Adeus Imaginação Directioner + destino de "Remember?"

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Hoje eu tomei uma triste decisão, sim, eu vou sair do blog. Sinto falta de ter uma coisa só minha e como eu não estou postando mais frequentemente como antes, resolvi postar "Remember?" somente no meu blog (que vou deixar o link logo no fim desse post). Não quero que ninguém fique com raiva de mim, mas o blog está um pouco abandonado, então se não tem movimento acho melhor parar de postar aqui. Antes de tudo eu quero agradecer a Lizzy que a quase um ano atrás me deu a oportunidade incrível de postar aqui e aperfeiçoar minha escrita. Esse blog foi muito importante pra mim e eu o acompanho desde o começo, mas para mim não dá mais para continuar aqui. Espero que entendam e não, eu não vou parar de escrever, apenas vou sair do blog para continuar postando no meu. Todos os capítulos de "Remember?" já foram excluídos daqui e já estão no meu blog. Eu quero agradecer a cada uma de vocês que me acompanham desde o começo aqui no blog e agradecer cada visualização e cada comentário, amei tudo isso e amo todas vocês!

 Caso ainda queiram acompanhar "Remember?", ela estará sendo postada no meu blog LINK AQUI, espero vocês lá. Beijos, Becks.

Moments: Capítulo 23

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So, come on, let it go. Just let it be...

DIAS DEPOIS...

Zayn Malik

Sendo sincero, eu não tinha ideia do que eu estava fazendo ali. Por algum motivo que eu nunca consegui decifrar qual, eu estava sentado no meio de uma boate com um dos caras que costumava ser a melhor companhia para uma noitada (sem ser uma figura feminina), e não estava me sentindo muito a vontade. Desde que pisei meus pés aqui, eu observava tudo calado e com uma garrafa de água mineral na mão, no lugar de uma bebida que eu provavelmente pagaria mais do que deveria. 

Eu percebi que Anthony me olhava de forma estranha, talvez pensando o que havia de errado comigo naquela noite, mas eu não podia negar que pensava o mesmo. Quer dizer, não me leve a mal, eu sempre gostei de uma boa festa e nunca me importei com a ressaca que eu teria na manhã anterior, mas naquela noite, em especial, eu não estava muito confortável no meu "habitat natural"

Há alguns anos atrás eu provavelmente já estaria indo embora com uma groupie peituda e interesseira para mais uma noite onde eu faria coisas que não me lembraria de manhã. 

Na verdade, acho que é esse mesmo o meu problema. A presença de uma mulher completamente diferente do que eu descrevi segundos atrás me fez perceber o quanto isso é uma perda de tempo. Parece que Dora Devine conseguiu me mostrar o seu lado das coisas. E surpreendentemente, acho que essa visão combina muito mais comigo.

— Eu preciso dizer o que estou pensando? - ouvi a voz de Anthony do meu lado, me tirando dos meus pensamentos.
— Não, porque eu estou pensando o mesmo. - respondi tomando um gole de água, olhando para as pessoas dançando alguma música eletrônica.
— Mate, não me leve a mal, mas você está muito estranho desde a última vez que nos vimos. Parece até que está apaixonado...

Poderia ser cômico se não fosse tão verdade. O meu silêncio serviu de resposta para a indireta do meu amigo. Ele arregalou os olhos e abriu um sorriso sacana, o que me fez balançar a cabeça negativamente e começar a rir.

— Isso é mesmo sério? - ele questionou e eu continuei em silêncio - Cara, eu zoaria você se eu não tivesse tão... Quer dizer, você ficou muito mal depois do...
— Eu sei, eu sei. - respondi o encarando - Ela têm me deixando meio louco, cara.
— E quando você diz ela você se refere á...
— Você não a conhece. - respondi prontamente, vendo-o assentir.
— Acho que você precisa de uma boa companhia pra colocar sua cabeça no lugar.
— Não estou muito a fim hoje, dude.
— E o que você pretende? Passar a noite toda aí sentado com essa cara de bosta?
— É, não me parece uma má ideia.

Percebi que ele ficou meio irritado, mas nenhum de nós abriu mais a boca, e logo eu fui deixado sozinho novamente, ouvindo meus pensamentos começando a surgir. Meus olhos corriam ao redor e a minha sensação de desconforto ainda era muito presente. Qual é? Era a primeira vez desde a minha existência que eu simplesmente não tinha vontade alguma de conversar com alguma garota ou apenas beber até cair. O sentimento era estranho, mas até revelador.

Eu sempre ficava bravo com a minha mãe quando ela me dizia que eu era um cara sensível. Dá pra entender, esse tipo de afirmação é quase uma blasfêmia contra a masculinidade de qualquer homem, mas eu estava começando a entender e concordar um pouco com ela. Eu sempre quis provar o contrário pra todo mundo, fazendo exatamente o que Anthony estava fazendo agora: bebendo como um louco, rodeado de mulheres e dinheiro, que particularmente, eu não sabia de onde saía.

Mas depois de ter terminado o meu noivado com a Perrie e ter percebido que eu tinha ficado realmente machucado com tudo isso, eu lembrei da minha mãe e de suas palavras. Sim, eu era um cara sensível. Mas um cara que não tinha ideia de como lidar com tudo isso. E acho que a pior parte era ter que admitir que, depois de tanto tempo, eu estava voltando a me sentir do mesmo jeito que me senti quando conheci a Perrie.

Só que dessa vez, havia algo muito diferente nisso tudo. 

Com a Perrie, foi fácil decifrar. Até porque eu meio que fui forçado a gostar dela, apesar de ter gostado mesmo assim (até a pedi em casamento!). Eu a amava, e isso eu já sabia desde o começo da nossa relação. Era um amor intenso, daqueles que até doem quando você sente falta. Mas agora, neste exato momento, analisando tudo o que vivi nos últimos dias, eu não tinha essa certeza.

