Longfic - / Believe in Me (Parte 8)

| | |
Capítulo 08 - De volta ao tempo

Louis Tomlinson P.O.V's

Senti ela puxar com cuidado meus cabelos trazendo meu rosto mais para perto do seu e toquei nossos lábios com calma sentindo o choque, eu queria me sentir como se tivesse todo o tempo do mundo para ficar com ela. Mantive minhas mãos firmes em sua cintura, nós estávamos nos beijando a tanto tempo, eu tinha medo que ela cansasse de mim. Eu tinha medo de tudo relacionado a ela ultimamente. Toda a fama as vezes pode cegar por mais acostumado com ela que você esteja e olha que já fazem anos de banda, ainda mais agora as coisas estavam agitadas demais com a notícia da última turnê e o casamento eu que insisti tanto para marcar o mais rápido possível por querer ela só pra mim de uma vez. As vezes sentia que essa industria ia acabar comigo, eu muitas vezes me encontrava inerte só de acordar e ter que lidar com isso. Quando eu via as coisas ficarem mal, eu dizia uma piada, levava as coisas na brincadeira pra esquecer um pouco. Mas aquela garota...eu não sabia o que fazer só de pensar em perder ela, acho que nunca senti algo tão forte por alguém e olha que eu odeio esses clichês. Existia realmente um sentimento maluco e sem nome, porque eu sentia que faria e diria qualquer coisa por ela.
Como se estivesse enfeitiçado.
Ou algo assim.
Era um tipo de amor que nunca sequer sonhei em sentir por alguém mas isso não explica nem metade. Enquanto ela rebolava no meu colo entre os beijos eu comecei a sentir uma leve culpa por ter deixado de fazer ir a tantos compromissos por causa dela, nos últimos dias tudo que eu fiz e -porque fui obrigado- foi ir a aquela coletiva de imprensa mais cedo porque não conseguia ter a cabeça em outra coisa que não fosse a SeuNome. Mas sabia fingir muito bem pra ela que tudo estava bem. Eu nem lembrava a ultima coisa que tinha feito por mim, esses dias até esqueci de abastecer o carro. O pessoal da banda brigava comigo, os assistentes, o empresário me cobravam coisas que eu não estava fazendo e deveria, eu cancelei tantos shows para ir vê-la e começaram a dizer que eu estava acabando com a banda antes mesmo dela acabar. Eu não sentia a mínima necessidade de fazer nada que não tivesse a palavra "SeuNome" envolvida. Só sabia que não me importava nem um pouco com isso tudo, a não ser, com a minha garota.

O celular tocava irritantemente em algum lugar da minha calça quando ela me soltou.

