Moments - Capítulo 02

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And the night over London lay...

Dora Devine

— Eu não queria falar isso, mas... Eu te avisei! - Josh exclamou do outro lado da tela, arrancando de mim um riso. Pra falar a verdade eu não estava nem um pouco a fim disso, mas ri assim mesmo. Pelo menos ele pensaria que estou melhor, quando na verdade, estou catando meus cacos.

Depois que Giovanna me deixou em casa e me viu chorar por mais ou menos vinte minutos, pedi que ela fosse pra casa, já que estava ficando tarde e eu não queria que ela ficasse aqui me assistindo chorar mais, afinal, é uma cena patética e clichê de filme romântico. Depois de um banho quente e mais umas lágrimas perdidas, me tranquei no quarto e entrei em minhas redes sociais, procurando algo que me distraísse, mas não tinha jeito. Sempre tinha algum infeliz mencionando Pedro e eu não podia evitar. Então, resolvi entrar no Skype para falar com Josh, pois sabia que estava tarde, então estaria sozinho.

Engano meu. Os meninos estavam ainda estavam na casa dele, fazendo uma disputa infantil de vídeo-game, mas estavam na sala enquanto Josh estava no quarto. Contei a ele tudo o que aconteceu a noite e sabe o que ele fez? Riu. Exatamente, ele riu. Mas não o julgo. Ele sempre disse pra mim que Pedro não era tão santo quanto eu pensava, que uma hora ou outra eu iria descobrir isso da pior forma possível se não caísse fora. Fui teimosa e o amor que eu sentia (e ainda sinto) por Pedro me cegou e acabei aqui, sozinha, amargurada e me sentindo uma idiota. 

— Eu sei, eu sei. Eu deveria ter escutado você, mas não estou me sentindo tão triste, o que é bem estranho. Acho que de algum jeito meu psicológico já estava preparado pra isso, então eu meio que já superei. - falei e ele abriu um largo sorriso.
— Bom isso é sinal de que você não estava sentindo a mesma coisa por ele, né? - disse e eu juntei as sobrancelhas, considerando essa possibilidade. 
— Mais ou menos... - falei e ri depois - É estranho, porque acho que eu deveria estar jogada no sofá, assistindo a um romance qualquer, enquanto engordo mais alguns quilos. - ele riu - É, talvez eu já não goste dele tanto quanto antes.
— É isso aí! É assim que se fala! - gritou gesticulando de um modo exagerado, me fazendo rir. - E a tal garota?
— Bom, no fim de tudo ela acabou me dando alguns conselhos... - ele arregalou os olhos e nem me deixou terminar de falar.
— Como assim ela te deu conselhos, Dora? - parecia nervoso - Você é idiota ou o que?
— Josh, ela é tão vítima quanto eu! - exclamei - O infeliz a engravidou, mas ela não sabia que ele também estava comigo.
— Espera, espera... - cerrou os olhos - Ele traia você com ela e ela com você? - eu assenti - Eu juro que se eu encontrar esse desgraçado eu acabo com ele!
— Fica calmo, tá? Ele não vale o esforço. - ele revirou os olhos - Eu não pretendo mais nem olhar pra cara daquele imbecil. - falei suspirando.
— Como é o nome dela?
— Porque raios você quer saber? - perguntei confusa, vendo Josh abrir um sorriso safado.
— Se ela for gata...
— Cala a boca! - exclamei rindo. Vi Josh abrir a boca para dizer algo, mas do nada, ele sumiu da tela, fazendo meu coração palpitar pelo susto.

Depois de alguns segundos de silêncio e desespero da minha parte, ouvi uma risada que eu conhecia muito bem. Uma risada escandalosa e gostosa, que pertence a um loiro irlandês mais conhecido como duende ou talvez, Nialler. Logo os dois apareceram e eu comecei a rir por conta da expressão de dor do meu irmão. Pelo o que eu entendi, ele tinha caído. Acenei para Niall, que sorriu e acenou de volta, deixando que algumas palavras de saudação saíssem por sua boca, em inglês e com aquele sotaque fofo da Irlanda:

