
— Estraga prazeres! - exclamou - Demora muito não, tá todo mundo lá embaixo, só falta você. - disse indo em direção a porta. - Não me faça voltar aqui novamente.
— Morre Josh!
— Se eu morrer é praga sua, quero deixar isso claro. - dito isso, Josh me deixou sozinha novamente no quarto. 

Me sentei na penteadeira que havia no quarto e encarei meu reflexo no espelho. Cara, nunca na vida me senti tão morta. Mas é culpa do fuso horário, não minha. Enquanto aqui estamos nos preparando para ir dormir, lá no Brasil eu estaria fazendo o lanchinho da noite. É, por enquanto eu teria que me acostumar a usar maquiagem pra não sair assustando as pessoas na rua e, sinceramente, isso é um saco. Não gosto dessas coisas. Mas é para o bem da humanidade, então dá pra aguentar.

Me levantei e fui até minha mala no canto do quarto, jogando para fora todas as roupas a procura da minha necessaire, com algumas coisas que minha mãe havia me dado há muito tempo atrás. Assim que encontrei, voltei a me sentar na penteadeira e virei a bolsa para baixo, deixando todos os itens de beleza caírem e se mostrarem para mim. Por Deus, não sei como começar. Quando eu era mais nova eu costumava assistir tutoriais de maquiagem na internet, mas eu acho que o que estava na moda naquela época não é a mesma coisa de hoje. Mas tudo bem, acho que dá pra tentar. 

Depois de dar um jeito na minha cara, eu voltei até a mala bagunçada e procurei por algo legal que eu pudesse vestir. Consegui encontrar uma camiseta que eu havia customizado (ou pelo menos tentado), tirando as mangas e uma calça jeans normal, azul. Me levantei e tirei o pijama que eu estava vestindo, ficando apenas de lingerie, pronta para começar a me vestir. Peguei a calça de cima da cama e, enquanto eu tentava colocar a primeira perna na calça, senti que alguém estava me observando. Instintivamente, eu olhei para a janela e pude ver algo que me deixou completamente embaraçada. 

Literalmente. Ao ver o idiota do Malik me olhando da janela, eu acabei me desequilibrando e pisando na perna da calça. Estaria tudo bem se aquele maldito piso de madeira não fosse suficientemente polido para fazer o tecido da calça escorregar e me fazer cair de bunda no chão, como uma jaca velha e madura. 

Me arrastei rapidamente até ficar do lado esquerdo da cama, lugar que sua visão não alcançava. Eu senti minhas bochechas queimarem e eu fechei fortemente os olhos, xingando-o de todos os nomes possíveis mentalmente. Até que sua voz se faz presente, num tom irônico e debochado: "Bonita calcinha!", e uma risada longa. A minha calcinha, basicamente, tinha o desenho da parte óssea do bumbum (palavra ridícula) humano. Sabe, o que há por baixo da carne. Meu dia não podia começar pior.

Alguns minutos depois encolhida ali, eu me coloquei de joelhos para ver se ele ainda estava na janela e me senti aliviada ao perceber que não. Para não correr perigo algum, eu peguei minha roupa em cima da cama e corri para o banheiro, me vestindo lá dentro. Assim que terminei eu saí do banheiro, calcei minha bota e enrolei uma echarpe no meu pescoço, só pra não ficar muito country. E olhando no espelho, percebi que eu poderia me virar bem sem a Giovanna. Acho que depois de tantos anos ouvindo seus conselhos, eu havia aprendido alguma coisa que preste.

Depois de fechar a porta do quarto atrás de mim, eu desci as escadas rapidamente, percebendo que Josh não estava brincando quando disse que todos estavam me esperando. Todos se levantaram ao mesmo tempo, mas o que mais me chamou a atenção foi a presença de Malik ali. Pensei que ele não iria, como disse ontem. Mas tudo bem, não faz diferença. Ele me encarou de um jeito sugestivo, com os lábios curvados e pressionados, o que denunciava seu riso sendo preso. Revirei os olhos, ignorando-o.

— Gente, desculpa a demora, eu tive alguns... - pigarreei me lembrando do real motivo de eu ter demorado tanto - Probleminhas.
— Tudo bem, a gente entende. Estamos acostumados com esses probleminhas, certo, Niall? - Louis questionou sugestivo e Niall riu. Eu arregalei os olhos, curiosa.


