Longfic - / Believe in Me (Parte 2)

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Capítulo 02 - Outra realidade

SeuNome P.O.V's

Eu...eu desejo. 
Eu desejo apenas Louis Tomlinson. Eu...desejo ser amada por Louis...Tomlinson. Louis Tomlinson. Eu desejo ser amada por Louis Tomlinson, não como uma apenas fã. Que ele me ame como eu o amo. Que ele seja meu.
Algumas palavras estavam rondando a minha mente, me enlouquecendo em meio a minha visão escura. Senti uma pressão terrível crescer no meu peito e na minha cabeça que estava ficando quente de tanto que as frases se repetiam, como se dezenas de vozes estivessem dizendo ao mesmo tempo. Dei um pulo brusco da cama ficando sentada nela. Afundei minha mão no colchão ao meu lado enquanto a outra eu levei a cabeça instintivamente pela dor horrível que estava sentindo. 

 

- Ai...- sussurrei baixo, para mim mesma. Eu estava de ressaca, e daquelas piores, que você sabe que está.

Quando subi meus olhos, foi ruim. Percebi com cuidado, que aqueles móveis não eram os meus, aquela cortina, aquele criado mudo, nada, absolutamente. Nem eram os móveis invejáveis da Helena, o que me fazia pensar que eu não dormi nem na minha casa, nem na dela. Então onde? Mas quando desci meus olhos...ai sim foi muito pior. Estava ao meu lado um homem que aparentemente me assustou ver sua silhueta maior do que eu, deitada virado para o outro lado, no meu lado e de modo que eu não pudesse ver seu rosto. Dei um pequeno pulo novamente com o susto, olhando em volta e procurando algo que eu pudesse usar para me defender ao acorda-lo. Com cuidado cheguei perto e o cheirei, ele não cheirava álcool e muito menos drogas. Olhei para baixo e me certifiquei de que eu também estava de roupa, o que era ótimo porque eu não tinha sido estuprada nem nada. Pelo menos era o que eu esperava.
SeuNome, ele pode ter te vestido depois. - dizia o subconsciente. 
- Ninguém estupra alguém e veste a pessoa!- murmurei baixinho tentando me convencer. Voltei ao homem,  ainda de costas pra mim, que percebi agora ser bem mais jovem do que eu esperava, eu o cutuquei com as unhas e ele se virou rapidamente pra mim resmungando e não abrindo os olhos. - Puta merda. El..ele é o...aquele de...é...
Louis Tomlinson, o cara que nunca saíra da minha cabeça e minha pessoa favorita no mundo, estava ao meu lado, num nível elevado de sono. Me belisquei porque com certeza absoluta aquilo era mais um daqueles malditos sonhos que iludem, e em alguns minutos minha mãe me acordaria mandando me levantar para ir a escola. O olhei melhor após piscar diversas vezes, "MEU DEUS, O LOUIS MESMO!" pensei ao perceber que nem esburacando meu próprio braço eu acordaria. 

- C-com...licença...- experimentei cutuca-lo com a unha outra vez e desta, ele se mexeu mais. 
- Amor, fecha a cortina?- bateu forte na minha bunda me afundando na cama. E ainda não abria os olhos. Eu estava assustada. 
- Hey...eu...Louis, me dá um autógrafo?- sussurrei percebendo que eu estava com halito de álcool. Me virei na cama, ouvindo um barulhinho irritante e logo deduzi que era a musica da abertura do Barney. Meu celular. Olhei o quarto procurando o barulho e descobri uma bolsa da LV no chão ao lado da cama. Peguei-o e tinha uma mensagem, só poderia ser da operadora como sempre.