Dora Devine. Era o tipo de garota com quem eu sempre tive medo de me relacionar. Muito inteligente e esperta, atenta e ótima ouvinte, porém com um gênio difícil de lidar. Muito difícil por sinal. Tanto que o primeiro sentimento que consegui decifrar quando a conheci foi o ódio. Eu realmente a odiava, e quanto mais longe dela eu pudesse ficar, era melhor. Mas isso começou a mudar drasticamente. Agora, tudo o que eu queria era estar perto dela.

Aquele dia, no London Eye, não havia sido muito planejado. Mas se fosse não daria tão certo. Eu conheci uma Dora completamente diferente da Dora prepotente e grossa com quem eu tinha que lidar todos os dias. Ela se doou por completo, e isso acabou causando o mesmo desejo em mim. E pela primeira vez, eu realmente não queria que aquele dia acabasse, a presença dela ali, pra mim, não era melhor que nada nesse mundo. Foi quando eu tive acesso a um sentimento diferente do ódio. Mas eu não sabia o que era.

— Oi, gato!

A voz ao meu lado chamou a minha atenção, e quando voltei meus olhos para a moça que estava ao meu lado, quase engasguei com a visão que eu tive. Estava claro que havia silicone em cada parte daquele corpo, mas não dava pra não notar o que estava por detrás daquele vestido que poderia facilmente ser confundido com um pedaço de pano qualquer, de tão pequeno que era. E eu me perguntava como ela conseguia respirar com todo aquele... Negócio debaixo de seu pescoço.

— Ahm... Olá! - abri um sorriso totalmente forçado, tentando ser gentil. Pareceu convencer, pois ela sorriu e se aproximou.
— Você não é Zayn do One Direction? - ela alargou seu sorriso, e naquele momento eu sabia exatamente o que ela queria.
— Sim, sim. Sou eu. - dei um gole naquela água quente que eu segurava desde que cheguei, quase cuspindo tudo pra fora.
— Eu sou muito fã da sua banda! - ela disse animada, me fazendo abrir outro sorriso - Você poderia... Tirar uma foto comigo?
— Claro.

Feliz como criança no colo de Papai Noel, ela pegou seu celular e se aproximou ainda mais de mim, fazendo um biquinho estilo Kylie Jenner bem perto da minha boca. Apenas abri um sorriso sem mostrar os dentes e logo vi nossos rostos sendo capturados pelo flash. Sorridente, ela guardou o celular, e como se fosse possível, se aproximou mais.

— Então... Você está acompanhado essa noite?
— Não. Quer dizer, eu vim com um amigo, mas ele está perdido por aí. - falei sentindo o perfume dela invadir minhas narinas. 
— Ah, tadinho! - ela disse como se estivesse falando com um bebê, o que quase me fez rir - Já que está sozinho, quer que eu fique aqui com você?
— Não, tudo bem. Estou bem sozinho.
— Ah, que isso, que tipo de pessoa dispensa uma gostosa dessas? - vi Anthony aparecer atrás dela e logo entendi o que estava acontecendo. 

Rapidamente me levantei, deixando o copo em cima do balcão, sentindo a raiva começar a aparecer. Era óbvio que Anthony havia mandado aquela garota aqui, não sei como não percebi isso. Antes que eu pudesse dar um passo na direção de qualquer lugar longe daqui, senti a mão de Anthony no meu braço, me impedido.

— Ah, qual é, Malik? Eu só queria ajudar você a se animar um pouco, dude. Você estava aí, todo triste e pensativo. Qual é? Nós não viemos aqui pra isso!
— Sendo sincero, Anth, eu não sei nem porque eu vim pra cá. Acho melhor eu ir pra casa.
— Fala sério! Você nunca rejeitou festa nenhuma!
— Eu só não estou a fim, cara, não força a barra. - falei soltando meu braço de sua mão.
— Para com isso, cara. Vamos aproveitar a noite! Olha o tanto de garotas que tem por aqui, a gente pode se dar bem! - respirei fundo, tentando manter a calma.
— Curte aí sozinho, eu tô vazando. - senti sua mão em meu braço novamente, o que fez meu sangue subir. Me livrei de sua mão novamente, agora sem nenhum pouco de delicadeza ou gentileza.
— Qual é, cara! Eu tô tentando te ajudar!
— Não tô precisando da sua ajuda, cara. - respondi irônico, vendo que algumas pessoas já se aproximavam para ver o que estava acontecendo - Agora me deixa em paz e vai curtir a sua festa com quem quiser.
— Sabe de uma coisa? Depois que você entrou nessa banda de merda, você tem agido como uma bichinha.
— Yeah, yeah. Fuck it. 

Tentando me acalmar, saí desviando das pessoas no meio da multidão, tentando encontrar a saída daquele lugar. Mas no meio de tantos corpos que se esbarravam em mim, encontrei um que eu reconheceria de longe. Só havia uma pessoa que viria para uma festa vestida daquela forma.

Dora Devine

— A senhorita pode pelo menos me dizer pra onde está me levando? 

Giovanna apenas me alargou um sorriso e voltou a olhar para a cidade através do vidro do táxi, sem me dar resposta alguma. Eu nem preciso dizer que aquilo me deixou bastante irritada, certo? Quer dizer, eu adoro surpresas (de vez em quando), mas aquilo estava me ocorrendo com frequência e eu já estava ficando cansada de todo aquele negócio de suspense. Parecia que eu estava vivendo num loop infinito de surpresas.