— Não! - exclamei - Não é esse tipo de problema! - eu comecei a gargalhar junto com os outros. Niall arregalou seus olhos também, agora entendo do que Louis estava falando, o que me fez rir ainda mais.
— A gente tem mesmo que falar desse assunto agora? Estamos indo comer! - Danielle reclamou, fazendo uma careta.
— Ah, qual é, Danielle! Mulheres também fazem isso! - Louis protestou - Ou vai dizer que o de vocês tem cheirinho de rosas?
— Tudo bem gente, esse assunto tá me deixando um pouco indisposto. - Liam fez careta e vi meu irmão concordando.
— Acho bom continuarmos essa conversa maravilhosa depois. - disse irônico - Quem vem comigo?

Como nem todos estavam afim de ir com seu próprio carro, acabamos nos dividindo em dois. Enquanto eu estava a caminho da tal lanchonete, eu conversava com o pessoal e pensava em como seria um desperdício não ter vindo pra cá. Apesar de ter odiado a ideia inicialmente, eu já estava me sentindo muito bem aqui e não tem como eu simplesmente me recusar de concordar com minha mãe. E olha que esse era só o primeiro dia.

A lanchonete não era muito longe, então chegamos logo ao local. Assim que saímos do carro, entramos todos de uma vez, já que era perigoso ficar do lado de fora, uma vez que há milhares de fãs que podem descobrir que os meninos estão aqui e fazer tudo isso virar um completo inferno. Mas havia algo que seria um inferno pra mim e não era necessário nenhuma fã para fazer isso acontecer: me sentar ao lado de Malik. Tudo bem, havia outros lugares na mesa, mas foram rapidamente ocupados e eu simplesmente não tive escolha. Parece que o mundo está conspirando contra mim hoje. Mas okay, era só ignorar.

Me sentei ao lado e afastei um pouco a cadeira, o que fez com que algumas pessoas da mesa me encararem de um jeito estranho. Eleanor, sentada do meu outro lado, balançou a cabeça negativamente rindo. Ah, qual é?! Ela por acaso gostaria de ficar encostando o braço em alguém que ela simplesmente não suporta? Duvido.

— Eu queria entender tudo isso. - ela disse apontando para Malik, que não desgrudava os olhos do celular. Os outros falavam ao mesmo tempo para escolher o que iriam pedir.
— Eu também, mas não dá pra explicar. Simplesmente aconteceu. - dei os ombros - E ele é um belo pé no saco.
— Eu não concordo, Dora. Ele é um doce comigo, sempre foi.
— Okay, então corrigindo: pra mim, ele é um belo pé no saco. 


Depois de mais alguns minutos escolhendo o que eu queria comer (um sanduíche bem grande de peito de peru e mais alguns ingredientes), começamos a conversar e rir entre uma mastigada e outra, o que me fazia engasgar algumas vezes. E, durante uma dessas engasgadas, eu vi algo que fez com que engasgasse ainda mais. Meus olhos se arregalaram tanto que eu pensei que eles poderiam cair e sair rolando pela mesa. Peguei o copo de coca-cola e dei uma boa golada, afim de fazer descer o que ficou parado na garganta, ao mesmo tempo que deixava meu cabelo cair sobre meu rosto, numa forma de me esconder. Mas ouvir a voz dele falando meu nome deixou claro que essa tentativa havia falhado. E muito feio.

— Dora? 


Quando Pedro se pronunciou, todos se calaram rapidamente e eu permaneci na mesma posição, fingindo que nada estava acontecendo. Ouvi a voz de Josh.

— O que você quer com a minha irmã, seu babaca? Já não fez o que tinha que fazer?
— Olha Josh, não quero parecer rude ou algo assim, afinal nós sempre fomos amigos...
— Corta esse papinho, cara. - Josh disse aparentemente nervoso - Nós nunca fomos amigos e agora muito menos.

Naquele mesmo instante, como um estalo, eu me lembrei do acontecido do Ibirapuera. Pedro com certeza vai querer saber do meu suposto namorado e, se citar o nome dele, a coisa vai ficar ainda pior. E eu não poderia contar a verdade. Não aqui, não agora. Eu tinha que dar um jeito de continuar com essa farsa antes que alguma coisa dê errado. Meu Deus, eu estou completamente ferrada! 