- Não para. -murmurei.
- Atende de uma vez. -enfiei as mãos no bolso o achando e jogando no outro sofá. Mas o barulho não parou. -Louis, atende logo! Pode ser importante.
- E daí?
- Como assim, e daí? Nós temos responsabilidades. -bufei e me levantei indo buscar e desligar o celular. Não estava muito afim de falar com ninguém naquela hora. -Ei!
- Era minha mãe.
- Será que está tudo bem?-seus olhos mostravam preocupação. -Nós ficamos sem atender os telefones por mais de cinco horas. Se ela está ligando tanto assim...
- Tanto faz, não quero falar com a minha família.
- O que foi que te deu?-pediu estranhando e eu comecei a rir.
- Para de levar tudo a sério desse jeito!
- Esqueceu que foi você quem marcou o casamento para daqui a menos de duas semanas? A gente tem muita coisa pra fazer em tão pouco tempo. Ainda mais com a fama, as pessoas perguntando, os eventos, as entrevistas, todo mundo quer saber um pouco.
- Desculpa ser tudo tão cansativo pra você, amor. -sentei ao lado dela que pegava um tablet da mesa ao seu lado.
- Tudo bem, eu meio que...me acostumei. -disse fazendo uma careta fofa.
- Vamos ver um filme?-coloquei um dos braços atrás dela enquanto esticava as pernas. -Eu peço pra alguém trazer comida aí a gente janta juntos.
- É que...eu vou atrás de uma madrinha. Vou encontrar com a minha assistente, a gente combinou de fazer um lanche. -a encarei.
- Tá me tirando dos seus planos?
- Meu Deus!-balançou a cabeça. -Sério, o que foi que te deu? -eu simplesmente não conseguia mais fingir que tudo estava bem e encobrir com algo engraçado, aquilo era muito estranho. Um barulho de telefone começou, mas não podia ser meu celular porque estava desligado, eu e SeuNome nos olhamos com esse mesmo pensamento, confusos. O barulho vinha do telefone ali da sala. Ela pedia que eu atendesse com o olhar.
- Não.
- Sim! Anda!
- Vai se foder, gata. -ri.
- Nossa, que falta de educação.
- Vai se foder por favor?-sorri irônico e lhe roubei um beijo. - Tá, eu atendo pra você. -me levantei e fui até lá de má vontade, tirando o aparelho do gancho. -Alô?
- Louis, é você?
- Sim, Sean?-ouvi seu suspiro de alivio. O empresário da banda. Ah não. -O que tá fazendo, ligando para a casa da SeuNome?
- Exatamente, você não atende os seus celulares. Eu já sabia que aí era o único lugar que podia estar. Sabia que você já devia estar a caminho da Ellen? Todos os garotos já chegaram e atrasamos a entrevista por sua causa!-alterou a voz. -O que está acontecendo com você, está se drogando? Por que anda fazendo pouco caso para o seu trabalho? Nem a sua família você atende mais por causa dessa garota.
- Cacete Sean, eu não estou afim. -ouvi sua risadinha.
- Não tá afim? Você acha que isso é brincadeira? Eu assinei um contrato, você tem que estar aqui!
- Louis?-ouvi a voz da SeuNome no fundo.
- Tchau Sean, hoje não dá. -disse rápido- A SeuApelido está me chamando.
- O QUÊ?! Vem logo até aqui, você tem dez minut...-desliguei colocando o telefone no lugar e bufando por ter que aguentar isso. Dei a volta na sala em direção ao sofá já me preparando para as perguntas dela.
- Quem era?
- Meu empresário, mas nada demais. -sua cara estava fechada. Virou a tela do tablet pra mim sem deixar de me encarar. -Você faltou ás últimas três premiações?!
- Ah não! Você também não...-joguei a cabeça para trás.
- Está em todos os sites de fofoca Louis, os garotos tiveram que receber os prêmios e se apresentarem sem você! -seu olhar era decepcionada. Droga, eu não queria deixa-la assim. Ela não. -Onde você estava?
- Organizando coisas pra você...pra nós. Nosso casamento. Eles tem que entender.
- Mas e as suas fãs?
- Amor, elas vão entender que eu estou feliz como sempre fizeram desde o começo do nosso relacionamento. -sorri. -Temos que pensar na gente, eu sei que você me ama e agora você é o centro de tudo pra mim. -ela se levantou balançando a cabela negativamente.
- Antes de você ficar obcecado.
- Como é que é? Isso não tem nada a ver!-ela pareceu se dar conta de algo.
- Droga! Tem sim, Louis. -eu me aproximei dela para pegar em sua mão mas a vi recuar. Recuar? Estava com medo de mim? -Eu preciso de um tempo.
- Tá brincando né? Falta poucas semanas para nos casarmos!
- Eu sei que o seu empresário te chamou para alguma coisa e você recusou, deu para ouvir um pouco da conversa, vai, pelo amor de Deus.
- SeuNome!
- LOUIS!-de seus olhos começaram a brotar lágrimas. Eu não queria que chegasse a esse ponto mas não conseguia me controlar. Parecia que outra pessoa fazia isso. -Me deixa sozinha.
- VOCÊ NÃO PODE ME REJEITAR SEUNOME! DEPOIS DE TUDO QUE NÓS FIZEMOS! QUE EU FIZ POR VOCÊ!-respirei fundo. -Você sofreu tanto pra me conhecer e agora...
- Acho melhor a gente não se ver até a minha viagem para Milão.
- Como assim Milão? Você vai me deixar?
- PARA CARALHO!
- Ei não chora, amor. -tentei me aproximar mas ela não deixou. -Eu te amo, por favor para!
- Eu vou daqui a uma semana para um desfile e depois nós vemos o que vamos fazer. -seus olhos já mais vermelhos subiram até encontrar meu rosto. Como assim viajar na semana do nosso casamento? Que loucura. -Por favor...
- Tudo bem. -murmurei. -Eu faço o que você quiser.
- Não faça, por favor! -vi seu rosto molhado e sua expressão pensativa enquanto ia pegar meu casaco para sair.
- Me liga se precisar. -saí e ela fechou a porta. Eu estava nervoso, confuso, com vontade de socar alguém por ter feito a situação chegar a isso. Estávamos tão bem e do nada ela fica nervosa como se lembrasse de algo que não quer me contar e pede um tempo. Um tempo! Só conseguia me perguntar o porquê desse sentimento doente que não desejava para ninguém, de só querer estar com ela e ela pra mim. Mas também, havia um grande pressentimento ruim em tudo isso. Essa garota tinha me pegado de jeito, ela tinha me envenenado completamente por ela e eu não sabia como.