Depois de ficar algumas horas trancada no meu quarto fazendo alguns trabalhos da faculdade e fofocando sobre a vida alheia com Emma, ouvi umas batidas na minha porta e vi uma Giovanna agitada e arrumada demais para o meu gosto. Quero fazer alguma coisa hoje á noite, ela disse, e eu não tive muito como recusar. 

Agora aqui estou eu, tentando decifrar cada caminho que esse taxista está fazendo, e sentindo meu corpo ser corroído pela curiosidade e ansiedade já costumeiras. Quando o carro finalmente estacionou, eu olhei para a construção bem do meu lado e li o letreiro grande e brilhante dizer que estávamos diante de uma das boates mais famosas e visitadas da cidade de Londres. A imponente Maddox. E eu estava parecendo uma mendiga prestes a pedir esmolas. Encarei Giovanna.

— Você poderia ter me avisado que estávamos vindo a uma boate cheia de gente famosa, né, assim eu poderia ter colocado uma roupa, sei lá, menos pano-de-chão?! - questionei irônica para a minha amiga, que revirou os olhos.
— Dora, desde quando você se importa com isso? - foi a vez dela questionar, cruzando os braços - O que você estava planejando usar? Um salto 15 centímetros e um tubinho preto? Isso não tem nada a ver com você. Isso - apontou para minhas roupas - tem! Agora desce do carro, vamos beber e dançar!

Eu não tinha muitas opções, então desci do carro com os olhos quase caindo de tanto os revirar e segui até a entrada da boate ao lado da minha melhor amiga maluca. Achei o preço da entrada meio caro, mas como eu não sabia voltar pra casa e também não queria chatear Giovanna, paguei assim mesmo e logo pude ver as luzes de dentro da boate e um monte de gente dançando de se acabar ali. 

Não preciso mencionar o quão desconfortável eu estava, né? Quer dizer, todo mundo ali claramente tinha condições de comprar a Chanel sem nem pestanejar, e se vestiam como se estivessem prontos para um red carpet de uma premiação muito importante. Bom, Gio estava certa, o que eu estava vestindo era bem minha cara, mas não estava tão bom assim parecer tão diferente de todos. Mas eu com certeza me daria bem numa balada hip-hop.

Giovanna me arrastou até onde estavam as bebidas e eu pedi qualquer coisa que não tivesse mais que 1% de álcool. Eu não estava muito a fim de dançar e, ao perceber isso, minha amiga sentou-se ao meu lado enquanto balançava o esqueleto ao som da música que tocava, olhando vez ou outra para a multidão que fazia o mesmo não muito longe de nós. Além de uma excitação clara por estar se divertindo em Londres, havia mais alguma coisa no sorriso de Gio que eu não conseguia decifrar. 

— Tem algo pra me contar, não tem? - eu mal acabei a frase e já vi um sorriso enorme aparecer no rosto da minha amiga, que deixou bem claro que meu irmão estava no meio.
— Você me conhece mesmo, né? - eu ri junto com ela, mesmo vendo que seu sorriso tinha um pingo de hesitação. - Certo, não acho que aqui seja um bom lugar pra contar, mas eu não consigo mais segurar.
— E nem vai. Você vai acabar me matando de curiosidade e você com certeza não vai querer passar alguns anos na cadeia! - ela assentiu rapidamente, rindo, e respirando fundo.
— Tudo bem, vamos lá. - se ajeitou na cadeira ao meu lado, respirando fundo mais uma vez e tentando reprimir um sorriso. - Lembra que essa semana seu irmão teve a ideia de me levar pra conhecer a cidade? - eu assenti, alargando o sorriso - Bom, nós visitamos vários pontos turísticos, mas como estávamos morrendo de fome, fizemos uma pausa num restaurante super fofo. Entendi que algo estava errado quando no lugar da minha pizza, recebi uma rosa vermelha e um guardanapo.
— Um guardanapo? Como assim, eles estavam pensando que você iria comer a rosa ou algo do tipo? Gente, existe doido pra tudo nesse mundo...
— Claro que não, Dora! - ela começou a gargalhar - Me deixar terminar de contar!
— Tá, tá! Vai, continua.
— Bom, não era um guardanapo qualquer. Quando eu o abri, já que estava dobrado, li uma frase que quase me deu um ataque cardíaco. Estava escrito "Will you be my girlfriend?", e no mesmo instante em que eu lia, começou a tocar a música da Alanis Morissette.
— Ou seja...
— Oficialmente, eu sou sua cunhada!

Eu engasguei com minha bebida e comecei uma crise de tosse, repassando aquela frase na minha cabeça um milhão de vezes. Não dava pra creditar que, finalmente, meu irmão deixou de ser cego e abriu os olhos para a realidade mais óbvia com a qual ele poderia se deparar. Giovanna, agora, além de minha melhor amiga de todos os tempos, se tornou a cunhada que eu pedia a Deus. Valeu aí, Universo!

Sem pensar muito, eu pulei em cima de Giovanna dando e recebendo um abraço apertado no meio de um monte de palavras que ambas falavam, mas não ouviam. Comecei a pular e logo essas palavras se tornaram risadas e, logo depois, uma dança bem esquisita a caminho da pista, onde as pessoas não dançavam muito melhor que nós.

— Dora Devine me arrastando para a pista de dança? Em que mundo paralelo estou vivendo no momento? - ela gritava sob' a música, balançando os quadris.
— Num mundo paralelo onde minha melhor amiga se tornou minha cunhada!

