Longfic - / Believe in Me (Parte 5)

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Capítulo 05 - Elétrica

SeuNome P.O.V's

Assim que chegamos a um grande salão de festas na qual aquela moça me deixou, fui recebida por um abraço da Eleanor que veio até mim na porta. Ela olhou direto para o anel de noivado no meu dedo e fingiu um sorriso, em seguida me apresentou uma das mulheres ali que logo me mostrou com toda a pressa do mundo cores de guardanapos, toalhas de mesa, tipos de flores e tudo que já estava me enlouquecendo em apenas meia hora ali. Mal Louis tinha marcado o casamento -sem me falar- e já estava todo mundo louco assim? E por que ele marcou para tão em cima da hora, justamente na semana em que eu prometi á aquela mulher que é minha provável amiga que eu estaria em Milão? Essa vida era muito corrida para o meu gosto. Mas acho que o pior de tudo era estar do lado da Eleanor que dizia ser minha madrinha de honra. Não era possível alguém descobrir tanta coisa ruim em tão pouco tempo. 

- Mas essas cores são idênticas. É branco!-dei de ombros e as mulheres especialistas em decoração me olharam como se eu fosse de Marte. 
- Tem certeza que a senhorita fez moda, SeuNome?- pra elas eu tinha feito, então assenti. -Essa é branco pérola e essa é branco gelo. -revirei os olhos discretamente. 
- É uma decisão tão difícil. -disse Eleanor enquanto eu só queria sumir dali. 
- Tá, essa aqui. -apontei para qualquer uma no catálogo. -O que mais por hoje?
- Tem uma pré lista de convidados para acertar, no começo do ano a senhorita disse que não era para convidar seus pais nem parentes, apenas os amigos e os familiares do Louis. 
- O quê?! Eu não diria isso, é meu casamento! -elas me olharam com pena e pegaram alguns tecidos e amostras de bolo enquanto outras pessoas transitavam pelo salão o limpando e ajeitando algumas poucas coisas. -Por favor, mudem isso. Convidem meus pais. 
- Ok. -uma mulher anotou numa prancheta. -Tem as músicas também que precisamos ver o mais rápido possível.
- Mas o Louis não devia ter que decidir também essas coisas?
- Ele está muito ocupado e disse que a senhorita tinha muito bom gosto e lhe confiava os preparativos.  -suspirei e assenti. 

Fiquei decidindo coisas fúteis até umas três horas, meu estômago já roncava mas quando eu achava que ia acabar tinham mais coisas para resolver. Maldito mundo adulto. Tive que deixar as encomendas de doces e flores com a Eleanor que prometeu que cuidaria de tudo, então pedi que ela procurasse pelo número do trabalho de Mark Johnson já que eu queria tentar fazer as pazes com ele. É, se eu conseguisse ia ajeitar tudo de errado que tinha feito na minha vida, eu faria, começando por ele. Eleanor disse que ia procurar e continuamos a ver os preparativos. Eu ainda estava intrigada por lembrar dela na minha mente como namorada do Louis, mas ali, naquele universo, ela era apenas uma conhecida. Então por que Louis me disse que ela já se entrometeu no nosso namoro e tentou nos separar? Bom, por mais que eu o conhecesse melhor do que a mim mesma sabia que não parecia estar brincando.
Voltei do banheiro e Eleanor veio com um café pra mim. 