Sem pensar (se eu pensasse iria perder a coragem), dei uma leve pisada no pé de Malik enquanto meu irmão ainda falava com Pedro. Ele me encarou com as sobrancelhas juntas, enquanto eu tentava encará-lo de um jeito discreto, que não chamasse a atenção de Pedro ou de qualquer outro nesta mesa. Suspirei, com o coração na boca.

— Porque pisou no meu pé? - ele perguntou com indignação.
— Shh! Fala baixo, idiota! - sussurrei, recebendo um olhar estranho em troca.
— O que? - perguntou torcendo os lábios - Você tá maluca?
— Eu preciso da sua ajuda! - falei ainda sussurrando antes de ver sua expressão ficar ainda mais confusa. Eu revirei os olhos e me levantei da mesa, o puxando pelo braço - Apenas cale a boca e me siga.

Surpreendentemente, ele me obedeceu e me seguiu, de má vontade, obviamente. Fui até a porta de entrada da lanchonete e larguei seu braço, vendo-o me olhar com aquela mesma cara de confusão que havia me lançado na mesa. Eu suspirei novamente, me perguntando como diabos eu iria explicar aquela situação pra ele. Malik provavelmente iria me chamar de louca e se recusar a me ajudar. 

— Malik, eu não tenho ideia de como te dizer isso, mas... - suspirei novamente, com seus olhos ainda sobre mim - Eu preciso que você finja ser meu namorado. Só hoje! - ele arregalou os olhos e começou a gargalhar. Ao perceber que eu permaneci séria, ele parou rapidamente, me olhando com uma de suas sobrancelhas erguida.
— Você só pode estar brincando! - exclamou - Está mesmo me pedindo pra eu ser seu namoradinho de mentira?
— Você acha mesmo que eu iria te arrastar até aqui pra fazer uma brincadeira idiota dessas? Eu falei que preciso da sua ajuda!
— Olha aqui, Dora, se for pra fazer ciúmes pra esse seu namorado aí...
— É exatamente o contrário! Eu quero que esse cara fique longe de mim!
— E você tem que pedir isso logo pra mim? Não poderia ser o Harry, o Niall...

Eu não tive escolha a não ser contar pra ele toda aquela história, de um jeito bem resumido é claro. Mas, como o previsto, ele surtou. Ah, eu estava mesmo perdida!

— O que? Dora, você é louca? Como me coloca numa história dessas?!
— Já falei que não foi culpa minha! Eu jamais escolheria você como meu namorado de mentira, muito menos de verdade! 


— Toda essa coisa saiu da cabeça da louca da Giovanna. - respondi irritada - Malik, é sério. Eu estou aqui, praticamente implorando pela a sua ajuda. Pelo menos por hoje, depois eu invento qualquer coisa.
— Quantos anos você tem? Cinco? - questionou irônico - Eu não vou fazer parte dessa infantilidade. Se vira! - ele ia saindo, mas eu o puxei pelo braço, o impedindo de seguir. Ele se virou de frente pra mim. Soltei seu braço.
— Malik, por favor! - eu não acredito que eu estava suplicando - Você acha que eu não considerei a ideia de contar toda a verdade pra ele? Mas se eu fizer isso, ele não vai me deixar em paz, vai ficar no meu pé! 
— E o que eu vou ganhar com isso tudo?
— O que você quiser. - ele parecia pensativo, o que fez eu me arrepender da resposta.
— Na verdade, eu estou precisando de algumas latas de tinta. - ele respondeu e eu juntei as sobrancelhas - Você disse que me daria o que eu quisesse.
— Tanto faz, Malik. - exclamei - Vai me ajudar ou não? - ele suspirou, revirando os olhos.
— Eu sei que vou acabar me arrependendo disso. - respondeu - Vamos, me dá a sua mão.

Eu coloquei minha mão sobre a sua e ele entrelaçou seus dedos nos meus. Meu Deus, nunca em toda a minha vida eu pensei que teria que ficar de mãos dadas com alguém tão repugnante como Zayn Malik. Seguimos até a mesa onde estávamos e acabamos chamando a atenção de todos ao chegar como um casal. Algumas sobrancelhas erguidas, olhos arregalados. Principalmente os de Pedro.

