Longfic - / Believe in Me (Parte 11)

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Preciso de você, respiro você, nunca deixaria você -Off the Races
Capítulo 11 - Segredos e mentiras

SeuNome P.O.V's

Meus pensamentos só estavam na reação que Louis teria, no que pensaria de mim e em como isso estragaria todos os nossos planos. Assustada e desesperada eram simplesmente pouco para descrever o sentimento horrível que tomava conta de mim, era como se aquelas palavras me comessem viva.

- Não meu amorzinho, não acabou não. Desse a página. -ouvi a voz de Helena me lembrar de que ainda estava no telefone. Fiz o que ela pediu com a minha mão tremendo, percebendo que logo abaixo da matéria havia um vídeo com uma entrevista com ninguém menos que...Jonathan. Mas como...? Um nó se formou nos meus pensamentos enquanto dezenas de perguntas sem resposta apareciam fazendo minha cabeça doer. Tomei coragem apertando o play rapidamente e piscando os olhos para ver melhor.

" - Jonathan Millers está aqui do meu lado, nós estamos na Covent Garden e acho sinceramente que Londres nunca esteve tão quente. -dizia a repórter que o entrevistava sendo repercutido em prováveis vários sites de fofoca ao mesmo tempo. -E quando digo quente, me refiro a todos os sentidos, principalmente o que se trata de um dos maiores nomes da música britânica e sua noiva que são o assunto mais falado da Inglaterra e do mundo nesse exato momento pela internet. Soubemos nessa segunda feira que emails e videos de câmeras de segurança do escritório de SeuNome Completo caíram misteriosamente na rede e agora todos estão se perguntando diferentes coisas sobre o assunto. Então...Jonathan, certo?-o vi assentir descaradamente. -Você quer nos esclarecer que esteve com a noiva de Louis Tomlinson durante meses do noivado deles em segredo, quer dizer, tem algo a nos dizer sobre isso?
- Sim, na verdade eu estive com a SeuNome durante vários meses mas realmente não sabia que ela era tão importante e estava comprometida. -Filho da mãe! Eu não acreditava como ele podia mentir assim na maior cara de pau e com aquele sorriso cínico.
- Pelo que eu sei ela odeia falar da vida pessoal assim como o noivo, mas como acha que esses emails que trocaram vazaram?
- Provavelmente algum hacker muito talentoso fez isso para difamar ela e ao noivo...Eu mesmo não sou de falar sobre a minha vida publicamente e nem sou famoso pra isso, mas quando isso vazou na internet e todos souberam que era eu, eu não quis que pensassem que sou alguém ruim e não pude ficar calado. Aceitei fazer a entrevista que me chamaram. Ela nunca me disse que era comprometida e ia se casar -Filho da puta, é claro que ele sabia!-, então não posso ficar com a culpa e deixar que ela saia numa boa. SeuNome, não foi nada legal!-olhou para a câmera e tanto ele quando a mulher riram.
- Então está dizendo que de fato é você nos videos.
- Com certeza, infelizmente.
- Sabe que vai ficar famoso por estar dizendo isso diante de tantas telas, não é?
- Bom. -ele riu- Eu não me importo com fama, eu gostava dela. Mas se ela quer ficar com o corno e não comigo, não posso fazer nada. Só acho que é melhor nunca mais vê-la na vida já que mentiu pra mim e para todos os fãs, todo o mundo.
- Jonathan, eu acabei de ganhar o ano com essa entrevista!
- Que é isso, só estou esclarecendo a verdade. -meu coração batia por puro ódio, eu quase não conseguia continuar assistindo.
-  Bom, agora que esclarecemos algumas das perguntas dos fãs, vamos deixar que eles tirem suas conclusões. Eu sou Jade Reed e da Heat e esse foi Jonathan Millers em primeira mão com a verdade sobre SeuNome Completo. "

Eu estava simplesmente perplexa encarando a tela escura após o vídeo acabar. Ouvi uma risada vinda do telefone e o peguei novamente com o coração acelerado.

- Escuta aqui sua filha da puta, nós tínhamos um trato, porque você fez isso?! Se eu te encontrar eu juto que eu mato você, eu MATO VOCÊ E...
- Fazer o quê. Eu só mostrei a verdade a eles, a verdade que VOCÊ construiu, agora aguenta. -deu uma pausa- Eu só queria ver sua cara agora mas infelizmente não posso porque estou acabando de chegar na Ásia com as suas ideias e graças a Deus nunca mais vou te ver. -ouvi uma mensagem de Louis chegar no canto da tela do meu notebook causando um barulhinho. -É ele? Eu aposto que é. Vai em frente, quem sabe você consegue consertar. -riu. -Mas acho difícil. Boa sorte, você vai precisar.
- VAI SE FODER!-ela desligou e eu guardei o celular me levantando rapidamente sem mal conseguir pensar, pegando um casaco e rezando para meu coração parar de me assustar com esses batimentos. Teria que correr o máximo possível para conseguir chegar ao lugar em que Louis me pediu para ir na mensagem a tempo.