SeuNome P.O.V's

Quando Louis saiu, eu rapidamente me encostei em alguma parte do sofá sentindo um aperto no peito, uma falta de ar e um certo desespero sem tamanho. Isso fazia sentido, infelizmente. Alguns dos problemas aparecem de cara, mas outros demoram o bastante para poder te deixar um alvo perfeito e então destruir. As lágrimas deixavam meus olhos salgando a extensão do meu rosto, eu não conseguia parar. Começar a notá-lo agindo assim foi mais que uma surpresa. O feitiço, ele estava enfeitiçado. Isso tinha que parar, não dava mais para fingir que tudo estava bem, que essas mudanças não incomodavam. Eu até podia aguentar as coisas ruins que fizeram com a minha vida mas agora estava afetando a do Louis. A família e os fãs deles. Eu mexi com o futuro e criei o meu próprio, devastador. Muito devastador. E o pior era ser a única a perceber o motivo.
Não sabia por onde começar. Se algum barulho de celular ou telefone começasse, acho que piraria de vez. No fundo sabia com toda certeza, que aquela vida não era pra mim. De estar sempre a disposição, de parecer bonita e simpática 24 horas e por mais que sempre tivesse achado essa vida desejável, agora que provei dela sabia que estava mais para um inferno.
Eu amava Louis, mas tinha que concertar as coisas. Porque aquele amor que nós estávamos vivendo, aquela paixão que ele sentia por mim era uma ilusão, ele estava literalmente enfeitiçado.
Talvez no fundo essa fosse a razão mais forte pela qual eu chorava.
Porque quando ele fazia uma piada ou me beijava seus olhos tinham um brilho mágico. Um brilho enfeitiçado que o fazia ficar cada vez mais perdido por mim. Aquele amor não era real.
                Eu estava tão nervosa que estava vendo tudo vermelho, apertei um objeto na estante e apertei os olhos tentando fazer a dor e a tontura irem embora mas tudo que consegui foi conseguir dar alguns passos até a escadaria. Deixei um recado para minha assistente, dizendo que passei mal e não ia mais encontrá-la para jantar. Não ia pedir comida, simplesmente não tinha mais fome alguma. Queria conseguir organizar meus pensamentos para resolver, mas como? Só queria achar uma solução para a besteira que fiz e talvez não tivesse volta. Esse era o pior.
Peguei dois travesseiros na escuridão que estava meu quarto e desci para ficar na sala, coloquei-os no sofá e deitei lá. Não sabia o porquê mas me sentia mais protegida lá, talvez fosse como as minhas manias loucas.
         Vi a noite chegar pela janela em meio a milhares de pensamentos, logo a única fonte de luz era a da lua. Quieta em meio ao silencio em que estava logo fiquei perdida na necessidade de achar a solução para aquilo, tentando lembrar como foi que começou, e com isso veio também as lembranças ao lado de Louis. Não eram as mais certinhas, e não eramos perfeitos 24 horas, nem eram tantas assim como eu gostaria, mas eram únicas. Eram nossas. E nenhum fã sabia. Nem ninguém. Isso era como uma facada que entrava lentamente no meu peito, eu não queria me afogar nos meus desejos, só queria que se tornassem realidade. E fui longe, longe demais.
  O som da campainha começa e eu ignoro com a cabeça no estofado. Toca novamente, e novamente. Se pedissem minha opinião eu diria beirava as de oito da noite, talvez eu estivesse ali por mais horas do que imaginava.