- Obrigada, mas acho que preciso mesmo é almoçar. -ela riu. 
- Tudo bem, eu fico com ele. E aqui está o número que me pediu. -entregou um papel. -Achando os preparativos muito estressantes?
- Você não faz ideia. E obrigada pela ajuda. -ela concordou. 
- Sem problema. -respondeu seca e foi até um cara que falou que depois eu podia ir. Peguei um táxi enquanto tentava ligar para o Mark com o telefone que Eleanor me deu mas depois de apenas uma chamada um cara com voz totalmente diferente atendeu achando que eu era prostituta que ficou de ligar. Desliguei na hora enquanto o taxista ria, maldita! -Filha da mãe, me deu um número errado!- esbravejei. Em seguida procurei ela nos meus contatos e quando achei, disquei. Assim que atendeu, falei que ia achar outra madrinha de honra mas não dei explicações antes de desligar. Ela fez isso de propósito para se livrar de me ajudar. Ótimo, devia ter outra pessoa melhor para isso. Tentei lembrar o nome da minha rua e expliquei para o taxista com referencias onde eu morava. Tinha que aprender e logo, pensei, enquanto pagava o cara e entrava correndo para dentro de casa, trancando a porta e finalmente ficando sozinha. Fui olhar minha geladeira e achei algumas comidas prontas -era só isso que eu sabia fazer mesmo- e preparei no microondas uma lasanha. Enquanto comia me dei conta do quanto eu era sozinha. É claro, não só por ter uma casa só pra mim mas mesmo com centenas de pessoas a minha volta nesses dias eu me sentia realmente só. Isso era normal? Quer dizer, parecia que com 16 anos e só uns 3 amigos eu estava melhor. Balancei a cabeça tentando me livrar desse pensamento, eu tinha que tentar recuperar a felicidade que estava naquele momento a tarde antes da festa. Só aproveitar, era isso que eu devia fazer, tentar ignorar as coisas ruins. Afinal, que vida não tem problemas? Eu podia resolver tudo. 

Coloquei a sobra na geladeira e pela janela da cozinha vi a casa de Mark e ele saía para caminhar naquela hora. Acenei, com um sorriso aberto e ele fingiu não ter me visto, desviando o olhar e entrando de novo em casa. Ok, ele realmente me odiava. E eu não tinha seu telefone, assim como não tinha coragem o suficiente para ir lá. Bufei e fui procurar meu notebook depois de colocar o celular totalmente sem bateria para carregar. Subi enquanto ligava e peguei da minha cama ainda desarrumada uma das almofadas macias indo para o meu banheiro. Isso era uma mania minha, usar o notebook no banheiro. É que meus pais viviam entrando no meu quarto mesmo que eu implorasse, colocasse avisos na porta e pedisse para que batessem antes, então me trancava no banheiro e usava o computador lá, onde eu podia ter privacidade. Sou estranha, eu sei. 
       Coloquei a almofada dentro da banheira e me sentei lá com as costas apoiada nela e o notebook no colo, fui checar meus e-mails e tinham uns 50 não lidos que cansou minha visão só de ver o número. Fui abrir os primeiros e eram sobre pessoas animadas com o casamento, perguntando se era verdade, outros eram propostas de trabalho, cartas de fãs, de haters -o que me fazia perguntar onde conseguiram meu e-mail. -, emails em outras línguas que eu não entendi uma palavra, empresas de festas oferecendo serviços, e-mails de amigos que eu tinha visto em fotos comigo no Facebook e daquela moça de Milão, me agradecendo de novo. Merda, eu prometi estar lá em três semanas, exatamente na semana do meu casamento.
Casamento, eu ia casar! E eu sou uma adolescente por dentro. Isso soava surreal na minha mente. 
Respondi algumas das mensagens, algumas com um pingo de ironia -aliás, como sempre-, e fiquei fuçando na internet sobre mais informações, quanto mais eu soubesse de mim, melhor seria. 
Quando beirou as cinco da tarde, algo na minha tela brilhou e eu cliquei na janela, vendo Louis online num chat, me chamando sem parar. Aquilo fez-me sentir agitada de novo, completamente elétrica.

SeuNome: Oi, calma! Estou aqui :)
Louis: Amooor, desculpa mesmo não ter te ligado hoje. Eu sei que te deram a notícia bem em cima da hora e você deve estar surpresa mas se ajuda, também estou.
SeuNome: É, foi um choque, eu tive que escolher um monte de frescura nos detalhes do casamento. 
Louis: Achei que gostasse de frescura. -uma chamada de webcam foi solicitada e eu aceitei, tendo a visão perfeita de Louis em algum lugar um tanto escuro. Era tão bom vê-lo, não consegui conter um sorriso naquele instante.
- Tá me ouvindo? -pediu testando a câmera e assenti. 
- Continuando, eu só não achei que fosse tão cedo assim o casamento. -disse e ele sorriu. 
- Acha que não está pronta ainda? Porque se não estiver...-ouvi uns gritos ao fundo da gravação e Louis virou a cabeça para gritar algo. -EI! CALEM A BOCA, QUE TAL UM POUQUINHO DE RESPEITO?!