Eu estava dirigindo simplesmente desesperada, consegui me arrumar um pouco no carro já que tinha acordado a alguns minutos e já com essa notícia bombástica e terrível. Por sorte, nem era tão longe o Hyde Park, mas assim que meu carro derrapou um pouco em cima do gramado e eu quase nem o desliguei pulando para fora percebi a quantidade de gente que estava ali, e a maioria eram fotógrafos e entrevistadores misturados com as pessoas que só queriam aproveitar o parque. Não foi difícil localizar Louis pois ele praticamente estava cercado pelas pessoas, eu tentei chamar sua atenção de longe mas tive mesmo é que correr o risco e me aproximar depois que isso não deu certo. Assim que fiz, uns fotógrafos me cercaram também com milhares de perguntas, eu só queria chamar Louis e quando estava perto o bastante percebi que ele estava falando num tom meio grosso com um paparazzo.
- Você não fica chateado com essa polêmica?-perguntavam sem o deixar em paz.
- Louis!-outro dizia e ele tentava passar.
- Olhe para a câmera Louis.
- ME DÁ UM AUTÓGRAFO LOUIS! LOUIS!
- A sua noiva é uma traidora, como se sente?-ele parou e se virou. Não, Louis, pensei. -O que tem a nos dizer...?
- Engraçado, a parte que a SeuNome me traiu é bem criativa mesmo, vocês são bons. -ele respondeu.
- Mas o amante dela confirmou que era ela nos videos e nos emails, só estou dizendo.
- É mesmo?-ele riu lhe olhando bem sem se importar com a aglomeração que tiravam fotos e gravavam. -Deixa eu te dar um conselho moça, comece a acreditar na verdade e não em boatos por aí.
- E a confirmação...
- Isso não prova nada, dá licença. -empurrou algumas pessoas que o fechavam e balancei o braço fazendo-o me notar finalmente. -SeuNome?!-veio em minha direção mas alguns vinham atrás, isso estava o irritando pela sua expressão. Eu o chamei para entrar no meu carro e assim o fez bem rápido para que não nos acompanhassem a tempo, fiz o mesmo um instante depois e saí queimando dali. Era bom deixar aqueles sanguessugas para trás mas por outro lado era ruim aquele silencio que me incomodava. No carro as coisas ficaram tensas demais, eu quase não aguentava os meus próprios pensamentos me condenando e implorando por algum som meu ou dele que quebrasse aquele clima.
- Po-por que...por que você fez aquilo Louis, respondeu eles?
- Eu não sei, acho que me deixei irritar demais dessa vez. -ouvi seu suspiro. -Desculpa, eu te chamei para me encontrar lá mas não sabia que o Hyde Park ia ficar cheio de paparazzi.
- Eu fui o mais rápido que eu pude...
- Eu sei, mas não foi o suficiente, porque eles chegaram antes de você. -afirmou firme e eu me calei por alguns segundos.
- Merda, a culpa é toda minha. -eu estava a ponto de desabar. Mas não estava pronta para isso. Eu precisava parar, não conseguia mais dirigir. Então assim fiz, logo que achei um ponto deserto em um lugar desconhecido a beira da estrada na qual havia também um longo gramado. Louis me olhou parecendo estressado e eu desci do carro indo para a frente dele e puxando o máximo de ar que conseguia para acalmar meus sentimentos. Fechei os olhos sentindo o vento e em segundos ouvi passos atrás de mim na pedra brita da beira da estrada.
- Por que nós paramos?-o olhei. -Me responde SeuNome.
- Tá na cara né, as coisas estão ruins. Eu simplesmente não consigo dirigir com você do lado como se nada tivesse acontecido. -ele olhou em volta sério.
- Ruim? A imprensa tem assunto para um mês, eles não precisam de mais nada porque eles tem tudo para me difamar, me xingar, fazer minhas fãs sentirem raiva e vergonha de mim.
- Olha Louis, eu...
- Você sabe como eles são, essa industria é louca, não dá pra confiar nessa gentinha de revista, eles constroem alguém para depois destruir, é isso que meu empresário sempre disse e que nós devíamos ter cuidado, eu e os meninos. Mas vai ficar tudo bem, porque é só um boato, não é mesmo?-me pediu com certa ironia, me testando.
- Você não acreditou na entrevista do Jonathan, não é?
- Jonathan? Ahm, temos um nome! -riu cheio de mágoa- Então você conhece ele.
- Infelizmente eu...
- Então é verdade. -me encarou, seus olhos procuraram o fundo dos meus. -Eu fiz de tudo para acreditar que era mentira o que estavam dizendo, acreditar em você era a minha primeira opção sempre, lembra? É o que eu disse quando te pedi em namoro.
- Mas era tudo mentira o que o Jonathan disse, ele e a Helena estavam juntos nessa, ele sabia o tempo todo.
- A Helena? Está culpando ela pelo seu erro? Você é patética. -a ironia era ácida em sua voz. -Quero ouvir você falar na minha cara que me traiu, que é verdade o que está circulando na boca deles.
- Você não sabe a verdade Louis! Eu fiz isso mas não era eu e...Eu não conheço aquela garota, fiz de tudo e eu juro, fiz de tudo para consertar as coisas.
- Não me diga! -me cortou com uma risada fria- Todo aquele teatrinho de boa moça pra mim, dizendo "Eu sou uma pessoa ruim " e eu tentando ajudar você igual um otário achando que estava passando por um momento difícil, eu não sabia que estava sendo tão burro assim e que você estava é tentando me passar uma mensagem. Doeu a consciência, não é?- ele fazia sombra na minha frente, senti lágrimas se formarem nos meus olhos e por mais que tentasse controlar, elas desceram sem controle. -Mas nunca mais você vai me enganar, SeuNome.
- Foram aquelas malditas velas merda, elas me mudaram antes que eu pudesse consertar. Você tem que acreditar em mim!
- Chega de mentiras!-alterou a voz- Quer saber? Pode ficar o seu amantezinho, usa ele até você enjoar como fez comigo, depois transforma ele em corno também e troca.
- Eu não queria mas...
- Não queria me trair? Tarde demais. -seus dedos limparam minhas lágrimas num gesto irônico. -Aposto que me traiu com seu outro amiguinho Mark também, não é?
- Você não pode dizer isso, por favor não fala essas coisas pra mim...
- Não dizer? Sinto muito mas você mesma se culpou. Eu só te chamei porque queria ouvir você dizer que era mentira. Mas não é, infelizmente.
- Eu sinto muito...
- Acredite, eu sinto mais. Porque eu te amava tanto...-se afastou com cuidado. -Você destruiu nossos planos e por mais que eu não me importe com os prejuízos do casamento, te perder não vai ser nada fácil. Você era a melhor coisa que já tinha me acontecido. -seus olhos denunciavam o iniciou do seu choro.
- Aonde você vai?!-quase gritei.
- A partir de agora não é mais da sua conta. -balançou a cabeça enquanto a brisa mal conseguia secar meu rosto. -Você me ensinou que algumas coisas nós devemos guardar só pra nós. E, sinto muito, mas não vou me ferrar nessa, não vou mesmo. 
- Que ótimo, estamos quites então.
- Totalmente.

O vi conseguir um táxi rapidamente em meio aquelas centenas de carros após andar algumas ruas para longe de mim, e eu simplesmente não conseguia sair do lugar. Meu peito doía como se eu tivesse levado um tiro ou uma facada, talvez os dois ao mesmo tempo. Só sabia que isso eu não desejava para ninguém, toda aquela angustia e nervosismo. Eu sentia que mal tive tempo de lhe dizer todas as coisas que queria, a sensação de odiar a si mesma e tudo a sua volta era revoltante. Entrei no meu carro após notar que dois paparazzi estavam se escondendo atrás das árvores, eu não queria ninguém me filmando chorando daquela forma. Mais notícia não seria justo para o Louis, e quanto a mim, eu não estava nem aí para a minha imagem.

[...]