- SeuNome, eu sei que está aí. Atende a porta. -ouvi a voz fraca perto da janela. Droga, logo agora que não estava afim de falar com ninguém. Me levanto e vou até lá sentindo uma pequena pressão na cabeça por ter ficado tanto tempo deitada.
- Oi, Mark.
- Oi. -forcei um sorriso. -A hora é ruim né? O que houve com você?-disse olhando meu rosto visivelmente inchado.
- Nada demais, sério. O que foi?
- Antes eu acho que fui imbecil com você mas estava chateado, entende não é? -assenti. -Eu trouxe o chocolate e tal porque te perdoei mas isso não quer dizer que eu ainda não esteja chateado, são muitas lembranças ruins. Dá pra ver que você mudou. -deu de ombros- Eu só queria passar para dizer isso, estava indo para a casa da minha namorada levar uma pizza.
- Mark, você tem namorada?-sorri. -Isso é maravilhoso.
- É, eu sei. Ela é ótima, você talvez devesse conhece-la. -consenti.
- Eu ia adorar, mas agora não é um bom momento...-bati a cabeça de leve na porta e fiz um sinal para que ele entrasse, e assim o fez.
- Sua casa é linda. -fechei a porta. -Você mesma que escolheu esses móveis?
- Parece que sim. -fui até o sofá procurando me ajeitar ali com a cabeça encostada nos travesseiros. Mark se sentou no sofá do lado, de frente pra mim.
- Por que você disse que não é um bom momento? Achei que o casamento fosse o melhor momento para as mulheres.
- É que...-disse com a garganta seca. -Lembra que falei que a minha vida não era perfeita como muitos pensam?-ele assentiu. -Ultimamente está se transformando em um inferno.
- Por causa da fama? Pelo que eu sei você sempre lidou bem com isso.
- Por favor, não acredite em nada desses sites de fofoca. É tudo mentira, ainda mais aqueles boatos que eu já engravidei umas treze vezes desde que conheci o Louis. -ele riu.
- Já era para ter colocado a criança pra fora. Não se preocupa, parei de ler esses sites quando disseram que o Michael Jackson ainda estava vivo. -forcei um sorriso, nada conseguia me fazer rir naquele momento.
- Eu amo o Louis. -proferi com um suspiro.
- Eu sei. -continuou mexendo as mãos. -E vocês vão casar, tudo vai ficar ótimo. Então qual o problema?
- Eu queria que essa vida fosse diferente.
- Deve ser estressante, eu sei. Mas acho que tem milhares de garotas que dariam tudo para ter a sua vida, ter o que você tem, ir nos lugares que vai, ser amada por alguém tão famoso quanto ele e até ser odiada por isso.
- Eu sei. Mas não é só isso, é que...você não ia acreditar. Ninguém acreditaria. -senti uma emoção subir pela minha garganta quase me fazendo derramar mais algumas lágrimas. -Eu acho que fiz algo ruim e sem volta, eu estou completamente perdida. -seus olhos eram atentos em mim.
- Tenta a sorte.
- Eu...-pigarreei- Se lembra do meu aniversário de dezesseis anos? Foi o último em que nos falamos. -Mark pareceu pensativo, mas assentiu. -E se lembra que naquela noite você me deu um presente ridículo? Eram velas. Depois eu saí com a Helena e as nossas amigas, ela queria me dar algo de presente mas...me levou para um lugar onde encontramos uma mulher que começou a falar sobre mistérios da luz e universo, e alguma coisa sobre tipos de magia. Eu juro que estava achando tudo aquilo brincadeira e muito idiota mas aconteceu alguma coisa muito estranha porque no outro dia eu acordei com 23 anos e nessa vida. Isso foi a duas semanas.

Seu silencio era assustador. Por que ele só me olhava e não dizia nada? Eu sabia que não ia acreditar, mas precisava apenas ouvir uma palavra mesmo que fosse para me chamar de louca, mas precisava ouvir porque estava assustada.