— Hey, Dora! - ele estava sentado na cama ao lado de Josh, que ainda parecia desconfortável pela queda. Eu pretendia responder Niall, mas antes que eu pudesse abrir minha boca, outro rosto apareceram na tela, me assustando e me fazendo gargalhar depois. Alguns gritos e risadas, nada que eu já não esteja acostumada. 
— Dora! - Louis gritou acenando freneticamente, com um sorriso enorme no rosto. Parecia uma criança na Disneylândia. 
— Lou, que saudade! - exclamei sorrindo e ele alargou mais seu sorriso. - Como estão as coisas por aí? - perguntei.
— Bem... Estranhas! - ele gargalhou antes que eu ouvisse mais algumas risadas.
— Dora, hey! - Eleanor apareceu ao lado de Louis e percebi que seus olhos estavam vermelhos, o que indicava que ela havia chorado, mas pelo enorme sorriso em seu rosto, percebi que ela chorou de tanto rir.
— Lea, está acontecendo alguma coisa por aí? - perguntei curiosa para saber o porquê de tantas risadas. Danielle puxou Louis e se sentou ao lado de Eleanor, acenando e sorrindo como sempre fez.
— Oi, Dora! - ela saudou e eu sorri - Oh my God, Harry, are you crazy? - ela gritou antes de começar a rir. 
— O que está acontecendo?
— O Harry subiu em cima do guarda-roupa do Josh, dizendo que era o homem aranha, mas agora não consegue descer! Ele está meio bêbado. - as duas gargalhavam e eu não pude deixar de fazer o mesmo.

Josh apareceu novamente na tela e sorria. Eu queria muito continuar falando com eles, mas minha noite foi bem cansativa e eu preciso mesmo colocar a cabeça no travesseiro e relaxar por algumas horas, sem pensar em Pedro ou em toda essa situação. Depois de me despedir de todos e questionar onde Liam estava (ele estava no andar de baixo, fazendo companhia para Malik) desliguei o computador e deixei meu corpo cair sobre a cama, fria e aconchegante. 

O vento passava pela janela aberta e entrava em meu quarto, passando por todo o meu corpo e me trazendo uma sensação de paz, que me fez dormir em questão de minutos. Era tudo o que eu mais precisava neste momento.


DIAS DEPOIS...

— Vai ser bom pra você, querida! Você sempre me pedia isso desde que seu irmão foi embora! - minha mãe dizia, enquanto eu massageava as têmporas, caminhando de um lado para o outro na sala, sob’ o olhar preocupado de Rodolfo. - Sem contar que vai ser ótimo pra você ficar um tempo longe de São Paulo, e também não terá chances de encontrar seu ex-namorado por aí. - ela disse sorrindo.
— Mãe, isso é loucura! - exclamei - Eu não quero sair de São Paulo, eu gosto de morar aqui! Sem contar que eu tenho amigas aqui...
— Colegas! - dona Helena corrigiu, me encarando séria.
— Escute tua mãe, chica. - Rodolfo disse, tentando me acalmar. - Analise pelo lado bom da proposta. Além de poder morar com seu irmão em outro país, você pode começar seu curso de Moda lá! - disse e eu parei no meio do caminho, deixando que minhas mãos caíssem na lateral de meu corpo. 

Bom, Rodolfo até que tinha razão. Eu me lembro que quando meu irmão se mudou para a Inglaterra eu passei uma semana doente, tomando canja no café, almoço e jantar, enquanto gritava para que minha mãe o trouxesse de volta ou me deixasse morar com ele. Lógico que ela não fez nenhuma dessas coisas, mas me prometeu que assim que eu terminasse o ensino médio, poderia ir morar com ele e entrar numa boa universidade. 

Eu já terminei o ensino médio, mas eu não estou nem um pouco a fim de me mudar. Sim, seria uma boa oportunidade de entrar de vez numa universidade, conhecer um país diferente e ficar longe de qualquer possibilidade de encontrar com Pedro, uma vez que ele faz parte de todos os meus círculos sociais. Não era uma ideia tão equivocada.