                   Da janela ao lado da minha cadeira super confortável eu já podia ver as curvas brilhantes de Milão como veias, á milhares de pés de altura. Eu não acreditava que estava andando de primeira classe, cercada por travesseiros e champanhe a ainda sim meu coração continuava a doer e eu não conseguia ficar animada com a ideia de tudo aquilo. Só conseguia pensar no que Louis devia estar fazendo, e se ele estava pensando em mim. Não foi muito fácil deixar as coisas em Londres do jeito em que estavam mas por sorte consegui falar com a minha mãe novamente depois daquela briga, e como já esperava meu pai nem atendeu. De qualquer forma fiquei um pouco melhor de ouvir o "Boa sorte" dela, que provavelmente também já sabia da notícia de que sua filha era uma vadia, mas não tocou no assunto, ainda bem. Senti um nervosismo chato quando aterrissamos naquela noite maravilhosa, fui com rapidez atrás da minha mala única e recebi a ligação da Isabelle que prometeu vir me buscar no aeroporto. Procurei-a e logo a vi acenando animadamente pra mim, uma moça mais velha que eu que aparentava ter entre 26 e 30 anos muito bem vestida com roupas de marca e jóias.

- SeuNome!-deu um gritinho me puxando para um abraço. -Que bom te ver querida, quanto tempo!
- Oi Isabelle, nem me fala!-sorri tentando não decepcionar e não quebrar aquele clima de animação.
- Como você está? Fez boa viajem? O molho de camarão da primeira classe é...
- Perfetto!-completei na língua dela que riu. Eu tinha estudado um pouquinho de Italiano durante o vôo, claro que bem pouco. -Mas e o desfile, já planejaram?
- É claro, daqui a cinco horas.
- Essa noite?!-disse surpresa enquanto saíamos do aeroporto entrando no carro preto que nos esperava.
- Esattamente, quando mais?!-disse com sotaque bem forte. Eu simplesmente não fazia ideia que seria na mesma noite que eu chegasse. Passamos por hotéis, ruas lotadas de pessoas e milhares de luzes que enfeitavam a cidade nessa época bonita do ano, haviam parques e construções antigas lindas, realmente era um cenário que eu só tinha visto antes nos filmes e agora estava ali, a metros da minha janela. Qualquer um seria sortudo de estar pisando em uma cidade daquelas. Paramos em frente a um hotel de luxo enorme cheio de iluminações na entrada. -Bene, aqui estamos.
- Muito obrigada por me trazer, Isabelle.
- Sem problemas amiga. -o motorista tirava minha mala do carro. -Eu já deixei algumas das suas roupas para o desfile no seu quarto, é só chegar na recepção e pedir o de sempre com o Ryan. Mais tarde eu venho te buscar, vou te dar um toque no celular. -repassou os planos e eu assenti.
- Estou meio nervosa, eu nunca desfilei antes. -ela riu.
- Não vai ter problemas, a moda já está no seu sangue. Vai lá, e relaxa. -concordei e nos despedimos, peguei minha mala e entrei na recepção que "maravilhosa" era só apelido. Nem tive que esperar mais de um minuto até um garoto louro vir me atender.
- Senhorita SeuNome, seja bem vinda de volta. -sorriu. -Vou pegar a chave do quarto de sempre. -ri por ele ter dito quase as mesmas palavras que a Isabelle. Assim que peguei a chave, subi em busca do meu quarto, precisava sossegar a cabeça até as dez da noite.

               [...] Estava admirando a vista magnífica do meu quarto de hotel já vestida e maquiada, o que havia sido muito difícil, escolher uma daquelas roupas para me arrumar depois de um banho de hidromassagem que tomei na tentativa de relaxar meu corpo e mente mas não poderia dizer que tive sucesso. Liguei a radio e por coincidência estava tocando Vogue, uma das minhas músicas preferidas. Tentei desfilar na frente do espelho tentando treinar junto com a música e não achava que eu estava preparada para fazer aquilo na frente de tantas pessoas. Mas agora eu já estava ali e havia prometido á Isabelle que faria e não podia desistir, eu nem sequer era disso. Afinal, também não queria decepcionar mais ninguém. Não sabia quanto tempo já havia se passado mas tinha certeza que foram horas de preparação naquele quarto.
Ouvi o toque dela para descer e assim o fiz depois de dar uma última olhada no espelho e me certificar de que pelo menos podia fingir alguns sorrisos para as pessoas.

- Olha só! -disse um cara negro e com roupas chiques um tanto femininas enquanto eu me aproximava dele e de Isabelle na recepção do hotel. -Mio dio, está linda SeuApelido, mesmo. Acho que ensinei tudo a você, não é?-olhei para baixo rindo já que não lembrava do que ele poderia ter ensinado a "SeuNome adulta".
- Acho melhor nós irmos, não é? Atrasos é o que menos precisamos.
- Pode apostar il culo. -riu junto com Isabelle e eu fiz o mesmo sem saber o que significava "culo" mas com certeza não era agradável.

 Eu juro por deus que quase surtei quando saímos na porta do hotel. Eu acho que nem Isabelle tinha visto tantos fotógrafos assim em toda sua vida. É sério, devia ter pelo menos uns duzentos deles ali, era gente pra cacete, tinham também alguns policiais que tentavam manter o controle, e tudo que eu me perguntava era como eles foram tão bons para descobrirem onde eu fiquei hospedada? Era estranho ser uma fã e estar passando por isso. O barulho era insuportável, e os flashes estavam cegando meus olhos. Quando conseguimos entrar no carro eu agradeci a Deus por nada ter estragado a noite que esperaram tanto.
          Se comunicando em italiano, Isabelle e Giovanni entraram pelos fundos no local do desfile que aconteceria em cerca de meia hora seguidos por mim que estava meio deslumbrada olhando aquela decoração que ainda terminavam de arrumar assim como as cadeiras enfileiradas em volta do palco comprido igual como eu via na tv e nas revistas. Entramos na parte dos fundos onde ficavam os camarins onde já tinham dezenas de pessoas atarefadas experimentando roupas, se maquiando, andando de um lado para outro, entrando e saindo dos provadores, havia também uma falação geral que mal me permitia ouvir um cara que acabava de se aproximar e nos cumprimentar.