- Dá pra você por favor dizer alguma coisa?
- Eh...er...-abria a boca diversas vezes mas nenhuma palavra concreta saia. -É difícil de...
- Acreditar, eu sei. -me ajeitei no sofá, ficando sentada. -Mas eu não estou maluca. As velas Mark, se lembra das velas?
- Eu tenho uma lembrança borrada do que eu te dei, mas quase certeza de que foram velas que a minha mãe rejeitou da amiga dela.
- O que tinha naquele troço?-meus olhos se arregalaram.
- Não tinha nada lá, eram velas normais.
- Talvez sejam, a resposta deve ser o que a mulher disse, aquelas palavras estranhas.
- Olha, você realmente está soando maluca.
- Mark, acredita em mim! Eu estou completamente perdida porque preciso de ajuda.
- Não sei se posso fazer alguma coisa, nem sei direito se acredito nessa história sua. -suspirou-Sinceramente acho que você está nervosa por causa do casamento e está pensando em coisas surreais.
- Eu também não acreditava mas aconteceu! E agora eu estou com medo de não poder voltar. -eu provavelmente exalava desespero para fazê-lo me olhar com pena daquele jeito. -Eu tenho 16 anos Mark!-minhas bochechas arderam. Ficamos em silencio por alguns segundos enquanto seus olhos de 5 em cinco segundos se direcionavam para um canto diferente.
- SeuNome, digamos que isso seja verdade. Você nem deve se lembrar onde esse mulher estava!
- Eu...-tentei buscar minhas memórias de semanas atrás, pensei um pouco e me lembrei de um lugar meio afastado, entre duas ruas escuras com apenas um posto de gasolina perto. Havia um prédio velho que parecia mais ser um mini condomínio. Eu podia ver a imagem no meu cérebro mas não sabia onde era. Olhei para Mark concordando com ele e dando-me por vencida. Ele se levantou ajeitando a blusa.
- Acho melhor eu ir, a Khlóe vai me matar por não ter chegado ainda.
- Mark, eu lembro do nome do posto de gasolina. -interrompi meio fora de área.
- O quê? Que posto?
- Havia um posto na frente do prédio da mulher. Hess era o nome. Eu tenho que usar isso como referencia pra achar aquele lugar.
- SeuNome. -suspirou- Devem ter vários postos em Londres com esse nome.
- Não depois daquele viaduto. -mordi o lábio pensativa.
- Acho melhor você dormir um pouco. -segurei seu braço.
- Você vem comigo amanhã? Eu vou até lá depois do almoço. -o encarei como se meus olhos pedisse socorro. -Por favor. -ouvi mais um suspiro de sua parte.
- Tá, tudo bem. Até amanhã.

O vi sair e fechei a porta. Agora eu estava intrigada sobre pensar naquilo, achar aquele lugar que finalmente apareceu na minha memória. Talvez antes eu ainda estivesse enfeitiçada e com certeza eu também estava. Liguei meu notebook para procurar pela localização certa daquele posto já que não sabia o nome do prédio. Sabia que haviam chances de estar abandonado, de a mulher ter se mudado de lá e muitas outras coisas mas eu estava disposta a fazer qualquer coisa para encontra-la e fazê-la concertar aquilo que me deixou fazer. Meus sentidos ficavam aguçados só de pensar em como seria não ter mais o Louis. Não o ver mais. Não o beijar mais e simplesmente voltar a ser uma fã. Eu estava desmoronando por dentro, e aquilo estava doendo como o inferno pra mim.
Quando eram 3 da manhã, eu fui dormir. Tinha conseguido descobrir depois de dezenas de cliques qual dos cinco postos de gasolina Hess era o que ficava na frente do prédio da mulher misteriosa. E eu iria lá, reencontra-la.

[...] 


Consegui acordar em tempo para chegar na hora certa ao trabalho, eu já sabia que aconteceriam. Os olhares de reprovação, de críticas, de confusão. E também sabia que teria que ser convincente ao contar uma desculpa para ter faltado nos quatro dias anteriores. Eu estava com medo de aparecer por lá sem as pastas de Bill porque com tanta coisa na cabeça não conseguia pensar em uma boa desculpa do porque não estava mais com elas. Mas não podia fugir para sempre, então, lá estava eu. Pelos corredores do meu andar em direção á minha sala rezando para não ser abordada por ninguém com uma língua grande cheia de perguntas.

- SeuNome!-fechei os olhos por um segundo. Tinha sido pega. -Você está aí!-virei em direção a Bill que agora caminhava até mim. -Por que faltou tanto nos últimos dias? Precisávamos de você e do seu trabalho, ele falta para a coleção.
- Pois é, é que eu fiquei doente e ainda tinha os preparativos do meu casamento que nem consegui dar conta!-tentei sorrir. -Está tudo uma correria danada.
- Ah, eu entendo mas sabe quanto o projeto é importante.
- Sim, sim! E eu sei. Trabalhei várias noites na minha parte e...
- Falando nisso onde estão? Colocou nas minhas pastas não é?-assenti com um sorriso amarelo.
- Ótimo, eu tinha receio de que você não tivesse feito, mas, ótimo. Onde estão agora?
- Ahm, agora?
- Sim, preciso confirmar uma coisa nelas.
- Olha Bill...
- OH BILL, PRECISAMOS DECIDIR A CAPA!-ouvimos do final do corredor e ele pareceu ficar agitado com a solicitação, não sabendo se ficava ali ou ia com a mulher.
- Okay Kriss, estou indo!-olhou de volta pra mim. -SeuNome tenho que ir, mas vou querer as pastas na minha mesa até amanhã sem falta!-se afastou. -Você está com a parte mais importante, não me decepcione!