Sabe aquele desconforto que eu estava sentindo quando cheguei aqui? Bom, ele não existia mais e eu o impedia de voltar. Acho que eu nunca tinha dançado tanto na minha vida como estava dançando naquele momento, e o melhor: sem me importar com quem estivesse me vendo. Tanto que eu esbarrava o tempo todo em alguém, e como estava muito ocupada tentado cantar aquela maldita música que quase não tinha letra (por isso eu não gosto de músicas eletrônicas), nem me preocupava muito em pedir desculpas, e a pessoa também não parecia se importar muito com isso.

Mas vi que eu deveria um milhão de desculpas por ter caído por cima de um pobre coitado tão magro que provavelmente tinha quebrado as costelas, ainda mais por eu estar por cima dele com aquela típica cara do meme "que que tá conte seno?". Sem perceber, acabei pisando forte no pé do cara, e por estar com o pé preso debaixo do meu, ao tentar se esquivar do meu corpo caindo, ele acabou caindo junto e no pior lugar que eu alguém poderia decidir cair (não que ele tivesse muitas opções): debaixo de mim. Pesada.

— Meu Deus, perdão, perdão! - eu estava quase cantando a música do Justin ali, de tanto constrangimento que eu estava. Quem sabem, fazer até a coreografia.
— Não, tudo bem. Isso acontece. 

Me levantei rapidamente, enquanto minha mente processava aquela voz e aquele sotaque que me parecia tão familiar. Quando vi aquele rapaz se levantar e colocar seus olhos em mim, meu coração começou a pular rápido demais pro meu gosto dentro do meu peito, e na minha mente várias imagens começaram a aparecer, fazendo minhas bochechas entenderem o sinal e começarem a ficar vermelhas.

Ali, bem na minha frente, coincidentemente, estava o cara que decidiu invadir meus sonhos nos últimos dias. Zayn Malik. Da mesma forma que eu, ele estava parado na minha frente, olhando pra mim como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. E percebi que ele também parecia envergonhado com a situação.

Bom, a verdade é que depois daquele dia (que eu não esqueceria nem em um milhão de anos) no London Eye, nós não nos falamos mais. Não por infantilidade ou algo do tipo, mas por falta de tempo mesmo. Ele tinha poucas semanas antes de começar a turnê que duraria nove meses, e eu, como sempre, estava fazendo trabalhos e estudando o tempo todo, já que era fim de semestre e eu precisava estar pronta para as provas.

Mas ali, naquele momento, tudo veio a tona como se tivesse acabado de acontecer. Eu não sabia nem o que fazer. Olhei para o meu lado, para talvez pedir ajuda para a minha amiga através do olhar, mas percebi que ela não estava mais ali, o que já era de se esperar. Falei dele a semana toda pra ela, e com certeza ela quis deixar esse momento ser só nosso. Nunca odiei tanto minha amiga.

— Você se machucou? - ele perguntou depois de um longo período de silêncio.
— Não, eu estou bem. E acho que eu deveria ter perguntado isso pra você, afinal, não fui eu que recebi um peso enorme nas costelas. - ele riu, me fazendo sorrir.
— Você deveria parar de ser tão cruel consigo mesma, Dora.
— Posso saber porque?
— Porque você é linda.

Aquele babaca sabia mesmo como me tirar os eixos. Os olhos dele me passavam uma verdade tão grande, que eu me sentia ainda mais envergonhada. Pela primeira vez na vida, Malik conseguiu me fazer sentir assim de um modo um tanto avassalador. Eu não sabia o que fazer ali, então como num ato automático, eu sorri e manti o silêncio entranho que já estava entre nós. E ele resolveu quebra-lo.

— Eu estava indo embora, mas eu vi você aqui e resolvi...
— Se aproximar sorrateiramente e me fazer esbarrar em você. Bom, deu certo! - eu revirei os olhos teatralmente, arrancando dele outra risada.
— Essa não era muito bem a minha intenção, mas no fim e tudo, eu consegui falar contigo.
— E o que você queria falar comigo?
— Acho que eu não queria falar isso aqui, não acho um lugar apropriado.
— Então pra onde vamos?
— Eu tenho um plano.
— É claro que tem.

Ele abriu um sorriso largo e me puxou pela multidão para um lugar que eu, adivinha, não sabia onde era. Acho que o destino quer que eu me acostume com essa situação.

*** ***
A vista ali de cima era de tirar o fôlego, e a cidade ficava ainda mais bonita durante a noite. Todas as luzes estavam acesas, carros passando para todos os lados e pessoas também seguiam seus caminhos pela calçada, indo e vindo. Eu não sabia como Zayn conhecia aquele lugar, mas com certeza, era o mais bonito que eu já tinha visitado aqui em Londres.

Ele estava do meu lado, apoiado no muro do terraço olhando para os mesmos lugares que eu, parecendo também fascinado com o que os seus viam. Realmente, era uma visão incrível e inesquecível. Das ruas, seus olhos foram parar em mim, que sorri e voltei a olhar para fora, tentando manter meu cérebro calmo e meus pensamentos menos agitados.

— Como você conhece esse lugar? - eu questionei ainda sem encará-lo, ouvindo sua respiração perto de mim.
— Meu amigo é dono dessa boate e eu tenho uma cópia da chave. Aqui em cima, na verdade, é o meu lugar preferido na cidade. É onde eu estou quando eu sumo.
— Com certeza se tornou o meu lugar preferido também. A vista daqui é linda!
— Sim, eu nunca me canso desse lugar.

Outro silêncio entrou em nosso meio, o que me fez lembrar o real motivo de estarmos aqui. Provavelmente, por ser seu lugar de escape, ele achou que seria mais apropriado para falar o que ele tinha pra falar. E ao pensar nisso, senti meu coração bater mais forte de ansiedade e de uma certa expectativa. Expectativa do que, eu realmente não sei, mas não dava pra ignorar sua existência junto aos meus batimentos cardíacos.