- O que você está fazendo aqui?-o cara perguntou com sotaque me olhando estranho. -Achei que nem viria depois...
- Dio santo, isso é jeito de falar com a nossa convidada?-Giovanni interrompeu o homem com nome de Henry preso na blusa.
- Não, deixa ele falar. -o encarei bem. -Achou que eu não viria depois do quê?
- Bom...-olhou para os lados agora meio sem graça, perdendo sua pose. -É que o mundo todo sabe da polêmica sobre você e seu noivo, talvez isso afete a vontade dos outros de verem você na platéia e.. -eu ri sarcástica, aquilo doía, simplesmente queimava dentro de mim.
- Que absurdo!-Isabelle disse surpresa. -Os críticos sempre adoraram a presença da SeuNome nos desfiles, assim como sempre até quiseram a opinião dela. E só pra você saber essa noite ela não vai ficar na platéia, ela vai desfilar.
- De-desfilar?-o cara gaguejou. -Mas temos um acordo, eu mando...
- Sim, na metade do desfile, e a outra metade é minha. -Isabelle sorriu convicta. -Então abre espaço por favor, nós temos que nos arrumar. -ele obedeceu sem hesitar mas estava na cara que queria falar mais coisas. Eu não fazia ideia de que o desfile era só metade da Isabelle.
- Não liga para esse stronzo SeuNome, você vai se sair muito bem. -Giovanni sorriu e Isabelle me desejou sorte e disse que nós nos veríamos depois, antes de sumir no meio daquela gente.

Uma garota me fez trocar de roupa e me explicou exatamente como seria, então me mandaram esperar. A minha consciência continuava me matando sendo que eu devia estar aproveitando o máximo estar ali. Me sentei no chão escorada na parede e esperei até que as outras estivessem prontas, mal notei que uma lágrima filha da mãe desceu dos meus olhos mas a sequei rapidamente e ergui a cabeça vendo Giovanni e a equipe chegarem e ele me puxou pela mão e me deu um abraço de lado perguntando se estava tudo bem. Eu sinalizei com a cabeça que "sim", o show não podia parar, e lá íamos nós. Já dava para ouvir a musiquinha que tocava lá fora, as garotas estavam enfileiradas na entrada do palco vestidas com roupas chiques da moda e eu me posicionei na frente delas já que seria a primeira a entrar. Respirei fundo e ouvi uma voz masculina anunciar a entrada, com isso senti uma batidinha do Giovanni no meu ombro, coloquei um pé na frente do outro e entrei junto com a música. Várias palmas altas começaram junto com flashes de pessoas que agora lotavam as cadeiras que vi mais cedo, eu sorri com aquela lembrança da voz do Louis na minha cabeça quando ele dizia "Quero ver um sorriso aí, daqueles bem grandes de explodir o rosto", isso me fez rir e achar forças para continuar a andar pela passarela enquanto rostos incontáveis sorriam, comentavam uns com os outros e assoviavam pra mim. Eles ainda gostavam de mim, me queriam ali. E não que isso importasse demais, mas era bom saber que nem todas as pessoas me condenavam pelos boatos da minha vida, e sim queriam estar ali naquela noite pelas roupas da Isabelle. Quando cheguei na ponta da passarela, girei meu vestido comprido sem parar de sorrir, não era tão difícil. Voltei na mesma velocidade, e as outras entraram enquanto eu troquei de roupa. Voltei a tempo do final quando segundo Giovanni eu entraria de novo. Fiquei vendo as modelos passarem com roupas maravilhosas, as vezes duas no palco ao mesmo tempo, Isabelle assistia tudo ao meu lado parecendo deslumbrada com seu próprio trabalho, eu sabia qual era aquele sentimento porque já tinha sentido a gratidão de ter feito algo grande e certo.
No final, as pessoas ficaram de pé para aplaudir a minha entrada com a última peça, sorri e fiz uma pose quando jurava que ia cair, porque na boa, eu ainda era uma adolescente tentando tirar dali alguma diversão e cá entre nós, eu tinha que admitir que quase esqueci por alguns minutos que meu coração estava partido. Estar em um palco era gratificante, de qualquer maneira que fosse e com isso eu entendi a real razão de Louis amar tanto seu trabalho. Olhar aquelas pessoas tão felizes ali era como se o sonho delas fosse o mesmo que o meu. No final acenei e vi Isabelle, Giovanni e Henry entraram pelo mesmo lado que as modelos, eles acenaram para o público e agradeceram.

        Eu havia descido da passarela a duas horas e ainda estávamos no local do desfile em uma pequena festa aparentemente, só que agora Isabelle e os donos da coleção davam entrevistas para os repórteres enquanto eu, depois de ter uma grande ideia, procurava um fotógrafo que não estivesse ocupado. Eu me informei bem rápido com a minha assistente e a edição da revista saía dali a três dias, o que significava que eu tinha tempo de salvar a revista.

- Ei, ei!-chamei um cara que abaixava a câmera colocando-a presa no ombro e se direcionava a porta. -Você!
- Oi moça...Pera aí, SeuNome Completo, né?-abriu um sorrisinho parando ali.
- Sim, sim. Eu preciso de uma coisa, você tirou fotos de toda a coleção?
- Claro, principalmente suas, isso deve valer uma boa grana, com todo respeito. -riu.
- Eu lhe ofereço o dobro!-disse rápido.
- Ahm, eu não sei não...-ele suspirou- O meu trabalho era vir aqui e registrar os momentos do desfile.
- E eu estou querendo muito comprar de você, o que acha?

O cara me encarou pensativo por um tempo, ele não podia negar uma proposta ótima daquelas, não devia ser sempre que aparecia assim do nada. Esperei que ele mordesse a isca e finalmente consegui. Acabei por comprar as imagens, e muito boas por sinal, tinha que dar certo. Fui me juntar a Isabelle que quis fazer um brinde ao sucesso da coleção, e eu não pude deixar de me sentir feliz por ela. Bom, eu não a decepcionei, e isso era ótimo. Alguns repórteres me parabenizaram pelo desfile e eu agradeci, mas dei um jeito de fugir quando começaram a tocar no assunto da traição e de Louis. Isabelle e Giovanni me agradeceram muito e fizeram questão de me chamarem para almoçar no outro dia com eles, antes de me levarem anoite ao aeroporto. Bom, era isso, no fim tudo saiu bem e melhor do que eu imaginava. Depois de dois dias ótimos em Milão, tive que voltar á Londres, onde provavelmente ainda estava acontecendo a grande tempestade de polêmicas.