— Me parece uma boa ideia, mas não estou totalmente convencida...
— Filha, olha aqui pra mim! - minha mãe se levantou e veio em minha direção, segurando meu rosto com suas mãos. - Eu só quero o melhor pra você e neste momento, o melhor é morar com seu irmão na Inglaterra.
— Por que esse é o melhor? Eu posso sim entrar em uma boa universidade aqui e fazer o curso que eu sempre quis! - exclamei.
— Você não está entendendo, Dora! - ela exclamou me soltando e passando os dedos por entre seus fios negros de cabelo.
— Então porque você não me explica? - perguntei já ficando irritada com aquele assunto. O que diabos deu na cabeça dessa mulher que ela quer me mandar pra longe?
— Dora, sente aqui. - Rodolfo bateu de leve sua mão no lugar vago do sofá ao seu lado para que eu me sentasse e assim fiz. Suspirei. - O problema é que você tem mesmo que ir.
— Porque vocês não querem que eu fique? Querem se livrar de mim, é isso? 
— Querida, você tem que ir porque a passagem já foi comprada. - minha mãe disse e eu arregalei meus olhos, me levantando em um só pulo.
— Espera... Vocês compraram a passagem sem me avisar de nada? Sem ao menos perguntar se eu queria ir?
— Filha, desculpa. - Helena disse - Eu sabia que se eu perguntasse você não iria querer, então pensei que você não teria escolha se eu comprasse sem avisar. 
— Mãe, você não poderia ter feito isso! - exclamei - E se eu tivesse planos?
— Você tem planos?
— Não...
— Então, fim de papo. - ela disse indo em direção a escada.
— Ei, onde você pensa que está indo, Helena? - ela parou no meio da escada.
— Dora, eu já estou cansada dessa história. Você vai e ponto final, sou sua mãe e a última palavra é sempre minha. - ela disse subindo as escadas. Olhei para Rodolfo.
— Rodolfo, fala com ela! - exclamei e ele se levantou, subindo as escadas também.
— Desculpa Dora, não posso fazer nada em relação a esse assunto. Ela é sua mãe, não tenho escolha. - disse e sumiu escada acima.
— Traidor! 


MINUTOS DEPOIS...

— Gio, estão querendo me mandar pra longe! - falei com a voz embargada pelo choro, trancada e jogada na cama. 

Eu estava em meu quarto, realmente chateada com a situação. Então resolvi ligar para Giovanna, que sempre dá bons conselhos. Tudo bem que há a possibilidade de ela virar pra mim e dizer: “Vamos fugir! Podemos alugar um quarto pequeno numa espelunca qualquer e comer hambúrguer de graça na promoção dos sábados na lanchonete do Neto!”, mas eu precisava mesmo falar com alguém que me entendesse.

— Como assim te mandar pra longe, Dora? Explica esse troço direito.
— Minha mãe quer que eu vá morar na Inglaterra com Josh! - falei com a mão na testa, olhando para o teto branco do meu quarto.
— O quê? Você não pode ir pra Inglaterra!
— Diga isso á dona Helena! - exclamei nervosa e eu a ouvi suspirar do outro lado da linha.
— Tenho certeza que ela só fez isso porque ela não quer que você tenha mais contato com Pedro. É tudo culpa dele! - exclamou me fazendo rir. Eu percebi que sua voz já estava chorosa e me deu ainda mais vontade de chorar. - Dora, vamos conversar com ela, talvez ela entenda que por enquanto, é melhor você ficar aqui!
— A passagem já foi comprada, Gio. - falei um tanto triste e fiquei no silêncio por alguns segundos. Outro suspiro.
— Porque você não falou que ia comprar uma passagem pra Inglaterra, Dora? - perguntou com a voz falha e eu fechei fortemente os olhos.
— Foi minha mãe que comprou Giovanna, nem eu sabia disso.
— Tô a fim de matar sua mãe! - exclamou e eu ri - Pra quando é?
— Depois de amanhã. - falei me revirando na cama, por conta do calor.
— Mas já? Dora, tem noção que só temos um dia para nos despedir?
— Eu sei, por isso pensei que poderíamos passar o dia juntas amanhã. 
— E eu tenho escolha? - perguntou rindo. - Tudo bem, então depois do almoço, okay?
— Tudo bem, então nos vemos amanhã.
— Okay, boa noite.
— Boa noite, bitch.
— Se lascar.

Essa semana tem sido bem estranha pra mim. Sinto fome, tédio e sono o tempo todo, faço combinações estranhas de comida, ando escrevendo textos amorosos no computador, ando faltando ás aulas de violão e me sinto sozinha o dia todo. Tô parecendo uma grávida, mas isso meio que já se tornou rotina na minha vida. Preciso de algo novo na minha vida, novos ares, novas pessoas.



É a partir daqui que as coisas começam a mudar para nossa Dorinha. Agora vocês podem esperar muita confusão, porque vocês sabem, a tendência é sempre piorar. Comentem se gostaram do capítulo e me façam uma jovem feliz, certo?d xoxo

4 comentários:

  1. Maria Eduarda Zancanelo13 de junho de 2015 13:19

    Tipo, vc tem q continuar agora. Já, isso é uma ordem. Kkkk sqnão. Pfv continua. Tô amando ♡♡♡♡♥♥♥♥ muito divo ☆☆☆☆★★★

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    1. Vou continuar sim amor, pode deixar! E obrigada ♥

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  2. Ta msm mt boa, arrasando ♥♥

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