— Então, pode me falar agora o que queria comigo? - falei, vendo seu corpo se contrair um pouco ao virar-se pra mim. Ele respirou fundo.
— Certo, acho que não tem mais como fugir disso. - eu juntei as sobrancelhas, vendo seus olhos encontrarem os meus e me encararem profundamente.
— Fugir de que? - perguntei curiosa. Ele se aproximou de mim.
— Dora, a realidade é que eu gosto de você. Eu me rendo. Eu gosto de você, gosto como nunca gostei de alguém antes. É cansativo demais carregar esse fardo comigo, porque as pessoas tem esse defeito de gostar e nunca dizer a verdade. Mas eu estou aqui, sendo sincero do jeito mais constrangedor possível. Eu estou apaixonado por você, é isso, falei.

Naquele momento, o mundo parece ter parado de girar em sua órbita (ou em órbita do sol, sei lá, nunca fui boa nisso). Eu encarava o marrom dos olhos dele sem saber o que dizer, sentir ou fazer. Minha cabeça se tornou um turbilhão de coisas que eu não conseguia distinguir, e meu corpo todo pareceu ter entrado em acordo pra começar a tremer e piorar ainda mais a minha situação.

O vento começou a bater contra o meu corpo, o que pareceu me acordar. Zayn ainda me encarava claramente envergonhado e com a mesma expectativa que eu estava. Então, sem dizer nada, e sem pensar direito, eu o beijei. Eu não tinha palavras, e provavelmente me embolaria inteira se eu inventasse falar alguma coisa, então resolvi fazer uma das coisas que o mundo inteiro conhece como uma demonstração de amor ou, no mínimo, afeto. Eu o beijei. Do jeito mais sincero possível. E ele pareceu entender o recado.

HELLO! I'TS ME.
Finalmente, saiu o capítulo E OS POMBINHOS FINALMENTE DEIXARAM DE FRESCURA NO RABO PRA SE AMAREM! Afe, fiquei felizona demais, cês tem nem noção. Esse capítulo está um pouco grande demais, mas como fiquei um bom tempo sem postar, achei que vocês iriam gostar e aqui está. Então, vocês comentem se gostaram, se tem alguma sugestão, se acharam algum erro (deve ter alguns porque fiquei com preguiça de revisar (mas também, olha o tamanho desse troço), então pardón), se odiaram o capítulo, se quiserem reclamar, me difamar, me amar ou qualquer outra coisa, viu? E se puder, recomenda pra zamiga, isso deixaria meu coração mais colorido. Enfim, aqui deixo meu até mais, e claro, um BIJU ♥

Moments: Capítulo 22

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The eye of a city...

Dora Devine

Eu não precisava fazer muito esforço pra reconhecer aquela voz que eu tanto amava ouvir. Uma voz da qual eu senti tanta falta de ouvir pessoalmente e que agora, parecia apenas uma coisa da minha cabeça. Mas meus olhos se arregalaram e meu coração velho e cansado acelerou ao ver aquele sorriso enorme na porta e a cara de louca que sempre me fez questionar o porque de eu ainda ser amiga dela. Mas eu sabia que não havia cara de louca que me separaria da minha melhor amiga — e pelo visto, nem um oceano inteiro.

— Eu quero saber se eu estou parada aqui feito uma idiota pra você não me dar um abraço, sua rapariga. - ela disse no bom e velho português, com direito a sotaque e um xingamento bem peculiar para me fazer perceber que realmente aquilo era a pura realidade do momento: Giovanna Amaral está em Londres. Alô, Brasil!

Me levantei da cama e dei um pulo esquisito até nossos seios baterem um no outro sem querer, e uma lamúria misturada com uma risada se fez presente entre nós duas, mas nem isso nos impediu de esmagar a saudade dentro de um abraço apertado e cheio, cheio mesmo, de emoção. Eu mal podia acreditar que ela realmente estava ali.

— Caraca, parece mentira! - eu disse ainda no abraço, sentindo seus braços finos apertarem minhas costas.
— Fala isso por quê não foi você quem passou horas sentada naquela poltrona velha! - ela diz, me fazendo rir e finalmente a soltar. Nos encaramos por um segundo e soltamos um grito bem gay e exagerado, nos abraçando novamente, dessa vez mais forte que o anterior.
— Finalmente. - falei um tanto dramática, já sentindo uma necessidade imensa de contar pra ela tudo o que aconteceu comigo durante meu tempo aqui.
— Finalmente. - Gio repete no mesmo tom melancólico, e ali eu percebo que ela também tem muitas coisas para me contar.

Eu estava tão eufórica, que sem querer acabei esquecendo o momento anterior a chegada dela. Quando voltei a mim, Malik não estava mais ali e, sendo sincera, mesmo sentindo a curiosidade corroer todos os meus órgãos, eu não poderia de jeito nenhum recusar uma noite cheia de doces brasileiros, pijamas e todas as conversas que eu tinha direito de ouvir depois de tanto tempo sem alguém para dividir os baphos do mundo.

Sem contar que eu tinha certeza que eu teria outra oportunidade de falar direito com ele sobre seja lá o que ele queira me dizer. Agora, a única coisa que eu queria no mundo era morrer de comer brigadeiro e de dar risada.