- Mas é o jogo de Manchester. -uma das vozes disse.
- A SeuNome está online. -eles começaram a gritar 'oi' animados e eu correspondi fazendo o mesmo. Um dos amigos dele, Danny apareceu atrás de Louis deixando uma latinha de energético. -Nem se incomoda em falar por causa deles, aqui só estão o John, Danny, Sandy e Cam e eles estão prestando atenção na tv. -sorri. 
- Respondendo a sua pergunta, eu acho...eu estou pronta pra casar com você mas...
- Você hesitou. 
- Não, não hesitei. 
- Hesitou sim, você não acha que é a hora né? Eu também estou confuso e...
- Como assim? Eu só...é  que você decidiu do dia para a noite a data e me avisaram de surpresa hoje, eu tive que cancelar uma reunião e deixar de ajudar no comitê da festa no meu trabalho.
- Me desculpa, é que se for esse ano vai ter que ser daqui a três semanas porque vamos entrar na nossa última turnê até o ano que vem. -ele deu de ombros. -Eu não queria casar ano que vem. 
- Er...-suspirei. -Olha, pode ser quando você quiser, eu só quero que a gente fique juntos. -seu sorriso meigo voltou e eu olhei para baixo. 
- PORRA PARA COM O BARULHO BRO!-gritou Louis em vez de dizer algo fofo. Esse é o garoto que eu conheço. Dei uma risada. 
- Eu também, eu te amo! Mas eu também quero que você esteja pronta. Então qualquer coisa, é só me avisar. -assenti, ajeitando as costas. -Espera, você está usando o notebook no banheiro?-riu- Achei que tinha parado com isso. 
- É, não!- fiz uma cara engraçada o fazendo rir. 
- Você está diferente, SeuNome. -ficou me olhando como se tentasse desvendar o que é. -Tem um brilho diferente aí. -balancei a cabeça e ele bocejou. -Quero chegar em casa logo. -sorri. 
- Hey, até chegar, nada de mais tatuagens. 
- Gorda!
- Gorda eu? Você é um gay desde sempre. -ele gargalhou. -Fica fazendo palavrões secretos com o Harry sem os outros saberem. 
- Qual é, é uma forma original e revolucionaria de dizer "Puta que pariu". -não contive o riso. Aquela sem dúvida era a melhor frase que escutei no dia. 
- Vocês parecem  aliens, e eu não aguento mais ouvir sua voz no radio. -menti. 
- MAS AMOR. -deu um pulo e o computador saltou de seu colo. -Você falou que ia me amar até com voz de garota. 
- Pois é né, falta de opção. -tentei ficar séria. 
- Uh, eu não deixava!- uma voz vinha do fundo do vídeo em tom de provocação.
- Ah, vai assistir o seu jogo, mané!- resmungou Louis e ouvi mais risadas e barulho de lacre de latas sendo puxadas. 
- Você vai sofrer as consequências quando eu chegar aí, SeuNome. Lembre-se que você que pediu por isso. -gargalhei. -Ouve minha voz fina de garota até dormir, ok? 
- Pode deixar que eu vou. -sorri e fiz bico lhe mandando um beijo. 
- Ai porra, vou casar com um anjo. -disse alto para os caras no fundo me fazendo rir novamente. 

Louis disse que estava cansado e ia desligar, só entrou para falar comigo e me dar boa noite. Então ficou offline. Ele era exatamente como eu desejava. Bufei, esse feitiço...Antes que eu deslogasse a minha conta, Helena me chamava. 