Malik se sentou no seu lugar e eu fiz o mesmo, me aproximando mais dele e sendo abraçada pelos ombros. É claro que eu sentia vontade de sumir daqui e ficar bem longe dele, mas era para o meu próprio bem, então o sacrifício valia a pena. Josh me olhava de um jeito estranho, mas eu não podia fazer muita coisa. 

— Então, Pedro. - comecei, fazendo todos me encarar - O que veio fazer na Inglaterra? - perguntei, tentando parecer natural.
— Na verdade, eu... Eu vim estudar aqui, fazer teatro. Você sabe que sempre foi o meu sonho. - disse - Eu moro bem ali na frente e, eu vi você da janela. Pensei que eu poderia vir falar com você, mas vejo que você está acompanhada.
— Muito bem acompanhada, né amor?! 
— É. - Malik respondeu seco, o que me fez pisar em seu pé, agora usando o pequeno salto que a bota tinha. Ele disfarçou uma careta de dor.
— Ahn, sim... Amor da minha vida! - disse exagerado e eu quase revirei os olhos.


— Ahn, não quero parecer intrometido, mas... Vocês se conhecem há muito tempo?
— Não.
— Sim. 
— Quer dizer, sim. - respondi - Já faz bastante tempo. 
— Foi quando eu, nós, quer dizer, a banda, fomos fazer shows no Brasil. - Malik disse, fazendo mais peso com seu braço em meus ombros, de propósito. Eu grunhi baixo, pisando novamente no pé dele.
— Nós já fomos no Brasil? - Niall perguntou, completamente confuso, o que chamou a atenção de Pedro rapidamente. Ele nos encarou.
— Ué, Niall, não se lembra? - eu perguntei, abrindo um sorriso pra ele, que juntou ainda mais suas sobrancelhas. 
— Foi em... Dois mil e...
— Sete! - eu respondi por impulso.
— Mas a banda foi criada em dois mil e dez. - alguém respondeu, fazendo-me quase perder o sorriso que eu carregava nos lábios.
— Enfim, Pedro, se não se importa, estamos num momento muito íntimo aqui, sabe, matando a saudade dos amigos. - abri outro sorriso falso - Se importa de ir embora?
— Não, é claro. - ele abriu um sorriso triste, que quase me fez ficar triste também. - Foi... Foi bom te ver de novo, Dora. E foi um prazer conhecer vocês! - disse acenando e dando as costas, seguindo para fora da lanchonete.

Assim que ele saiu, tirei o braço de Malik de cima de mim e afastei minha cadeira novamente, passando as mãos pelo rosto e me sentindo aliviada. Ele provavelmente não iria mais me procurar, o que era uma vantagem, mas eu simplesmente não podia evitar de me sentir atraída. Ele tinha sido um completo idiota comigo, mas eu ainda gostava dele. Foram dois anos, é muita coisa. Assim que tive coragem de encarar todo mundo, Josh parecia bravo com aquela situação, mas não o culpo.

— O que foi isso, Dora? - questionou, me fazendo suspirar pela trigésima vez naquele dia.
— Depois eu te explico, tá? - respondi, me levantando - Podemos ir pra casa agora?



Confesso que eu ri demais revisando esse capítulo! Imagina como seria uma cena dessa na vida real! Eu com certeza iria querer ver. Espero que também tenham dado risada ou, pelo menos, aberto um sorriso sincero lendo isso aqui. Comentem que tem mais, viu? Fiquem com Deus xoxo

6 comentários:

  1. Maria Eduarda Zancanelo17 de junho de 2015 15:31

    Chorei de rir. Vc e muito criativa. Minha Vó me olhou como se eu fosse louca. Kkkk. De onde vc tira essas idéias? ???? Tô adorando, não tô AMANDO.♡♡♡♡♡♡♡♡

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    1. Obrigada pelos elogios, meu anjo, é muito bom saber que está agradando hahahah (:

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  2. Muito top esse imagine ,estou amandooo <3 <3

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    1. Obrigada meu amor, de verdade, bom saber que está gostando <3

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  3. Tem data pro próximo capitulo

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    1. Eu normalmente não tenho data certa pra postar, anjo. Posto só quando eu tenho um tempinho disponível. Mas vou postar agora, viu?! (:

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