— Mas então, você não vai me contar porque Zayn estava fazendo no seu quarto? - com a boca cheia de jujuba, ela me encarou com aquela cara que eu conhecia muito bem.
— Essa é uma ótima pergunta... - falei mais para mim do que pra ela, me perguntando a mesma coisa. Ela pareceu não ligar muito para esse fato, já que também parecia um pouco alheia a esses pensamentos. A encarei. — Quer me contar alguma coisa?
— Não sei... - ela sorriu e eu quase adivinhei o que vinha a seguir.
— O quê? Giovanna Amaral está com vergonha? OI? - ela soltou uma gargalhada que pareceu a deixar mais tranquila, mas ela ainda hesitava.
— Não, é que é um pouco constrangedor e eu não sei qual vai ser sua reação.
— Gio, pelo amor dos Céus, você peida na minha frente! Do que mais você deveria sentir vergonha a não ser disso? - ambas caímos na gargalhada, e isso a fez finalmente falar.
— Certo. - concordou e se ajeitou na cama - Bom, Josh e eu já tínhamos planejado tudo em relação a minha chegada, desde o Brasil, e o combinado era ligar pra ele quando eu chegasse no aeroporto daqui, e foi isso que eu fiz. Liguei pra ele e ele foi me buscar, me ajudou com as malas... Tudo normal, como sempre. Mas...
— Mas... - eu tinha certeza do que eu iria ouvir.
— Nós acabamos fincando.

DIAS DEPOIS...

— Tô a fim de comer aquele macarrão com salsicha que você faz. 
— Nem rola, Josh, meus dedos estão impossibilitados de trabalhar hoje. Quase os perdi tentando ajustar panos naquele manequim maldito. - eu fiz careta olhando minha mão enquanto caminhava pelo corredor em direção ao refeitório.
— Ué, mas não é isso que você gosta de fazer? - ele questionou rindo, me fazendo quase revirar os olhos durante um sorriso.
— Eu gosto de moda, não de levar vários golpes das agulhas.
— Dora, por favor! Acho que eu não vou conseguir viver se eu não comer esse macarrão!
— Então acho melhor você já ir comprando seu caixão, porque realmente não dá.
— Eu te pago o quanto quiser. - eu ri, me sentindo bastante tentada a aceitar.
— Olha, assim não vale...
— Te convenci?
— Estamos caminhando para isso...
— Está vendo? - ele exclamou - Você é uma interesseira!
— Aprendi isso com o melhor de todos os interesseiros. - eu dei risada, passando pela fila de pessoas na cantina - Quero aquele tênis da Adidas que você comprou semana passada.
— O que? Está maluca? Nem pensar.
— Então esquece o macarrão! - falei vitoriosa, ouvindo-o bufar do outro lado.
— Eu te odeio tanto! - ele disse, me causando um sorriso largo - Tudo bem. Trato feito.
— YES! Eu sabia que iria conseguir! Quero os ver no meu quarto quando eu chegar!
— Vai se ferrar, Dora. 

Rindo igual uma hiena louca, eu me sentei ao lado das minhas companheiras de faculdade, já roubando uma batatinha do prato de Chloe. Ela não pareceu se importar, mas Emma ficou bastante incomodada, já que seu lema de vida é não dividir comida se há condições da pessoa comprar a sua própria. 

— Com quem estava falando? - Chloe perguntou segurando uma frita - Era o Malik?
— Jesus Cristo, porque sempre falam esse tipo de coisa? - revirei os olhos enquanto as duas riam - Não, sinto informar, mas não. Eu estava falando com Josh.
— Seu irmão é tão lindo! - Emma exclamou, com aquele olhar que eu conhecia bem.
— Caramba, você é insaciável mesmo, né? Já não basta estar com o Styles? - Chloe questionou antes mesmo que eu o fizesse. A outra riu.
— Vocês estão mesmo sem senso algum de humor, né? - ela revirou os olhos - Foi só uma brincadeira, meninas, não vou o atacar na rua! E caso se perguntem, sim, o Harry já me basta e acho que não precisam de detalhes, né? 
— Não, essa parte eu passo, thanks. - Chloe diz fazendo careta, me fazendo rir.
— Mas então, como vai aquela sua amiga? Como é mesmo o nome dela? Giuliana, Giu...
— Giovanna.
— Whatever! - Emma exclamou, revirando os olhos.
— Acho que estou sentindo um certo ciúmes no ar... - falei começando a gargalhar, vendo Emma cerrar os olhos em minha direção.
— Vai se ferrar, Dora.
— É a segunda vez no dia que ouço isso em menos de 10 minutos!

Depois de rir mais um pouco e roubar mais algumas fritas, voltamos a conversar e comentar sobre cada pessoa que passava perto de nós e sobre coisas que não tinham importância alguma, mas que servia para matar o tédio e aliviar todos os trabalhos e pesquisas que sempre tinham que rondar em nossas mentes. 

*** ***
Já eram quase seis da tarde quando finalmente fomos dispensados da sala de Gestão da Moda, onde anotei quase cinco páginas de todas as palavras que o professor falava ali na frente. Meus dedos estavam praticamente dormentes, sem contar o fato de que alguns deles ainda estavam sensíveis por conta das agulhas que usei (e me furei) nas duas primeiras aulas do dia. Infelizmente eu não tive Chloe comigo nessa última, por isso tinha sido tão chato. 

Passei rapidamente por várias pessoas, já visualizando a minha cama (ou o sofá, geralmente) esperando por meu corpo cansado e quase morto para descansar, antes de começar a fazer os trabalho que eu teria de entregar nesse semestre - e não eram poucos. Assim que pisei para fora da universidade, eu vi um táxi parado ali na frente e corri em direção a ele, mesmo que ele estivesse ocupado. Eu não me importaria de dividir o espaço se eu pudesse chegar logo em casa. Para a minha sorte, ele não estava ocupado.

O senhor de bigodinho me encarou com um sorriso simpático, mas pareceu se assustar com algo que apareceu ao meu lado. Através do vidro fosco da porta, pude ver uma mão e senti a frustração me tomar. Mas uma surpresa tomou conta de mim quando vi quem estava ali. Malik se sentou ao meu lado com um sorriso divertido, enquanto seus olhos encaravam os meus curiosos.