" Querida SeuNome, eu não vou poder te buscar hoje, você pode pegar um táxi até o trabalho? 
xxx, Bill"

 

- Já falei pra você trocar esse toque, SeuApelido. -me virei. 
- Como sabe o meu nome?- meus olhos estavam arregalados. -Você tem uma escova de dentes reserva?- sorri sem graça. 
- No banheiro está a sua bolsa. - resmungou com voz de sono, e a cabeça enterrada no travesseiro. Levantei da cama olhando para trás e vendo o tamanho da bunda dele pessoalmente, era quase monstruosamente um bolo delicioso de carne azul. Era o que aquela calça de pijama o fazia parecer. Que lindo...Bati a cara na porta olhando para trás. Entrei no enorme banheiro bem iluminado, vendo que minha bolsa de higiene estava ali na pia. Escovei os dentes e arrumei o cabelo, tirei aquela maquiagem borrada da noite passada processando mil coisas na minha cabeça enquanto isso. Que droga, o que estava acontecendo? Por que minha mãe não tinha me acordado ainda? Se isso não é um sonho muito criativo da minha mente, então é o que? Não, eu estou sonhando sim, minha mãe que foi bondosa nessa manhã. Talvez ela esteja assim por causa do meu aniversário. Óbvio. 
Saí do banheiro e Louis ainda estava na cama, eu me aproximei com um certo cuidado, será que eu devia fazer o que dizia naqueles imagines idiotas? Talvez...? Bom, o meu medo de estragar um provável clima de romance no sonho era demais, eu queria acordar feliz. 

- Amor, volta pra cama. -se virou. 
- Ah, o autógrafo vai rolar?- sorri de ponta a ponta. -Tem que ser rápido antes que eu acorde!
- Te dou isso e qualquer outra coisa que quiser, gostosa. Vem cá, a gente ainda tem alguns minutos. - eu subi na cama e puxei a coberta, Louis me entrelaçou com os dois braços me apertando no peito dele. 
- E-e-eu estou s-sem ar...AR!- gritei quando ele me soltou. - Obrigada. 
- É, a festa foi boa ontem, hein?- levantou a cabeça ficando apoiado no cotovelo. Seu rosto era tão perfeito, muito mais do que eu imaginava que fosse pessoalmente, seus olhos eram pequenos e esverdeados e agora estavam bem perto de mim e aquele cabelo castanho bagunçado estava irresistível. Ele colocou a mão na minha cintura. Se soubesse o arrepio que me subiu, não faria isso. Olhando seu rosto inchado e lindo pela manhã, eu não resisti em lhe dar um beijo simples, que pelo visto ele aprovou. 
- Finalmente. - disse rindo e me soltou pulando da cama e esticando as pernas. Eu devia estar gritando AWN por dentro, eu já havia lido sobre isso em algum lugar e se chamava aquela merda de FanGirl Attack. Abracei um travesseiro para me controlar. Meu coração parou de dar opinião e meu cérebro voltou a funcionar. O que? Festa ontem? Que festa?
- Ah...Loueh?- disse e ele esticou a cabeça para fora do banheiro escovando os dentes. -O que quis dizer com 'A festa ontem foi boa"?
- Ah!- cuspiu voltando a falar com espuma na boca. Aw. -Você sabe, nós alugamos esse plaza, ontem estavam todos os seus amigos, os meus amigos, todos do trabalho e ficamos bebendo e nos divertindo até quase de manhã. Você não lembra?- perguntou estranhando. 
- Não, é claro que não. É porque isso nunca aconteceu.
- Nunca aconteceu? - ele riu irônico. - Foi seu aniversário de 23 anos, você estava doidona, até dançou na mesa e se eu não segurasse ia acabar dando para o Josh. 
- Pera ai, pera ai!- balancei a cabeça. -O que? Eu fiz 16 anos ontem! E nós não estamos juntos, Louis! Eu te amo demais mas a gente não se conhece. Isso é um sonho!- destaquei 'sonho'. 
- Sonho?- ele riu. - Sua ressaca está forte, querida. Vai trabalhar hoje?
- Trabalhar?- ele voltou olhando no relógio. 
- Merda do cacete! Anne que te pariu, porra. 
- Que isso, Louis?- arregalei os olhos.
- Coisa minha e do Harry, você não entenderia. -disse tirando a camisa do pijama na minha frente. Se eu tivesse um pênis, ele teria subido agora. - L-Loueh...O que está fazendo?- cobri meu rosto com o travesseiro e me levantei da cama. 
- Os meninos já devem estar lá embaixo. Mas...-me olhou enquanto eu pegava minha bolsa- se o Zayn se atrasa, eu também posso. Direitos iguais. - deu ombros. - Vem aqui, linda. - se aproximou de mim como se fosse me agarrar, aquilo estava muito real, arregalei os olhos e eu que ainda segurava o travesseiro o joguei nele, saindo correndo do quarto. Descalça, e de pijamas. Mas tanto faz, é um sonho, ninguém vai me ver de verdade.
- É um sonho, é um sonho. Acorda!- bati a cara na porta do elevador de propósito e caí para trás, de perna aberta bem na hora em que o elevador abriu na minha frente e um cara de terno engravatado saiu, me olhando como se eu não fosse normal. Levantei e entrei no elevador vazio, e antes que a porta fechasse vi o Louis na porta do quarto no final do corredor. Apertei rapidamente o botão para o térreo enquanto o via vindo correndo pelo corredor do andar na minha direção, as portas fecharam e suspirei sozinha no elevador. "Ai Deus, Louis Tomlinson queria me agarrar e realmente parecia real...-dei alguns pulinhos. Droga, por que eu estava correndo dele? Eu estava louca pra resistir e beija-lo era o que eu mais queria, mas meu coração estava pulando pela boca naquele momento. Simplesmente porque tinha que ser perfeito pra mim, não daquele jeito. Tudo aquilo era muito louco e eu estava muito assustada. Só consegui sair correndo.
Ao chegar no térreo, as portas se abriram e eu saí correndo e olhando para todos os lados. Era uma recepção muito bonita e chique, com um lustre enorme que estava sendo preso e eu quase derrubei o cara da escada quando passei por ele. O pior é que ali estava cheio de gente, por isso mesmo estando assustada, falei para mim mesma outra vez que era um sonho tentando convencer mais uma vez. Por isso parei de correr na hora, e agora joguei o cabelo para trás do ombro e comecei a andar normalmente, com um pé na frente do outro mas quem olhava nos meus olhos via que o que eu estava enfrentando não era nada saudável. 