Louis Tomlinson P.O.V's

barulho da tevê preenchia a sala iluminada em que eu estava, as janelas estavam abertas assim como as portas como se fosse tudo para que eu pudesse respirar melhor. Eu ainda não sabia definir o maldito tipo de sentimento que pairava dentro de mim mas acho que lá fora, na mente das pessoas, eles podiam ter uma ideia. Meus olhos estavam avermelhados de tanto chorar e a minha boca parecia voltar a ficar seca depois de uma hora que eu ficava sem beber novamente. Meus sentidos estavam aguçados e minha visão embaçada, mas ainda sim eu podia ver claramente o que acabava de começar a passar no canal em que eu estava naquele momento. Um desfile idiota de roupas nunca chamaria minha atenção a não ser que eu tivesse ouvido o nome dela, o que foi exatamente o que aconteceu. Era incrível como mexia comigo só de ouvir a palavra "SeuNome", e ali estava eu assistindo algumas imagens da noite retrasada, e logo a vi desfilando com um sorriso maravilhoso que só ela sabia dar enquanto os críticos falavam alguma coisa no fundo que eu mal podia ouvir. Aquilo doía demais, doía como se o meu coração fosse de vidro e os pedaços estilhaçados dele estivesse me cortando por dentro. Mas talvez o pior de tudo tivesse sido a confirmação dela na minha frente que me fez vir pra casa e não sair mais durante dias. Talvez por vergonha, por todos lá fora estarem falando de mim, mas principalmente porque se eu visse o rosto de alguém iria desmoronar de uma vez só.
A imprensa estava claramente se divertindo com tudo isso como esperado, depois de muito esperar, meu empresário conseguiu falar comigo ontem e disse que estava fazendo de tudo para minimizar os boatos, como eu sabia que ele faria. Eu não podia ficar tão sujo assim, sendo que ela era a culpada. E o que me deixava pior ainda era saber que no final do ano tinha a última turnê da One Direction e como eu faria para encarar todo mundo? Simplesmente não sabia. Os garotos? Eles tentaram falar comigo mas eu não quis atender para não enche-los com os meus desabafos. Aliás, eu era sempre o garoto retardado, só sorrisos e gritaria, então não queria estragar isso por mais que fosse o fim.
Isso, o fim.
Eu não sabia o que fazer sem ela.

- Por favor, garoto. -a Lucy, minha empregada de anos, disse se aproximando de mim. -Solta essa droga, eu sei que não quer beber isso.
- Eu quero sim, me deixa em paz.
- Vamos menino, eu tenho mais o que fazer.
- Então vá fazer e me deixa beber, que saco. -respondi carrancudo
- O seus amigos Harry e Liam passaram aqui mais cedo junto com o seu empresário querendo ver você, eles disseram para que eu não te deixasse se acabar nas bebidas.
- Não diga. -ri repleto de mágoa e ironia- Então da próxima vez que os senhores Debi e Lóide exigirem alguma coisa de você diga pra eles que quem paga o seu salário sou eu.
- Bom, eu só achei que eles estivesse certos.
- Tanto faz. -desviei meus olhos novamente para a tv dando pausa na parte da SeuNome. -Tá vendo isso? O sorriso da filha da puta? Ela está continuando a vida dela, está pouco se fodendo pra mim. Isso foi anteontem em Milão. -ri nervoso- Fico me perguntando quantos caras não ficaram babando de vê-la assim tão linda, acho até...
- Nossa menino, não quero ser maldosa nem nada, mas francamente acho que está delirando um pouco. -balancei rápido a cabeça.
- É, eu estou meio bêbado mas...
- Não, não, realmente. Se gosta tanto assim dessa moça, então por que deixou ela ir?-essa pergunta me deixou sem chão. -Eu não acompanho notícias de famosos mas sei como anda esse mundo atual e ele é insano. Durante todo esse tempo que trabalhei para o senhor e vi vocês dois juntos, a garota já provou muitas vezes que te ama, isso não é uma coisa que se esqueça, que se deixe pra lá dessa forma. Todo mundo comete erros, e aquela vez que você ficou bêbado e deu em cima das moças no bar?-eu gargalhei por ela lembrar disso, eu e a SeuNome ainda éramos só amigos.
- Tá defendendo ela né? Ham, vocês mulheres nem são unidas!-resmunguei- Acho que você devia dizer pra mim esquecer e algo como "você vai achar outra melhor". -ela me encarou.
- Sinceramente senhor, eu conheço a SeuNome. E eu estaria mentindo se te falasse isso, vocês são perfeitos um para o outro.
- Eu sei, eu sei!-disse rápido- Mas...-meu celular tocou, era o Sean.
- Atenda ele. -se afastou e eu atendi mais uma das tentativas do meu empresário.
- Louis? Louis, é você? Finalmente atendeu!-disparou.
- Olha, eu consegui fazer umas ligações e paguei algumas propinas para o TMZ e Heat para pararem de falar sobre o assunto da traição e tiraram a entrevista do Jonathan Millers do ar, deu certo. Não estou dizendo que as outras revistas não vão falar e nem na internet, mas essas eram as mais perigosas e eu consegui minimizar as polêmicas.
- As minhas fãs...-eu quase começava a chorar de novo só de pensar nelas.
- Não esquenta, você as conhece, elas vão ficar com você até o fim. -sorri e assenti como se ele pudesse ver.
- Obrigado cara, não sei o que eu faria sem você. Sei que dei mancada me preocupando mais com a SeuNome do que com a nossa agenda ultimamente mas...
- Que isso, nós damos um jeito em tudo como sempre fazemos, certo?-concordei. -Só por favor amiguinho, não fica sem atender o telefone que você deixa todo mundo maluco de preocupação.
- Ei eu não vou me matar nem nada. -ri fraco. -Mas estou mal, muito mal Sean. Eu amava ela...eu ainda a amo.
- Eu sei garoto. -deu uma pausa com um suspiro. -Olha, eu estive conversando sobre isso com o pessoal do marketing.
- E..?
- Bom, eles acham que seria melhor se você se casasse com a SeuNome.
- Como é que é?-levantei a voz surpreso. Meu coração parou por alguns segundos.
- Exatamente, os preparativos já estão todos prontos, a lista de convidados, a decoração, tudo! Não é pelos prejuízos mas sim pela imagem na mídia. Se você casar com ela daqui a dois dias como estava planejado vão achar que a polêmica não afetou vocês e nem a relação de vocês. É como se fosse um soco na cara dessas revistas que estavam esperando isso, um efeito contrário.
- Eu não sei, Sean. -suspirei- Eu ia continuar com essa imagem.
- Vai por mim Louis, é aí que você se engana. -ele falava em um tom sério. -Mas é claro, a decisão é toda sua. Tem que decidir o que é melhor pra você, se quer ficar com ela ou não. Se não quiser, nós damos um jeito também, continuamos a pagar propinas para as revistas e...
- Não, não. -admiti. -Eu quero muito me casar com ela, é o que eu mais quero.
- Tem mesmo certeza absoluta disso?
- É claro!-respondi de imediato.
- Então liga pra ela, se resolvam até sábado e vamos manter o casamento e pisar nesses caras. -ri.
- Você falando assim é engraçado.
- Eu fiz Louis palhaço Tomlinson rir, amiguinho? Bom, ótimo então. -meu empresário era o melhor. -Vou desligar, que bom que falei com você. Tenho outra ligação na linha. Até depois.