Ele andou rapidamente pelo corredor em direção a outra sala enquanto eu acenei com um sorriso que mais dizia "Me fodi completamente". Me vendo livre daquilo, fui para a minha sala e tentei recomeçar todo o projeto mas tinha certeza absoluta que não iria conseguir lembrar de tudo e terminar a tempo. Eu estava perdida, mas precisava tentar. A raiva quase tomava conta de mim quando em alguns momentos me lembrava que a maldita da Helena estava vendendo meu trabalho todo, e eu aqui, provavelmente a beira de ser despedida. Mas pior que isso era que aquelas pessoas dependiam da minha parte. Da parte principal que a ''SeuNome adulta'' devia estar fazendo, e muito bem por sinal.
Com muito mais da metade para terminar numa pasta nova, eu peguei minhas coisas para sair na hora do almoço. Fui me desculpar com a minha assistente por ontem anoite ter desmarcado o nosso jantar, expliquei que estava mal e ela aceitou. Também perguntei de "J" e ela falou que nada dele, então disse que o nome inteiro era Jonathan e era tudo que eu sabia, ela jurou que ia dar mais uma pesquisada com o endereço de e-mail e em segredo. Por fim ela me avisou que minha agência de viagens ligou e a passagem assim como as despesas de hotel e motorista já estavam acertados, eu agradeci surpresa da eficiência. Mais um lembrete, eu ia a Milão. Nos despedimos ás pressas no elevador e assim eu saí, com o celular na mão para ligar para Mark.
             Marcamos de nos encontrar na frente de uma lanchonete e quando cheguei ele já estava lá. Pediu se eu queria almoçar mas não estava com a menor fome, apenas tinha uma preocupação enorme. Realmente, nunca me senti tão adulta. Então pegamos meu carro e seguimos para o local que já tinha passado para o gps.
Passamos o viaduto, aquelas lembranças agitadas frescas na minha mente se clareavam a cada quilometro, segui o caminho que peguei na internet para dentro da cidade e conversando pouco, logo chegamos á aquela parte quase deserta entre as duas ruas com apenas o posto de gasolina por perto. Hess. Eu conferi, na mosca. Paramos para abastecer lá e eu aproveitei para pedi informação sobre quem morava naquele prédio afrente e falaram que apenas um casal e uma mulher. Eu comecei a torcer para que fosse a que eu estava procurando.

- Não acha melhor a gente continuar perguntando sobre essa mulher?-pediu Mark enquanto descíamos do carro.
- Não, eu tenho certeza que é aqui. E...-interrompi-o fechar sua porta. -Eu queria entrar sozinha, tudo bem por você? Me esperar aqui fora?
- Claro, eu espero. -disse enquanto olhava em volta.

Percebi que agora na frente de um dos muros estava pichado "Bruxa", assim como outros xingamentos, segui para dentro do lugar que estava aberto assim como naquela noite, não havia ninguém cuidando da entrada. Enquanto adentrava o corredor tão escuro quanto era de noite, sentia um peso sobre os meus ombros, q.uase podia sentir os braços da Helena naquela noite me puxando para ali enquanto falava que era uma mulher que via sorte. Logo vi a mesma porta, só que hoje fechada. Eu bati nela, e no começo não houve resposta. Então finalmente ouvi passos e ela se abriu, dando-me a visão daquela mesma mulher misteriosa que graças a Deus ainda morava/ficava ali. E que eu agora pretendia pedir ajuda.