- Com licença. - chamei a recepcionista. A primeira coisa que ela fez, foi me medir de cima a baixo. Tudo bem, nada está acontecendo de verdade. Eu NÃO estou só de camisola rosa pink que bate na minha coxa e descalça na recepção cheia de um hotel de luxo. Não estou. - Eu gostaria de saber onde estou, por favor. 
- Ah sim. - ela olhou para baixo com os olhos saltados. - A senhorita deve ser Se...
- SeuNome Completo, em breve Tomlinson. - uma voz amigável veio da minha direita. Virei o rosto e era um rosto que eu já vi antes. Na tela do meu notebook. 
- E-eleanor Calder? É você mesma?- toquei em seu rosto e ela sorriu.
- Eu estava na sua festa de aniversário ontem. Não se lembra? Você e o Louis...- seu sorriso agora era triste. - Parabéns.
- Pelo que?- quase gritei fazendo todos me olharem. Os encarei feio e voltaram a fazer suas atividades. Puxei a Eleanor pelo braço e comecei a sussurrar perto dela. - Daqui a pouco a minha mãe vai me acordar. Eu estou com medo desse sonho! Acho que um executivo viu a minha calcinha que diz 'olá'. 
- Desculpe?- levantou uma sobrancelha- Por que estamos sussurrando?
- Porque...- olhei em volta. - As paredes tem ouvidos...

Nessa hora, ouvi o barulhinho do elevador que havia chegado, as portas douradas se abriram e vi Louis Maníaco Sexual Tomlinson vindo de pantufas na minha direção, empurrei a Eleanor passando por ela e saí correndo para fora do hotel, olhei em volta e comecei a correr, atravessei a rua quase sendo atropelada e ouvindo comentários maldosos de motoristas que não conheciam meu dedo do meio amigo. Até agora. Um carro preto e bonito se aproximou de mim a porta de trás foi aberta, um rosto amigo me fez ter coragem de entrar. Pela janela vi Louis se aproximando as pressas do carro e pedi ao motorista que dirigisse rápido. Levei a mão a cabeça, que agora estava quente outra vez enquanto arrumava minha bolsa do meu lado.