— Sai do táxi. - ele disse simplesmente, me fazendo juntar as sobrancelhas.
— Excuse me?! - exclamei do jeito mais irônico possível. — Porque eu deveria sair do táxi, senhor Malik? - questionei fazendo questão de levantar uma das minhas sobrancelhas.
— Tenho outros planos pra você essa noite. - ele disse abrindo um sorriso que seria capaz de acabar com guerras e a fome no mundo.
— Vocês vão fazer a corrida, ou não? Eu tenho mais o que fazer! - o senhorzinho simpático logo se irritou, olhando para nós com cara de tédio. Encarei Malik, o motorista, Malik e novamente o motorista. A esse ponto ele já devia estar me achando louca.
— Desculpe, senhor. 

Peguei minha mochila e segurei firme meu celular assim que pisei para fora do carro, sendo ajudada pelas mãos quentes de Malik. Eu não tinha ideia do que ele pretendia fazer, mas eu simplesmente não conseguia negar nada que tenha a ver com surpresas, e aparentemente, ele sabia muito bem disso, pois vivia querendo me surpreender. 

Dessa vez, e não senti medo algum e foi ali que eu percebi que eu finalmente confiava nele em qualquer situação, pois ele já tinha me provado várias vezes que ele nunca, nunca mesmo me faria mal algum.

Andando um pouco pela calçada, ainda em silêncio, percebi que seu carro estava estacionado e que, pelo o que parecia, não iríamos estar muito perto daqui. Como um completo cavalheiro, ele abriu a porta pra mim e, como eu sempre fazia, fiz uma pequena e teatral reverência antes de sentar minha bunda no estofado do banco. O fato de ele ainda estar sorrindo, talvez um pouco mais que antes, acabou me fazendo sorrir também. E eu não tinha ideia se isso era um bom ou ruim sinal.

— Posso saber quais são esses planos que você falou? - perguntei vendo-o dar a partida no carro. Ele riu um pouco, já entrando no meio dos outros carros.
— Porque você sempre quer estragar minhas surpresas? - ele questionou, me fazendo alargar meu sorriso com os olhos presos na correria do lado de fora.
— Eu gosto de surpresas, mas não consigo segurar a curiosidade. É mais forte do que eu! - eu respondi, sentindo seus olhos sobre mim.
— Daqui á uns vinte e cinco minutos você saberá. Por enquanto, você pode ouvir Ed Sheeran, porque eu sei que você quer.

*** ***
Enquanto eu cantarolava atrapalhadamente a letra de Grade 8, Malik parecia muito satisfeito ao meu lado, com seus olhos castanhos sempre presos no trânsito, hora ou outra em mim. Constrangida e tentando evitar que minhas bochechas ficassem vermelhas (isso é possível?), eu olhava para o lado de fora sentindo uma vontade imensa de abrir um sorriso mostrando todos os dentes, pois naquele momento meu humor estava nas alturas. E com certeza a presença dele ali ajudava 100% nisso.

Eu não podia deixar de perceber que a atmosfera ao nosso redor estava muito melhor do que há meses, logo quando cheguei aqui. Não havia mais raiva, ódio, repulsa ou qualquer outro sentimento do tipo. Ás vezes um pouco de ironia com gotinhas de sarcasmo, mas era algo completamente suportável e essencial para a nossa convivência.

Quando percebi o carro finalmente parar, eu tirei um dos fones do meu ouvido e, pelo vidro da janela, percebi onde estávamos. O Rio Tâmisa estava lindo e imponente como sempre, e na margem sul de suas águas, estava aquele monumento maravilhoso que todos sonham em conhecer um dia: London Eye. Malik sabia mesmo como me agradar. Ao olhar para ele ao meu lado, percebi um sorriso no canto dos seus lábios.

— Surpresa! - ele disse balançando as mãos afetadamente, me fazendo rir.
— E que surpresa! - eu disse guardando celular e fone na bolsa. - Eu realmente não tinha ideia de que você iria me trazer aqui, Malik.
— Fiquei um pouco chocado quando eu soube que mesmo estando em Londres por tantos meses, você ainda não fez uma visita ao "olho de Londres".
— E então você resolveu ser um completo cavalheiro e me trazer aqui... - eu completei sua frase, vendo-o ficar um pouco vermelho.
— Eu queria fazer isso antes de começar a turnê. - falou me olhando e meu coração disparou loucamente dentro de mim no mesmo instante.
— Quem diria que Zayn Malik iria fazer algo assim por mim. Uau!

Ele riu timidamente, e logo depois nós saímos do carro e corremos em direção a entrada no lugar. Não havia muita gente ali, talvez por causa do frio, mas como turistas nunca perdem uma oportunidade de visitar os pontos turísticos do lugar, isso não parecia ser um grande impedimento para quem estava ali. Percebi alguns chineses, alemães e um casal de brasileiros que pareciam estar prestes a ver Deus pessoalmente. Me identifiquei.

Pensei que iríamos esperar na fila para a entrada junto com todos os outros, mas quando Malik me puxou pela mão até o portão para falar com um senhorzinho, percebi que não. Ele entregou os dois ingressos e logo uma cápsula estava pronta para nós. E pelo o que eu vi, apenas nós dois estaríamos ali.

Quando finalmente entramos, quase caí para trás. Eu sempre soube que se você quiser (e pagar por isso), eles adicionam champanhe, morangos com chocolate e mais um monte de coisas, mas eu realmente não tinha ideia de que eu teria direito a tudo isso durante meu passeio sob' o olhar de toda a cidade. Encarei Malik ao meu lado, que me olhava curioso, talvez tentando saber o que se passava na minha cabeça naquele momento.