Helena: SeuNome, como foi hojeeeeeeeee?-pela quantidade de 'e' a curiosidade barra felicidade da parte dela estava aparentemente -e se é que isso é possível- maior que a minha própria.
SeuNome: Foi bem. Eu acho que vai dar tudo certo. 
Helena: Ok, olha eu estou saindo de casa agora. Me encontra no T Bar em quinze minutos?
SeuNome: Agora?!
Helena: Sim, vem logo e não me faz esperar. -ficou offline e uma na minha caixa de e-mails apareceu um novo. Abri e tive uma surpresa bem desagradável ao ler "Por que você não retorna as minhas mensagens? Podia ter me dito que seu casamento já estava marcado, está me tirando da sua vida assim? Responda essa antes que eu ache que tudo que me disse é mentira. Estou com saudades, gata. Eu te queria aqui na minha cama agora. J. "

 

Que ótimo, esse canalha não desiste. Fechei o notebook após revirar os olhos e tentar ignorar aquele sentimento horrível de novo. Cada palavra daquela era como uma maldita facada, eu só queria saber quem é esse cara. Me levantei, dei uma leve arrumada no cabelo e só, peguei minha bolsa e saí de casa novamente. Aquela seria uma ótima chance para tentar terminar de falar com ela o que não consegui mais cedo.
Depois que o táxi me deixou no lugar que Helena falou, procurei por ar puro e em seguida entrei no bar que por fora era bem apresentável. Por dentro tinha uma boa iluminação, o barulho das pessoas conversando se misturava ao dos copos batendo no balcão e dos tacos se chocando com bolas de bilhar na qual várias pessoas ali jogavam num canto do bar. Estava bem cheio, típico á aquela hora da noite e pelo clima agradável com certeza ninguém ia querer ficar em casa. A não ser, eu. Procurei com os olhos rapidamente na fileira de bancos e comemorei mentalmente ao achar a Lena sentada e já bebendo alguns goles rasos e sem pressa. Sorri e me aproximei, sentando no lugar vago ao seu lado. 

- Posso ajudar, senhoritas?-o barman pediu. 
- Mais um uísque pra mim e...? -Lena virou para mim enquanto estendia o pequeno copo vazio.
- Uma dose de vodka. -imitei o que vi nos filmes. -E se quiser ver os meus documentos, eu tenho idade suficiente pra pedir isso viu?-disse bem humorada e ele saiu meio intrigado. As vezes é melhor ficar de boca fechada. Só sabia que era muito legal fazer o que eu bem entendia. 
- E ai?-suspirou ela. -Me conta como foi lá. 
- Foi trabalhoso demais. Preciso de uma madrinha. -subi a cabeça para ela.
- De uma fada madrinha ou uma madrinha de honra? -engraçadinha.
- Nesse momento, das duas. -rimos. -Sério. Por favor.
- Eu não sei não...-insisti. -Argh, sabia que esse dia chegaria! Tá, tudo bem. -dei um gritinho discreto de animação. -Mas e a tal da Eleanor?
- Ela fez de tudo para que eu a dispensasse. -nossas bebidas chegaram e segurei a minha com as duas mãos, entrelaçando o copo. -Sério, o Louis tinha razão quando disse que odiava ela. 
- Entendi, conseguiu falar com ele?- beberiquei e balancei a cabeça.
- Sim, ele...está maravilhoso. Se desculpou por ter marcado tão em cima da hora. 
- Mas então, te chamei aqui para dizer que acho que vou pedir demissão. - a encarei. -É! Eu cansei disso, desse emprego, dessa carreira. Eu vou tentar o teatro como queria fazer no começo do ensino médio.
- Você ouviu o que eu falei?-ela me encarou séria.
- Tá brincando? SeuNome, será que você pode parar de pensar na sua vida por um instante, eu também tenho uma ok? Eu quero te falar uma coisa importante que vai mudar tudo pra mim e você só se importa com você mesma. -minha respiração pesou, eu não esperava por essa, e tão direta. 
- Tá, me desculpa, você tem razão. -balancei meu copo. -Ah...eu nem sei o que dizer, Lena...eu quero que você tente fazer o que gosta mas...você é a minha melhor amiga no trabalho. -ela bebeu e olhou pra cima. -E quando você faria?
- Vou pedir demissão depois da festa do Bill. 
- Sinto muito. -a olhei com certa interrogação e ela levantou seu copo. 
- Não sinta, é um começo. Um brinde as novas vidas. -levantei o meu também. Batemos os copos e bebemos juntas. Lena ficou me falando da vida dela e tinha mudado demais, eu nem acreditava que sua mãe já tinha morrido a dois anos. Isso me fez lembrar da minha e de como assava aquele bolo ridículo de aniversário...eu sentia falta dela. Depois perguntei sobre nossas outras amigas e a resposta é que simplesmente cresceram, seguiram caminhos diferentes com escolhas diferentes e perdemos contato. Isso era outra loucura de se pensar. Mas estávamos ali. Garanti não beber mais de três copos. 
- Helena, eu queria tentar te fazer a mesma pergunta que fiz de manhã, mas não tivemos tempo de conversar. 
- Ah sim, o que era mesmo?-ela riu.
- Sobre o meu décimo sexto aniversário. Antes de nós bebermos no seu telhado, aconteceu uma coisa. -nos entreolhamos. -Uma coisa muito estranha aconteceu naquela noite, uma mulher nos vendeu um feitiço, lembra-se? Por favor diga que sim!-disse a última frase soando um pouco paranoica.
- Ah SeuApelido. -passou a mão na testa. -Lá vem você com aquelas conversas, desde que você acordou com 23 você tem agido BEM estranho. E não é um estranho como se você estivesse de ressaca pelas festanças que tem frequentado, é estranha tipo como se fosse uma adolescente de novo. 
- Isso!-disse alto. -Exatamente isso. -comecei a sussurrar. -Eu tenho 16 anos. -Helena gargalhou e se levantou de seu banco. 
- Moço, mais uma!-disse e um cara se aproximou de nós. 
- Oi, posso pagar uma bebida para as senhoritas?-pediu perto de nós, com voz de segundas intenções. 
- Você tem que acreditar em mim, foi você quem me levou até aquela mulher!-sussurrei e ela já olhava para o cara me ignorando. 
- A gente ia adorar!-sorriu para ele e eu me levantei, colocando dinheiro no balcão pelas minhas doses. 
- Eu já estou de saída. Até mais.