- Helena, minha filha, você não faz ideia do que eu passei. Esse sonho está sendo longo demais, e bem mais realista do que eu estou acostumada, quando eu beijei o Louis senti de verdade, e quando atravessei a rua e senti a frente de um táxi raspar a minha perna também foi bem real...- falei tudo bem rápido, metralhando a Helena que agora me parecia diferente, mas...não sei. Parecia mais velha. Ela estava rindo. Rindo de mim? Não podia ser do motorista, então estava rindo de mim porque não havia mais ninguém naquele carro.
- SeuNome, você aceitou drogas ontem?- colocou a mão na minha testa.
- Não. Só bebi, você sabe!
- Ta bom. Olha só, você deve ter tido um sonho mas já acordou, ta legal?- me olhou. - E por que está vestindo uma camisola? Onde estão seus sapatos? Não recebeu a mensagem do Bill dizendo que não ia te buscar hoje?- bufou. -Então eu vim. 
- Você está diferente. - virei, olhando pela janela- Eu conheci Louis Tomlinson! E a namorada dele, Eleanor. - ela riu outra vez.
- Eu sei, você conheceu Louis a quatro anos! E a Eleanor não é namorada dele, de onde tirou isso? Olha, você realmente não parece bem. -eu a olhei com raiva, confusa, eu não sei.
- Para onde estamos indo, hein?
- Para o trabalho, não me diga que se esqueceu SeuNome! Eu vou cortar-lhe o pescoço!-falou nervosa.
- Eu estou com medo, não sei o que está acontecendo! Eu estou no colegial, nós duas estamos!
- Estou cansada de te ouvir falar. Não tenho nada aqui para te emprestar então vamos passar primeiro na sua casa e aí você troca de roupa e coloca um sapato. -parecia impaciente. -Já estamos atrasadas mesmo.

Eu suspirei, encostando a cabeça na janela e olhando o movimento de uma cidade inteiramente caótica.
[...] Depois de um tempo em perfeito silencio dentro daquele carro, com Helena se maquiando do meu lado, o motorista parou o carro em frente a uma linda casa azul de dois andares com um jardim perfeitamente verde. Eu me esquivei em meu banco olhando pela janela e a avaliando rapidamente. Era aquela a minha casa? Olhei para Helena e ela me devolveu o olhar que dizia algo como "Anda, desça do meu carro agora". Eu abri a porta me sentindo torta, propensa a tropeçar a qualquer momento e ela puxou a porta pegando seu celular e digitando algo.

- Te espero 15 minutos, mais que isso não. Vai lá e seja rápida. -assenti e corri até a casa, passei pelo lindo jardim e subi alguns degraus para a varanda. Aí que me dei conta que não tinha a chave da porta. Dei um tapa em minha própria cabeça por não ter pensado nisso e olhei para o carro, será que a Lena tinha? Claro que não, mesmo que ela permanece minha amiga não ia ter a chave da minha casa né...
Resolvi olhar debaixo do tapete de "Welcome" e nada de ter uma chave. Quando era mais nova, sempre sonhei em fazer como nos filmes, de guardar uma chave extra debaixo do tapete. Então lembrei de vasculhar a minha bolsa e achei bem no fundo dela. Peguei-a e abri a porta sem dificuldade, entrei e percebi logo ali na entrada uma estante com alguns livros e outras coisas, como fotografias. Parei para olhar os porta-retratos e alguns eu estava com Louis -a maioria deles-, sempre sorrindo e fazendo caretas/coisas loucas o que me fez sorrir instantaneamente. Doía tanto saber que eu não passei aquilo de verdade, os momentos que são as coisas mais importantes na vida. Era baboseira, mas tudo bem, continuei a ver, algumas eram minhas pequenas (fotos que eu me lembro), minhas com pessoas que eu não conhecia em festas e eventos e eu estava tão bonita e crescida...e uma dos meus pais juntos. Peguei aquela fotografia na mão observando como eles estava mais velhos agora. Porém o sorriso de ambos estava ainda maior, eu esperava que fosse de orgulho. Ouvi o carro buzinar lá fora e saí na porta, indo até o carro e me agachando na janela.
- Eu não vou hoje trabalhar, pode ir e diz que eu peguei hipotermia. -dei as costas após dizer a primeira coisa que veio na minha mente e ouvi-a começar a gritar:
- O que? Você não vai? O chefe vai te matar, sabe que ele odeia quando faltamos!
- Ah...é que eu...preciso de um tempo sozinha. -disse e entrei em casa, trancando a porta em seguida. Olhei pela janela acompanhando o carro rapidamente ir embora, desaparecendo no final da rua. Suspirei de olhos fechados deslizando até o chão com as costas raspando na porta. Sentada no chão, coloquei as duas mãos no rosto sentindo que era muita coisa para processar em uma só manhã. Resolvi tentar organizar meus pensamentos com as informações que consegui desde o começo da manhã para não enlouquecer de vez.