Desliguei e me levantei do sofá em um movimento rápido, deixando-o ali mesmo jogado entre as almofadas. Fui até a cozinha com um turbilhão de pensamentos em mente e ela fervia, minha mente, minha cabeça, meu corpo inteiro fervia desesperado por tomar a decisão certa. Eu não sabia ao certo o que cada pessoa lá fora daquela casa esperava de mim mas naquele momento, depois das palavras que eu ouvi nos últimos minutos de pessoas importantes pra mim eu só queria que se fodesse.
Eu nunca amaria alguém como eu amava SeuNome.
Porque eu a amava com toda a minha alma.

- Sabe, tem razão em tudo que disse. -abri a geladeira procurando por alguma bebida gelada e que não me matasse aos poucos. -Tudo mesmo, eu fui idiota. Eu só...quer dizer, eu não sei, é claro que qualquer cara perderia a cabeça mas eu não vou deixar isso acabar comigo. Isso não muda a imagem de burro em que eu estou mas quer saber? Eu sou mesmo, mas não consigo ficar sem ela.
- Isso senhor Tomlinson. -Lucy sorriu enquanto revisava as panelas no fogão. -Vá atrás dela, mas esclareça que nunca mais ela deve cometer esse erro.
- Obrigado por tudo.
Ela assentiu parecendo orgulhosa ou algo assim.
- Quer saber Dona Lucy, a senhora é uma coroa legal. -sorri para ela com os olhos vermelhos e chorando, devia estar parecendo um psicopata.
- Eu sei garoto, eu sei.

Tomei um copo de água gelada que desceu me esfriando completamente por dentro e me fazendo ficar incrivelmente mais acordado. Voltei para o sofá e segurei firme o celular entre os meus dedos, pronto para discar o número dela sem mais dúvida nenhuma. Só faltava apertar o botão, e agora? Onde estava a coragem? Meus dedos iam e voltavam enquanto eu travava um briga mental comigo mesmo para tomar a decisão de finalmente chamar.

- Louis?-sua voz era como música para os meus ouvidos mas ela estava confusa.
- SeuNome! -ficamos em silencio por um bom tempo, era tenso. Ninguém tinha coragem de falar primeiro. -Eu...-meu corpo parecia um oceano prestes a transbordar. -Eu te vi na tevê. Você estava ahm...maravilhosa em Milão.
- Se quer saber...-ouvi seu suspiro- Eu estava pensando em você para conseguir sorrir lá.
- Ham...-tentei segurar aqueles sentimentos para conseguir dizer as próximas palavras. -Tanta coisa aconteceu eu sinto que eu tomei uma decisão muito errada quando eu estava de cabeça quente porque você me deixou muito puto mesmo. Cacete, eu queria matar você mas agora eu vejo que não dá, simplesmente eu não consigo fazer isso, essa coisa horrível de ficar longe de você, eu não posso...-disparei.
- Louis, se acalma!-eu respirei fundo mas aquela coisa ruim não parava. -Olha, já tem milhares de pessoas lá fora me dizendo o quanto eu sou ruim e o quanto eu sou vagabunda e outras coisas que no fundo eu NÃO sou, então eu não preciso de você me ligando para ser uma dessas pessoas, justo você que é aquele que eu mais amo...
- Não SeuNome, não foi pra isso que eu te liguei. -tomei fôlego.
- Então me explica logo essa merda, o que tá acontecendo?!
- Eu quero me casar com você, é isso que tá acontecendo porra.
- Escuta, por favor! Me escuta dessa vez Louis Tomlinson, eu fiz algumas coisas de que eu não tenho orgulho mas eu não era "eu", tem a ver com magia, e feitiços de aniversário, e você precisa acreditar em mim!-murmurou firme.
- Você falando assim parece até piada.
- Eu sei, eu mesma não acreditaria então, esquece, não posso esperar isso de você. Eu sinto muito...
- Não desliga! -implorei- Eu não posso...eu nunca mais vou deixar você ir.
- Não estou entendendo. Nós terminamos, não é? Você deixou bem claro que nós não nascemos pra ficar juntos, que não ia mais ter casamento e eu estava certa naquela noite quando eu te disse que eu não era boa o bastante pra você.
- É isso que estou dizendo SeuNome, você É boa o bastante pra mim. -falei convicto. -Por favor se casa comigo no domingo?
- MAS LOUIS EU NÃO TE MEREÇO!-sua voz mesmo alta era trêmula, como se ela estivesse a beira do choro. -Eu fui uma maldita vagabunda e nem sabia disso!-continuei sem entender o que ela queria dizer, mas era como se em sua voz houvesse chamas, muitas chamas e dor.
- Eu não me importo porque eu sei que a gente é mais forte que isso, é isso que essas pessoas querem, nos separar agora que estamos tão perto. Eu fui idiota de não ver isso. Eu sei que você me ama, então se você ainda sente por mim o mesmo que dizia sentir na noite em que transamos pela primeira vez, que nos beijamos, ou na noite em que te pedi em namoro, então não vai deixar que eles vençam agora.
- Tem razão, eu não sinto.
É, ouvir isso foi como uma facada. "Toma trouxa, foi ligar para ela!", gritava minha consciência, "Você é tão burro, mereceu essa. Pronto, ela não sente mais, está aí a confirmação."
- Na verdade, eu te amo muito mais do que isso. O que eu sinto agora é cada vez mais forte, e se você pode perdoar algo assim, então eu...Louis, eu...eu amo você mais do que qualquer coisa. -nós dois estávamos chorando igual duas crianças retardadas, mas eu nunca havia ouvido sua voz com tanta intensidade, raiva e amor ao mesmo tempo.
- Meu amor...eu sei que nós temos salvação, eu sei. -eu quase não podia ver nada com tantas lágrimas mas ainda podia ouvi-la. -Domingo vai chegar e eu vou te ver vestida de noiva, eu vou estar te esperando da maneira como a gente sempre planejou.
- Eu vou ser a de branco. -ela riu em meio ao choro.
- E eu vou ser o mais lindo e idiota dos meninos no altar. -a fiz rir outra vez e acabei por fazer o mesmo.