Com provavelmente uma cara inegável de decepção, eu deixei o T Bar. Quando ia parar um táxi para ir para casa, recebi uma mensagem da Helena. "Sai dessa. Segue em frente e para de maluquice, você é adulta e está na hora de crescer. Lembra o que que a gente dizia? A vida adulta vai ser maravilhosa. Lena, xxx". Outra mensagem de 'J' chegou e aquilo tudo estava me fazendo quase derramar algumas lágrimas ali em público, no meio da rua de maneira que eu nunca deixei acontecer antes, por pior que estivesse a situação. Não foi dessa vez que eu deixaria. Engoli aquela sensação horrível no meu peito relendo a mensagem de Helena. Ela tinha que ter razão. 
Vida adulta. Eu decidi que iria ser perfeito. 
Com esse pensamento em mente, tentei contemplar o azul escuro do céu antes de ir.

[...]

No dia seguinte cedo eu estava de pé para ir ao trabalho, me sentia totalmente disposta e incrivelmente um pouco melhor. Lá pedi que a minha assistente corresse me avisar caso meus pais ligassem ou tivessem voltado do iate. Tive também mais informações sobre a tal festa que o Bill daria e teríamos que convidar amigos e familiares, eu deixei convite para a metade da minha lista de contatos e a maioria confirmou presença antes do meio dia, uma assistente de Louis disse que ele tinha algo agendado para aquela hora e não poderia ir, o que eu acabei entendendo. Na hora do almoço me ligaram dizendo que meu carro estava pronto e que eu podia ir busca-lo no endereço de um mecânico. Fui sozinha até lá levando dinheiro extra para garantir -era incrível ter tanto dinheiro sobrando, ainda mais o meu próprio-, assim que cheguei com alguns trabalhos para fazer da próxima edição da revista e uma garrafa d' água na mão fui recebida por um dos caras que trabalhava ali e me levou até o meu carro que eu estava torcendo para ser perfeito, exatamente como eu imaginava que seria. Dei de cara com uma BMW prata conversível que brilhava como uma pérola enquanto uns caras davam uma última verificada nas rodas ou pneus. 