Eu tinha sido mais do que provada que não estava num sonho. Mas ainda não conseguia acreditar que não era. Então como eu estava num futuro surreal?
Segundo Louis, eu tinha feito 23 anos ontem, em vez de 16.
Eu era uma adulta, com longas pernas e peitões.
Louis era meu noivo.
Eu ainda tinha minha melhor amiga Helena -agora aparentemente mais velha- e ela trabalhava comigo e mais um tal de Bill.
Eu tinha casa própria, emprego e pelo visto, dinheiro.

Okay, era mais ridículo do que eu esperava. Aquilo tudo parecia verdade. Onde estavam meus pais? Eles tinham envelhecido, mas onde estavam? Eu sentia que estava sozinha no mundo naquele minuto, o que me desesperou. Eu nunca tive responsabilidade nenhuma, eu agora era uma adolescente presa numa vida criada pra mim que não é minha! Tentei me lembrar de algo que poderia ter causado isso, mas não conseguia. Eu simplesmente não me lembrava dos últimos 8 anos. Era como se eles nunca tivessem existido. Tomei força e levantei acendendo a luz da sala, e olhando em volta minha casa. Ela era muito bonita, grande e os móveis eram do meu gosto. Eu pude escolher meus móveis! Pelo menos o meu gosto ainda era o mesmo depois que virei adulta. Sentei no sofá respirando fundo e percebendo um anel com uma pedra preciosa linda no meu dedo, aquilo devia valer uma fortuna. Será que era meu anel de noivado? Fiquei o contemplando por um tempo e decidi que o guardaria para não perder. Olhei em cima da mesa a secretária eletrônica, resolvi apertar o botão e ouvir o que tinha ali.

" ALÔÔÔÔUU?! -ria- Aqui é a SeuNome Completo! Desculpe não atender, eu estou ocupada ou não estou em casa no momento, mas deixe a sua mensagem e eu retorno assim que puder. 

Biiip.

" SeuNome. Venha para o trabalho agora, não quero perder a paciência com você. Não é mais minha melhor amiga? Você nunca me deixa ir pro trabalho sozinha! Não fala comigo. " -era a voz de Helena. Outra mensagem começou.

" Alô? Oi amor, aqui é o Louis. Só liguei para lembrar que vou te buscar as 20 horas pra festa. Estou ansioso, sei que também está. Vai ser quente, gata! Desde já, feliz aniversário, panqueca. " -essa era de ontem. Ok.

" Amiga?! Sua gostosa! Adivinha? eu cheguei no Peru, vou fazer muitas compras em todos os lugares com meu novo namorado, levo uma lembrancinha pra você tá? Um beijão, me liga quando puder. "
 -eu não conseguia reconhecer essa voz. Eu tinha arranjado novos amigos?