SeuNome P.O.V's

Naquela hora eu juro que tive que juntar forças que eu nem sabia que podia ter para desligar o telefone e não foi fácil ouvir tudo dele, daquela forma tão desesperada e voltarmos assim na ultima hora com os planos. Mais tarde, eu recebi as fotos reveladas daquele fotógrafo de Milão e as coloquei junto com uma carta em uma envelope para ninguém mais, ninguém menos que Bill. Consegui encontrar minha assistente e entregar a ela para que desse ao Bill o mais rápido possível e como sempre, ela não falhou. Então eu fui para a casa que em muito breve seria minha e do Louis, ou melhor, um lar futuramente feliz para a nova geração da família Tomlinson, e só de pensar nisso eu sentia um grande frio na barriga, aí vinham na minha imaginação os futuros filhos que poderíamos ter, assim como ele me dando um beijo antes de seu futuro emprego comum depois que a banda acabasse, o nosso cachorro e outras coisas idiotas que as mulheres sonham em conquistar ao construírem uma família com o cara que elas amam. E aí que eu percebi que talvez nunca tinha sido tão iludida em toda minha vida, eu queria muito me casar, mas depois de tudo? Daria mesmo certo? Eu tinha me deixado levar pelo que Louis disse no telefone, sobre o amor vencer tudo de errado, todo o veneno e os erros da nossa vida mas ali sozinha no quintal esburacado da nossa futura casa, eu não sabia mais.
       Havia apenas uma máquina escavadeira na parte de trás da casa, as outras tinham sido retiradas enquanto eu estava fora de Londres e os trabalhadores agora estavam de folga. Eu sabia o que eles pensavam, que eu estava louca, e que a caixa de velas que eu procurava nem existia mais se é que já existiu algum dia. Eu tinha uma garrafa de tequila forte nas mãos, e estava tomando no gargalo mesmo enquanto admirava a rua. Haviam boas casas, ótimos vizinhos ali assim como era a oito anos atrás, nós teríamos uma vida tranquila se ficássemos ali. Depois de mais um gole, meus olhos desceram para os buracos enormes abertos pelo quintal, a grama estava espatifada para todos os lados de modo que desse só para ver terra em certos pontos, não era possível que até agora não tivesse encontrado nada. Eu entrei em uma das covas, sentei ali e fiquei olhando o céu até o fim de tarde, até que a garrafa que eu virava chegou ao fim e a joguei longe. Ouvi um tilintar na beira da cova e isso me fez entrar em alerta. A garrafa tinha batido em algo. Me arrastei até ali até ver uma pequena coisa com ponta e levemente rosado enterrado na terra. A juntei com cuidado e ali estava, apenas com uma ponta do cabo quebrada mas parecia brilhar para mim, estava ótima. Uma vela. Eu estive procurando o tempo inteiro por uma caixa quando na verdade tudo que eu precisava era uma única vela, segundo a mulher misteriosa, para reverter o feitiço. Era como se ninguém pudesse tê-la encontrado, somente eu, e esse pensamento me assustava em partes.
Eu a guardei com muito cuidado no bolso do casaco comprido que usava, e meio tonta por causa da bebida, saí de dentro da cova para voltar para casa. 

[...]

Ouvi alguns barulhos a minha volta que fizeram-me despertar. Me debati assustada sentindo-me quente, meus cabelos grudavam no meu pescoço e testa por conta do suor.
- Ah, que susto!-berrei. Era Jenny, minha assistente que veio ontem anoite na minha casa para me ajudar a me preparar e acabou dormindo ali. -Jenny?! Não me sacode assim, criatura. -disse me sentindo febril. 
- Droga, você me assustou. Acho que você estava tendo um pesadelo daqueles...-fez careta. Ela estava sentada a beira da minha cama e havia alguma animação crescendo em seus olhos. - Há! Eu quase ia me esquecendo. O pessoal que vai cuidar da sua beleza, SeuNome e da minha claro -riu meio convencida-, chegou. Estão lá no quarto ao lado esperando a gente. -disse ela dando pulinhos de alegria. 

Minha expressão mudou, minha pele se arrepiou, engoli em seco ao ouvir aquilo. E, de repente, tudo que eu desejava nos últimos anos veio como uma grande porrada na minha cabeça. Eu vou me casar hoje. O dia finalmente tinha chegado ou eu poderia dizer, com toda a certeza, eu não estava certa sobre aquilo.

- Nossa SeuNome, você está bem? Tá tão pálida... -Lisa me analisou.
- Eu to bem. Só tinha esquecido que era hoje. - murmurei.
- Como você pôde esquecer isso? -Jenny me perguntou horrorizada.
- Esquecendo? 
- Eu não esqueceria nunca o dia do meu casamento. -disse me criticando.
- Talvez porque você se casaria naturalmente, porque o cara realmente te ama? E não como no meu caso. Um feit... -deixei a frase morrer, merda, sempre me esqueço que ninguém sabe e nem acredita.
- Do que está falando?- murmurou envergonhada. - Desculpa?
- Nada, nada mesmo. Eu só estou estressada por causa do casamento. -sorri. Ela tinha me ajudado tanto até agora, uma grande amiga. A abracei e agradeci por estar ali, e ela retribuiu.
- Agora vamos para as nossas horas de tortura! Afinal, para ficar linda, cansa. -disse e com isso me levantei sentindo minhas pernas bambas. Antes que pudesse sair do quarto, sua mão segurou o meu braço. -Só mais uma coisa. O Bill recebeu as suas fotos, ele escreveu algo em resposta, me entregou e pediu que eu te desse. Está ali. -apontou para a mesa na qual eu rapidamente procurei ansiosa, achando um pedaço de papel dobrado ao meio e com uma capa de revista dobrava. 