- Quanto eu te devo?-pedi, louca para pegar o meu carro. 
- Nada, a senhorita já deixou pago. -levantei a sobrancelha e ele foi tirar a chave de um painel grudado na parede onde estavam as de todos os carros ali. Depois de tirar alguma coisa do sistema, ele me entregou e eu estava vibrando de emoção, meu Deus, meu próprio carro! Tudo bem que eu podia ser uma vadia, esnobe e péssima pessoas mas tinha um incrível bom gosto. Entrei em meu carro me despedindo dos caras e agradecendo pelo serviço, o que eles até estranharam, e me mandei dali. Em seguida, parei com calma em várias lojas de roupa mesmo sabendo que já tinha muitas e totalmente lindas, mas eu queria sentir o prazer de olhar, escolher, comprar com o meu dinheiro. Saí de várias lojas com muitas sacolas, umas moças até me ajudavam a chegar no meu carro, comprei tantas roupas, sapatos e acessórios que nem sabia se ia caber no meu quarto. Depois fui em um parque de diversões que me tirou algumas risadas ao ir nos brinquedos, comprei algodão doce que me trazia boas lembranças e tentei ficar bem enquanto sentava num banco por ali e olhava as pessoas se divertirem. Eu simplesmente me senti melhor. 

         Após seis dias, eu podia dizer que estava me acostumando com a rotina cansativa e corrida que era minha vida. Se antes eu reclamava da escola, aquilo não era nada em comparação as noites que praticamente passei acordada fazendo pesquisas e deixando meus trabalhos prontos, moda não era nada fácil como eu imaginei. Eu pensava em Louis constantemente em quase todas as partes do meu dia, o que não era nenhuma novidade, quase não consegui mais falar com ele depois daquela chamada de vídeo, mas não estava o culpando já que entendia como era ter tantos dias de agenda cheia. Eu estava me acostumando a dirigir sem frear a cada cinco segundos, estacionar e coisas do tipo mas podia dizer que dirigir era uma das melhores sensações do mundo, uma liberdade que eu sempre sonhei. Tinha que decidir mais coisas do casamento mas pelo menos contei com a opinião da Helena que agora me ajudava como madrinha de honra. 
             Chegaram umas encomendas na minha casa, os bolos que a Eleanor ficou de encomendar estavam totalmente velhos e cheios de bolor dentro das caixas, e as flores simplesmente não chegaram. Eu queria matá-la por isso. Tive o maior trabalho para jogar tudo aquilo fora, o que meu deu pena. Isso me lembrava que eu gostaria de fazer algum trabalho para a comunidade, ajudar alguém de alguma forma para limpar a minha mente com tantos problemas. 
Consegui uma pausa para descansar no fim da tarde, enchi uma garrafa d' água e coloquei uma roupa simples e confortável que parecia ser de academia, se é que eu fazia. Eu só queria perder pelo menos mais um quilo até o casamento, para garantir. 
                  Enquanto deixava meu jardim, o garotinho entregador de jornal do outro dia passava de bicicleta, atirando aqueles rolos como armas e com agressividade de que eu lembrava. Sorri para ele que estranhou, eu sabia a importância de um sorriso e só queria mudar aquela imagem ruim que as pessoas tinham de mim como uma garota esnobe. Peguei o jornal que caiu na grama a minha esquerda e comecei a correr pela rua que estava tranquila, eu conseguia correr e ler ao mesmo tempo, talvez fosse um dom. Ouvi um barulho virando a esquina e percebi que Mark estava correndo naquela hora também e tinha me visto, e então desviado. Suspirei e tentei alcança-lo.

- Hey, a gente pode conversar? -Mark nem me olhou, continuando a correr mas eu estava praticamente do seu lado. 
- A gente não tem nada pra falar. 
- Temos sim! Eu queria me desculpar, se você me disse aquele dia que nós não nos falávamos a anos então eu devo ser horrível.
- Na verdade você não mudou muito desde o último ano do colégio. -ajeitou seu cabelo enquanto tentava correr mais rápido para me deixar para trás. 
- Eu quero meu amigo de volta!
- Seu amigo?-ele parou. -Não. Eu nunca fui seu amigo, porque você era completamente idiota, irônica e imbecil, só servia para colar de mim, me usar e quando mais precisei de você...-disse ofegante. -Aí você já sabe. E se afastou de propósito, eu não era "legal" o suficiente para ser seu amigo na escola e você só podia sentir vergonha do nerd da turma, SeuNome. E na vida você ainda ainda é assim, cresceu e ficou esnobe, metida, mas eu fico feliz que conseguiu tudo que queria. E eu sou ainda mais feliz de saber que consegui vencer sem a sua ajuda. 