" Oi. Eu sei que você nunca atende o telefone porque está sempre ocupada e eu já cansei de cair na secretária eletrônica, bebê. Mas hoje é o seu aniversário, eu e seu pai não poderíamos estar mais felizes e orgulhosos de você. Desculpe as confusões de seu pai com Louis, nós prometemos que nunca mais nos comportaremos mal como no noivado de vocês. O seu sonho de menina se realizou, aquele menino que você tanto idolatrava apaixonou-se por você, filha! Uma fã! Ele reconheceu o quanto você é especial e até hoje eu me pergunto como isso é possível. Claro que eu sei de famosos que se casaram com fãs como o Elvis e Tom Cruise, lembra que nós sempre falávamos dele? E se você vai se casar com Louis e ser feliz eu e seu pai estamos muito felizes também. No momento estamos naquela viajem de iate para a América o Sul, dá pra acreditar? Está sendo perfeito! Bom, nós queríamos estar aí agora, mas você disse que não nos queria no seu aniversário. -ela suspirou- Aliás, como sempre. Não se preocupe, coração de mãe aguenta as mágoas, e nunca pega ódio de seus filhos. -fez uma pausa- Eu te amo querida, feliz 23 anos! "

Terminei de ouvir a mensagem da minha mãe sentindo algumas lágrimas descerem. Me perguntava quando foi que virei uma filha tão ruim assim. Eu falei que não queria ela e o meu pai no meu aniversário? Onde estava com a cabeça? Desliguei a secretária eletrônica com medo de mais descobertas do tipo. Daqui a pouco é capaz de um clube de Strip ligar e perguntar se vou trabalhar hoje. Mas sem brincadeiras, eu estava com um pouco de medo do que me tornei. Quer dizer, por que eu sonharia algo assim? Fui olhar a minha casa, ela estava tão silenciosa...Subi as escadas e fui entrando nos quartos, olhando um por um e então os banheiros que ao todo eram três. Não terminei de olhar toda a casa, simplesmente desci e voltei a pensar no que eu faria. Se aquilo não era um sonho, o que era então? Se eu contasse para alguém ou pedisse ajuda, eles acreditariam em mim? Porque mesmo o Louis e a Helena não acreditaram. Será que iria ficar presa a essa vida? Eram tantas perguntas ao mesmo tempo. Eu só queria descobrir que tudo é um sonho e acordar para ir a escola. Em outras circunstancias, eu teria nojo da ultima frase mas agora, nem sabia dizer o quanto estava assustada.

Tirei aquela camisola que eu ainda vestia pensando na vergonha que eu passei sem saber ao usar isso na frente de todo mundo na recepção do hotel. Após achar na parte de trás do meu quarto um closet enorme, com tantas roupas que eu quase caí para trás, escolhi uma, calcei uma sapatilha completamente maravilhada com as coisas que na hora comecei a chamar de "minhas!". Tá bom, vai ver nem era tão ruim assim. Aquelas roupas, bolsas, sapatos eram tudo que eu sonhei, nunca nem imaginei que teria tantas coisas quando crescesse. Guardei meu anel numa das bolsas ali me sentindo mais tranquila já que eu sempre perdia as coisas de valor. Me encarei num espelho de corpo todo ao lado do closet prestando mais atenção em mim mesma. Eu estava com traços de mulher, assim como meu quadril e seios tinham aumentado. Nossa, que coisa estranha de dizer.
Saí na porta da minha casa olhando aquele jardim que eu estava caída de amores e olhei para a rua. Todas as casas eram praticamente idênticas, seguiam o mesmo padrão de arquitetura e os mesmos jardins. Isso eu não tinha percebido, que coisa mais imbecil. Logo eu que sempre gostei de ser diferente tinha aceitado morar num condomínio assim? Após essa observação senti algo se chocar contra mim, eu senti meu rosto arder e percebi que tinha sido atingida por um jornal enrolado dentro de um plástico. Juntei-o do chão de cara feia e olhei para a rua onde um menino passava rapidamente de bicicleta literalmente atirando jornais como se fossem facas para acertar uma pessoa inocente, tipo eu. Corri até ele esbravejando, o menino se assustou quando me viu correndo atrás dele pela rua e freou com a bicicleta, caindo com tudo no chão e batendo a cabeça na cerca de uma casa.