- Posso ajudar?
- Oi, meu nome é SeuNome e...
- Eu já sabia que viria. Entre. -murmurou firme e obedeci. Ela fechou a porta.
- Sabia? Você lembra de mim?
- É claro que sim. -me mediu. -Você está diferente garota.
- Eu vim aqui a oito anos atrás com...
- Na verdade foi a duas semanas. -sorriu como se fosse uma brincadeira. Naquela sala as coisas ainda estavam do mesmo jeito como eu me lembrava, e ela não parecia ter envelhecido. -Me diga, o que lhe fez vir até aqui?
- Você parece que adivinha tudo, então porque não me diz?-disse sarcástica, aquilo doía, queimava dentro de mim.
- Problemas no paraíso?-sorriu sínica.
- Por que o feitiço funcionou?!-disse alto. -POR QUÊ?
- Eu disse que sabia que viria porque é muito raro um feitiço tão forte assim se realizar. Deve estar querendo respostas, provavelmente...
- Respostas não, eu quero desfazer!
- Sinto muito, isso não será possível. -me deu as costas, pegando uma xícara de chá em cima da mesa de madeira. -Isso foi o que você pediu, agora aguente as consequências.
- Eu nunca pedi essa vida, eu apenas pedi ele.
- "Apenas"? O que pediu não é algo simples, criança, mexe com o futuro, com o amor, com mais vidas do que você pode imaginar. O feitiço não é concreto, ele vai mudar várias coisas para encaixar seu pedido na sua vida.
- Escuta, eu não vou deixar as coisas continuarem assim! Nós vamos nos casar, e só agora eu percebi o quanto é doente esse futuro. A "eu" adulta fez coisas ruins, eu não sei lidar com os flashes, os gritos, com o ódio de tantas garotas, agora esse feitiço está mudando o Louis de "apaixonado" para "obcecado", e ele está se deixando de lado por minha causa, tem os meus pais que agora nem falam comigo e meu emprego...eu...em algo errado.
- Não posso ajudar.
- Eu só preciso de uma chance para concertar tudo.
- Acostume-se. Toda magia tem um preço. -murmurou tão calma que eu perdi a cabeça. Eu senti que tudo ia desmoronar. As lágrimas não podiam voltar a descer, não podiam. Eu não estava preparada para ouvir isso. Havia adrenalina por todo meu corpo, eu estava em um estado de nervos que não deseja para ninguém. Comecei a bater as mãos nos enfeites em cima da mesa, nas velas apagadas, tudo foi para o chão e eu estava a ponto de começar a gritar. Joguei seus livros e encensos na parede, sentia as veias da minha cabeça pulsarem em minha pele. Senti suas mãos um tanto quanto fracas segurarem meus braços. Nesse ponto eu já tinha me dado por vencida pelas lágrimas. A mulher me fez sentar em uma das cadeiras e sua mão trêmula colocou a xícara de chá na minha frente. -Acho melhor se acalmar. -eu estava ofegante, as palavras de Louis ecoavam na minha mente dificultando minha respiração. Aquilo era uma catástrofe. Um pesadelo.
- Não chore mais e fique...
- Não me pede pra ficar calma. -limpei a garganta engolindo em seco. Ela se aproximou de mim com cuidado e pegou em minha mão de modo como se entendesse algo.
- Oh criança, vocês nasceram para se apaixonarem mas não nasceram para ficar juntos.

A olhei sentindo um sentimento dilacerador, pois era a mais fria e crua verdade. Então ri fraca, sem vida.

- Vai me ajudar, não é?
- Eu até poderia, mas não sei. Nessa sua nova vida a senhorita deve estar nadando no dinheiro, ou estou errada?-fez uma pausa. -Vou ter que comprar novo tudo que quebrou aqui.
- Não seja por isso. -respondi fria.

Eu já devia ter desconfiado que a mulher mercenária daquela noite não faria nada de graça. Nós conversamos assim que consegui me acalmar. Com certeza minha pressão tinha baixado, mas eu não ia no hospital e nem nada. Eu concordei em dar a ela uma boa quantia em dinheiro se me contasse com garantia como eu poderia reverter o feitiço e após sem muito hesitar, ela aceitou. Falou que eu ia precisar de apenas uma vela, mas precisava ser da caixa que Mark me deu. E aí estava o problema. Naquela noite o restante das velas foram jogadas do telhado da Helena por uma das nossas amigas quando nós estávamos bebendo naquela noite, e eu simplesmente não fazia ideia de como recupera-las agora. Eu estava ferrada, completamente. Se eu conseguisse uma das velas daquela caixa teria que acender e desejar minha antiga vida de volta, e de acordo com ela funcionaria, tudo de volta ao seu lugar.
Sai de lá encontrando Mark me e esperando no carro como prometeu, eu disse que estava tudo bem mas não dei maiores explicações e o deixei em casa, antes de ir de volta para a minha. E encarar mais uma tarde e noite tentando refazer aquele projeto. 
Enquanto saía da garagem, vi uma notícia pelo celular que Louis tinha chegado ao programa da Ellen a tempo de fazer a entrevista e isso já era uma notícia boa em tudo isso, se tinha uma coisa que eu não queria era atrapalhar a vida dele. Coloquei o celular no bolso e fui abrir a porta, mas percebi que já estava aberta. Milhares de perguntas iniciaram a tomar conta da minha cabeça assim como um pequeno desespero, e rapidamente a única resposta que deduzi era de que tinha sido assaltada e por isso arrombaram a porta. Ouvi um barulho em algum lugar da sala enquanto mexia com as chaves que me fez entrar calmamente tentando controlar meu susto que crescia em vez de ir embora.