Aquilo era como um soco no meu peito, mas o que eu podia fazer? Ele tinha toda razão. Eu fui uma péssima amiga, e quando ele precisou eu dei as costas. No dia do meu aniversário, durante a aula de história estavam recolhendo os votos para presidente de organização da formatura, e as pessoas mais populares faziam indicações o tempo inteiro e aqueles alunos imbecis sem vontade própria votavam em quem os populares pediam. Acontece que dos populares, eu era a única com quem Mark falava, porque minhas amigas o odiavam. E ele tinha me pedido mais cedo para que eu o indicasse, já que precisava ser presidente da organização da maldita formatura para conseguir colocar no currículo e entrar em um curso depois do colegial que precisava de trabalhos extra curriculares, seu futuro dependia disso. Depois de Chris Heigh terminar de falar para votarem em seu amigo idiota, me deram a vez de falar. Mark me encarava do fundo da classe, mas eu simplesmente não consegui dizer para os populares e minhas amigas votassem no nerd. Por que as palavras não saíam? "Votem em qualquer idiota que seu coração mandar, ninguém liga pra essa droga de organização mesmo." foi tudo que eu disse, as garotas riram e eu tentei sorrir, mas ele estava triste no fundo da sala. E agora de me lembrar, me arrependia de cada palavra. E eu sabia que não adiantava. Anoite Mark ainda tinha ido me levar aquele presente estranho, como eu podia ser tão mal agradecida? 

- Me perdoa, Mark. De verdade, eu queria poder voltar no tempo e consert...
- É, mas não pode. -correu até uma quadra que aparentemente era particular ali do condomínio. 
- Droga, eu não sou mais essa pessoa, eu estou tentando mudar!-entrei ali também. Ele riu com ironia. 
- Depois de todo esse tempo te bateu remorso? Vai cuidar da sua vidinha perfeita que você ganha mais. 
- Perfeita?-ri. -Você consegue ser mais iludido do que eu. -me sentei em um dos bancos ali encarando o nada. Talvez não fosse mesmo adiantar essa tentativa de pedir desculpas. Eu não estava acostumada com isso. -Sabe, você não tem que acreditar mas eu me arrependo com todas as forças de ter sido babaca. Eu só queria uma chance de melhorar...e você sempre foi um ótimo amigo. O melhor que eu tive naquela escola. 
- Eu sei que fui. -ele se sentou do meu lado. Balancei as pernas sentindo a brisa mais forte mexer com algumas folhas no chão da quadra. -E percebi que tem mesmo algo diferente em você a dias, não estou te desculpando de nada. Mas acredito que as pessoas podem melhorar, passar a dar valor as coisas que tinham. 
- Obrigada. -falei. 
- Disse isso um pouco tarde mas...ainda sim disse. 
- Eu estou tentando recuperar o que eu perdi. -ele se levantou. 
- Então continua tentando. -deu de ombros e saiu correndo, respirei fundo. Balancei a cabeça e voltei a ler aquele jornal com atenção, quase perdi a noção da hora naquele ambiente. Eu precisava ir para casa e me arrumar o mais rápido possível. 



CONTINUA...

5 comentários:

  1. Sempre divando nas longfics, né, Sammy? Continua, ta perfeito!
    xxx

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  2. CONTINUAA TA MUITO ENGRAÇADO VC É PERFEITA
    VC FAZ O LOUIS MT BEEM
    BJUD

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  3. Vc é demais amei, só uma coisinha...tem como vc pedir para as outras postadoras do blog atualizarem as suas fics?
    xxLú

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  4. Você escreve muito bem, Lizzy, então não há muito o que dizer sobre os capítulos, pois estão sempre perfeitos! Continue logo, quero saber que é o tal de "J"!
    xoxo

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