- EI! VOLTA AQUI SEU ABUSADINHO! ARGH, SEU MELEQUENTO. -o menino me olhou e levantou do chão com a mão esfregando a cabeça, e agora tentando correr, mas eu o alcancei a o puxei pelo braço antes.
- ME SOLTA E PARA DE ME PERSEGUIR SUA MALUCA! Eu vou chamar a polícia! Ai...minha cabeça, ai.
- Viu como é né? Ham, deixa eu ver isso. -o puxei rispidamente e olhei sua cabeça.
- Não machucou, só fez um galo. -disse ironicamente. No meu tempo de infância, as crianças não eram irônicas. -Você não vai se desculpar por ter me feito cair da bicicleta?
- Não vai se desculpar por ter acertado uma dama com um jornal?
- Não estou vendo dama nenhuma, só uma ogra com peruca.
- Olha como você fala comigo, pirralho!- o soltei percebendo que eu estava rindo.
- Que foi, moça, enlouqueceu? Nunca viu ninguém entregar jornal não?
- Eu...já. Mas você me acertou e eu estou tendo um dia ruim. -me lamentei balançando a cabeça.
- As pessoas da rua não estão nem aí. Tipo eu. -puxou seu próprio braço com força tomando distancia de mim.
- Tá bom, me desculpa. Eu não quis machucar você.
- Tudo bem. Você é uma mulher nervosa.
- Eu não sou uma mulher, tenho dezess...-ele me olhava como se eu fosse maluca. E talvez estivesse mesmo. Pigarreei sem continuar. - Hm. Eu sou SeuNome. -estendi a mão e ele olhou com nojo. -Eu sou limpa, não tenho doenças não, quer um atestado médico antes de apertar a minha mão? Faz isso com todo mundo?
- Não é isso, é que eu te conheço só por vista. Você é a garota mais esnobe desse bairro, todo mundo sabe.
- O que? Eu não sou esnobe. -ele me olhou com uma cara estranha. - Caí fora logo, moleque. -disse e ele deu de ombros, levantando a bicicleta e voltando a pedalar longe de mim até finalmente desaparecer da minha vista. Juntei um jornal do chão e tirei-o do plástico, fui olhar a data para ter certeza. "16 de maio de 2020". É, tudo se encaixava. Eu tinha mesmo feito 23 anos ontem.

Fui andando calmamente pela rua até em casa novamente, analisando o jornal e tudo mais, e quando cheguei em frente a "minha casa", percebi um garoto loiro sair de dentro da casa da frente, que era a única que era diferente das outras. Forcei a vista e percebi que o conhecia, e muito bem. Atravessei a rua e fui até a frente de sua casa, e ele que segurava o mesmo jornal que eu e um copo de café me olhou estranhamente.

- Mark! Finalmente!-corri para o abraça-lo e quando fiz, ele não retribuiu, apenas ficou parado estranhando minha reação. -Ainda somos vizinhos!-disse surpresa.
- Aham, é. -olhou para os lados. -O que você quer?
Ele parecia estranho, e claro, não por parecer mais velho. E sim por sua expressão não ser mais do nerd sorridente de aparelho e simpático que eu conhecia. Agora ele parecia um homem de uns vinte e poucos anos intelectual e sem brilho algum. Onde estava seu sorriso de todos os dias?
- Eu te vi aqui, saindo da sua casa e pensei em dar um oi...e... -o soltei percebendo que ele não ia retribuir. É que era bom ver um rosto amigo numa situação daquelas.
- É que você nunca faz isso. Mas tudo bem, dizem que o mundo fica cada vez mais louco, não é?
- Nem me fala.
- Então era só isso que você queria? Dar 'oi'?-assenti feliz por vê-lo ali. - É que parece que faz anos que não nos falamos. -que ridículo, era aquilo mesmo?
- E por quê?
- Nada, esquece, já faz muitos anos. -me deu as costas, em direção a porta da sua casa. -Tenha um bom dia.
- Não! Mark! Por favor me conta, eu quero saber! -ele se virou com um suspiro.
- Antes do colegial acabar você começou a ter vergonha de mim, não lembra disso?-balancei a cabeça afirmando que não. -Pois devia. Eu estou muito ocupado, SeuNome, até mais ver.