" Olá SeuNome, eu sei que é o seu grande dia hoje então não liguei como gostaria para não atrapalhar. Decidi escrever meus agradecimentos por extenso e pedi que a Jenny lhe entregasse, então aqui vão eles rapidamente: Acho que naquele dia que demiti você acabei sendo meio duro mas sinceramente, eu estava certo, a sua parte na edição era a mais importante e falhou. No entanto, dois dias antes que a revista fracassasse, a sua carta com fotografias de Milão e ideias novas chegaram para a minha surpresa e elas foram perfeitas, realmente perfeitas. Tivemos que mudar algumas coisas para encaixar, mas garota, essas fotos e ideias novas foram a salvação da revista, da edição e de muitos empregos por aqui. Então eu gostaria de lhe agradecer do fundo do coração por ter pensado nessas pessoas mesmo depois de ser demitida, se eu fosse você, eu me orgulharia de mim mesmo. Então, obrigado. Espero poder te agradecer pessoalmente quando tiver tempo. Junto com essa carta estou te enviando um exemplar da capa da revista que você ajudou a salvar com uma foto sua no desfile, que em minha opinião foi digna de capa. Também estou lhe oferecendo, caso queira, seu emprego de volta. Quando voltar de lua-de-mel para sua nova vida de casada, também estará esperando por você seu emprego aqui, garantido. 
Francamente, Bill. "

- Uau!-foi tudo que consegui dizer após ler em voz alta. Até Jenny estava de boca aberta. 
- Meu Deus SeuNome, parabéns!-sorria- Você conseguiu!
- É!-ri- Eu consegui, não acredito!-ela me abraçou rapidamente lendo algumas linhas da carta na minha mão
- Acho melhor ligar para ele.
- Mas e a equipe?-me direcionei a porta do quarto.
- Eles podem esperar mais um pouco. 

Fui até a cozinha e peguei o meu casaco que estava descansado sobre a mesa, depois passei pela porta do quarto de hóspedes e vi de relance um batalhão; tinha depiladores, cabeleireiros e maquiadores pelas coisas que arrumavam por ali. Uma mulher me chamou me fazendo parar e ir até lá, agora eu não tinha como fugir. Sentei em uma cadeira e a Jenny chegou fazendo o mesmo. Não demorou muito e senti que um já mexia em meu cabelo, outro pegava as unhas da mão e outra começava a depilação. Que Deus me ajudasse a aguentar a tortura sem gritar. Fechei os olhos e comecei a pensar como esses meses voaram desde o dia que eu era apenas uma adolescente.

- Para tudo!-pedi rápido e alto e eles pararam. -Gente eu agradeço muito, mas eu tenho que dar um telefonema, ok? Ok. -me levantei e ninguém impediu. 
- Mas a hora está apertada, falta pouco tempo, pouquíssimo!-uma das moças falou.
- Eu sei, só me deem um minuto. -saí dali quase que voando segurando meu casaco, entrei no banheiro e me tranquei ali. Respirei fundo fingindo que não havia relógio, hora e nada que me estressasse. Liguei para o Bill e disse que recebi a carta, agradeci por tudo e recusei o emprego de volta. Não era birra, nada disso. Mas eu não podia. Tudo que eu queria era salvar os empregos das pessoas que trabalhavam na revista, salvar a edição e eu consegui, então por isso já me sentia vitoriosa. Ele entendeu, disse que tudo bem, mas se eu precisasse ou mudasse de ideia, o lugar era meu. Lembrei daquele sentimento transparecendo nos olhos de Isabelle, e era o que eu via nos meus agora ao encarar o espelho. Era gratificante, e muito bom fazer alguma coisa boa, para variar. 
Então era a vez de Louis, eu já sabia o que tinha em mente e isso fazia minha emoções virem a tona, todas juntas e misturadas de uma vez na minha mente, mas eu não ia deixar que isso me confundisse. Não depois de tudo. Eu tinha que continuar no caminho certo, e terminar logo isso. Mas antes precisava ouvir a voz dele pela última vez, ouvi-lo falar só comigo em vez de ser uma fã na multidão, ouvi-lo me chamar de "amor" uma última vez. Disquei o número, sem medo, e ele atendeu na terceira chamada. 
- Amor, o que você está fazendo?!-sua voz era de surpresa. Uma surpresa boa. 
- Eu...a equipe está me arrumando, você sabe, idiota, coisas de mulher. -menti e ele riu.
- É claro, eu sei sim. -ouvi seu suspiro apaixonado- Mal posso esperar para te ver entrando por essa porta, toda maravilhosa e vestida de noiva. Aí...
- Eu vou ser sua pra sempre. -puxei o nariz.
- SeuNome, você tá chorando?-sua risada agora era mais doce- Mas você nem chegou na igreja ainda. 
- Eu sei. -limpei o rosto. -Me desculpa por tudo, por estragar a sua vida, eu vou consertar. 
- Não diz isso lindinha, a gente vai superar tudo juntos. -eu podia ouvir a marcha nupcial tocar no fundo. -Eles estavam ensaiando aqui, esses idiotas, o Liam estava fazendo você até poucos minutos atrás. -eu ri pelo nariz tentando guardar aquela voz que era a minha preferida no mundo na memória. Fiquei imaginando como Louis devia estar perfeito vestindo o terno impecável, a frente daquele cenário esperando por mim. Esperando pela nossa futura vida. Os garotos ali treinando e o Liam com um véu na cabeça fingindo ser eu cheio de zoeira. -Amor, você ainda está aí?
- Eu...eu estou. 
- Vou ter que desligar, os convidados estão chegando aos montes. 
- Tudo bem, eu...
- Ei! Sabe aquela história louca que você falou?-disse rapidamente, eu assenti. -Nunca vi um amor tão forte quanto o nosso e já que nós dois somos loucos mesmo...só podia ser algo como destino ou feitiço. -ria e eu imaginava seu sorriso brincalhão. -Ei, eu acredito em você.
- Louis, eu te amo.
- Eu também te amo querida, você é tudo pra mim. 

O telefone ficou mudo mas eu não iria desabar. Não podia. Enfiei a mão dentro do casaco e peguei a vela, junto com um esqueiro que comprei na volta para casa. No mesmo instante comecei a ouvir batidas irritantes e seguidas na porta me pedindo para sair imediatamente, então acendi a ponta da vela no mesmo segundo. Tentei me concentrar ali e somente ali, em seguida fechando os olhos e suspirando.


"Eu desejo que tudo volte a ser exatamente como era."

Continua...
Amores, no último gif era para ser só uma vela mas não tinha um assim e eu queria muito colocar, então imaginem ali só uma vela. 
O último capítulo é mais como se fosse um epílogo ok? Só para mostrar como a vida dela ficou e BÔNUS uma surpresinha que eu resolvi colocar para mexer com os feels de vocês. 

5 comentários:

  1. Ai meu core, gente! :c Até chorei lendo esse capítulo.

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  2. Cara, eu preciso muito da continuação. Por favor, poste logo essa perfeição!

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