Peguei o primeiro objeto pontudo que encontrei e comecei a procurar silenciosamente pelo individuo enquanto ainda ouvia passos e agora cada vez mais perto. Já tirava o celular novamente do bolso para discar para a polícia quando virei a cabeça indo em direção a cozinha e rapidamente bati de frente com um corpo maior do que eu.

- Surpresa, amor. Você não me respondeu, eu falei que viria. 

CONTINUA...
Gente atrasei um pouco pra postar, me desculpem. Essa merda de horário de verão me faz ficar em outra realidade porque nunca sei que horas são e perco tempo demais. Aliás, sou ótima nisso. Desculpa, aí está. 
Próximo capítulo tem treeeeeeeta
Já está acabando :(

20 comentários:

  1. OH GOOOD, é o tal do "amante" ela né?
    Coooontinua logo Lizzy, preciso do proximo capítulo!
    Tá perfeito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ahm...será? kk
      Pode deixar amr, vou postar hoje ou amanhã. Obrigada :3
      xx

      Excluir
  2. Mds lizzy! Da onde você tira essas frases?? Meu Deus, você só pode ser o próximo Sheakespeare!
    Acho q esse é o melhor longfic que vc já fez nunca vi nada igual

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não sei! kkk elas vem na hora. Quem dera kkkk
      Eu não sei, mas adoro esse longfic, principalmente o final. Obrigada por tudo amor :)
      xx

      Excluir
  3. Eu já te disse o quanto eu amo a sua fic? Não. Então, eu amo.

    Eu não sei se é o jeito que você escreve, as situações que você cria, a história, os personagens que você cria, sei lá... É tudo tão obscuro e ao mesmo tempo com uma pequena luz... Eu não sei...
    Só sei que mexe comigo de um jeito que nenhum outro escritor faz acho que vc tem muito futuro nessa area. Moça, você me torturou muito de tanto de esperar!! Tá perfeito!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mds, obrigada mesmo! Eu fico muito honrada com as suas palavras, significa muito pra mim.
      xxx

      Excluir
  4. ai estou morta ft curiosa
    Agora eu ia fazer de tudo pra dar na cara do vadio desse amante djdndjdc
    Continua que vai ter tretaaaa ai coisa boa

    ResponderExcluir
  5. NAO ME DIGA Q A SEUNOME VAI FICAR DIVIDA ENTRE O LOUIS E O MARK? CARA EU NAAAAO ACEITO OUTRO ALEM DO LOUIS, N MSM Prossiga prossiga prossiga prossiga eu amo essa fanfic

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Neeeem. Gente, eu fiz de tudo para dar a entender que eles são só amigos e não vai rolar nada, então nem shippen! kkkkk. Vou continuar sim, e obrigada neném!
      xxx

      Excluir
  6. A SeuNome pirando, que perfeito AAAAAAAAAAI MEU CÚ. Eu to enterrada feat nicki mijada, OMG OMG OMG OMG to pasma até agora. A hora de colocar as cartas na mesa já está chegando OBA OBA. TÁ MUUUUUITO PERFEITO CONTINUA CONTINUA CONTINUA, AAAAAAAA
    --MilenaStyles

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nhawn, obrigada! kkkkkkkkkkkkkkkk com certeza, já está chegando.
      Bjus!

      Excluir
  7. AEEEEEEEEEEEE BOTA FOGO NA FOGUEIRA TRETA

    ResponderExcluir
  8. Amei to louca pro próximo!!!!!!!!!!!!!!!!
    - Lúh

    ResponderExcluir
  9. Nunca esperei tanto por um capítulo como esperei por esse. Ansiosamente.
    Quero saber quem esse Jonathan e quero ver sangue rolar! xoxo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aww, fico feliz por isso! kkkkk vamos ver o que vai sair, espero que goste.
      xxx

      Excluir