O quê? Tudo bem que o Mark era um mala e ninguém o queria perto, mas sem as minhas amigas saberem, eu ainda era a melhor amiga dele. Mark entrou em sua casa e eu suspirei ali sozinha. Ele nem sequer me olhou antes de entrar. Me belisquei em busca da cura para aquilo. Eu de fato não estava sonhando. Um frio na barriga e aquele terror me voltou, como se corroesse meu estômago. Eu estava mesmo ali, e era melhor começar a acreditar naquilo. E que droga eu tinha feito da minha vida?

CONTINUA...

Amores! Obrigada pelos comentários, espero que estejam gostando. 
Vai ter um pouco de suspense no próximo capítulo, só pra avisar. 
Vocês são maravilhosas, obrigada,

24 comentários:

  1. Amei essa.fic é tipo o filme Derrepente.30.ne?eiii Continua

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    1. Que bom, amr. Sim, é inspirado como eu disse q ia ser ;)
      Pode deixar!
      xxx

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  2. Mds perfeito, posta hoje mais Liz
    divou lacrou sambou
    amo os longfics desse blog são os melhores

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    1. Aww obrigada anjo, eu disse que vou postar dia sim dia não para ficar organizado pra vocês e pra mim, ok?
      Você é um amor, obrigada mesmo :)

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  3. CONTINUAAAAAA TA PFTOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

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  4. AAAAAAAAAAI COMO VC FAZ ISSO E PARA AI ?? CONTINUA MULHER

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  5. Melhor longic amando
    continua diva

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  6. P-E-R-F-E-I-T-O responde no facebook ,preciso fala com vc princesa
    a fic ta perfeita ,continua logo amei essa seunome ela é doidinha ashuashuashua perfeiçãaao
    bjus

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    1. Obrigada princesa, fico feliz que gostou :D Você já mandou solicitação? Se não, manda ou então o link que eu te adiciono. Kkkk sim, ela é doidinha, obrigada de novo!
      xxx

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  7. Fiquei atualizando de 5 em 5 min e quando vc postou eu dei um grito aqui e comecei a ler, tá perfeita. Rindo demais até agora com a Sn correndo do Louis, mas eles vão se dar bem né? vão acha q ela é louca agora com essas histórias de "sonho". Fiquei sem palavras é a melhor longfic que eu já li vc sempre me surpreende sua diva.
    CONTINUA :))))

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    1. Awww cara q saudade! Você aqui kkkkk fico feliz q vc riu! N sei n, lê q vc descobre! kkkkkkkkkk com certeza.
      Fico muito feliz de saber disso, espero q goste das próximas partes.
      xxx

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  8. Continua? #táperfeito

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  9. Lizzy do céu como voc consegue escrever assim ? Posta mais hoje cara pf te amo e apaixonada por esse fic !

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    1. KK que isso, vou postar daqui a pouco. Muito obrigada, te amo mais :)
      xx

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  10. Espero que você poste logo a terceira parte desse imagine, porque eu acho que não vou conseguir esperar. Você escreve muito bem e conseguiu me fazer rir em muitas partes. Pra ser sincera, eu gostei tanto desse imagine por parecer bastante com um dos meus filmes favoritos que com certeza lhe serviu de inspiração pra escrever isso aqui: De Repente Trinta. CONTINUE ♥

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    1. Vou postar daqui a pouco, aww kk! Fico mt feliz com isso, obrigada. Sim, é inspirado nesse filme como eu tinha dito antes de começar a postar, também foi um dos meus filmes favoritos na infância.
      Pode deixar, vou sim.
      xxxx

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