— Você pediu tudo isso? - eu questionei incrédula, e ele assentiu.
— Sim, eu pedi tudo isso aqui. Espero que você goste de...
— Tá brincando? Malik... Eu não sei nem o que dizer!
— Não precisa dizer nada.
— Tem razão.

Naquele momento eu jurei pra mim mesma que eu estava completamente fora de mim, caso contrário, eu não teria feito o que eu fiz naquele momento. Não, eu não agarrei o pescoço de Malik nem nada, apesar de estar louca para fazer isso. O que eu fiz mesmo foi pegar um daqueles morangos vermelhos e lindos, mergulhar no chocolate e dar um mordida generosa. E para a minha surpresa, vi Malik se melecar todo junto comigo.

Senti o chão balançar um pouco sob' nossos pés e percebi que a roda gigante estava começando a se mover e, morrendo de curiosidade, corri para perto do vidro e comecei a ver a cidade ficar menor sob' meus olhos. Senti um perfume bom mais perto de mim, e logo depois a voz de Malik não muito longe da minha nuca.

— Essa visão é linda, não é? - disse baixinho, e a única coisa que consegui fazer foi assentir lentamente, tentando me lembrar sobre o que eu estava concordando mesmo. Era difícil raciocinar sabendo que ele estava a centímetros de mim.

Sem pensar muito, eu decidi que iria sair dali antes de cometer algum loucura, mas acho que não deu muito certo, porque acabei parada frente a frente com ele, ainda mais perto do que eu esperava que estaria. Logo nossos olhos se encontraram, e eu senti a mesma sensação de quando ficamos na mesma situação aquela noite na casa dele. Eu senti minhas bochechas queimando.

Como se soubesse o efeito que causava em mim, Malik abriu um sorriso de lado e sua expressão facial ficou mais leve. Ao contrário de mim, que parecia estar carregando um elefante em cima da minha cabeça de tanta pressão e tensão que eu estava sentindo ali.

— Sua boca está suja.
— Está? - ele assentiu, se aproximando mais de mim e fazendo meu coração dar um salto.

Com o seu dedão, ele limpou o cantinho dos meus lábios, enquanto eu estava atenta a cada movimento seu sentindo meu coração disparar ainda mais a cada pensamento que rondava a minha cabeça. Seus olhos voltaram a encarar os meus, e ali eu já estava no limite. Eu simplesmente não poderia sair dali sem antes fazer o que eu queria desde o momento em que o vi no táxi.

Juntei nossos lábios e, a princípio, ele parecia bastante surpreso, mas logo depois voltou ao natural, me abraçando e me levando para mais perto. Ao contrário do que aconteceu da última vez em que estávamos nessa situação, eu não tinha a mínima vontade de sair dali e acabar com aquele momento. Tudo parecia tão certo e tão leve, que eu nem me lembrei que eu estava em um dos lugares mais bonitos do mundo.

*** ***
— Josh! - eu disse á beira do fogão quando o vi passar pela porta de entrada da casa. Gargalhei com a cara que ele fez quando me viu ali.
— Você está mesmo fazendo o que eu te pedi? Tipo, sério mesmo? - ele arregalou seus olhos castanhos, e eu apenas assenti. - Ó, eu sei que você vai me matar, mas eu pensei que você não iria fazer o macarrão, então se você procurar, não vai encontrar meu tênis no seu quarto como a madame pediu.
— Tudo bem, eu não quero mais seu tênis.
— Dora Devine desistindo de algo que ela quer? Ã-ãn, tem coisa errada aí!
— Não tem nada de errado, bobão, eu apenas estou de bom humor hoje! - fiz uma dança estranha, vendo-o me juntar as sobrancelhas com um sorriso engraçado nos lábios.
— E eu posso saber o que fez você mudar seu humor emo/gótico/vampiro para alma/flores/ e cores? - eu ri de sua definição dos meus humores principais, fazendo-o rir também.
— Nada demais, apenas estou feliz essa noite.
— Bom, tudo bem, então. Menos um prejuízo. - disse abrindo a tampa da panela, sentindo o aroma gostoso que vinha lá de dentro. - Hmmm, isso aqui parece muito bom!
— É claro que está bom, Devine. Passou pelas minhas mãos!
— Nossa, desculpa, Condessa Cozinheira de Macarrão com Salsicha! - eu ri, o encarando e percebendo que meu irmão também estava de muito diferente hoje. Sorri.
— Você também parece muito alegrezinho para o meu gosto.
— Quer dizer que só você pode ficar de bom-humor? - falou soltando uma piscadela, me fazendo rir. Eu sabia bem qual era a causa desse bom-humor.

Ouvi alguns passos na escada e vi Giovanna entrar na cozinha, passando seus olhos por Josh e ficando completamente vermelha enquanto virava uma garrafa de suco da geladeira na sua guela. Sem querer ser uma estraga prazeres, desliguei o fogo e tirei o avental.

— Se precisarem de mim, estarei no meu quarto.

Antes de sair, pisquei disfarçadamente para Gio, que prendeu um sorriso, e corri para a escada, claro, antes dando uma pequena "bizoiada" e vendo ambos se abraçando com um sorriso lindo no rosto. A melhor parte de todas é que eu tinha um motivo parecido para abrir um sorriso igualzinho o deles. E eu poderia trocar alma/flores e cores para morango/chocolate e muitos beijos.

OIE!
Seu guarda eu não sou vagabunda, eu não sou delinquente, sou uma menina com problemas com a criatividade... ♫ (ficou uma bosta, eu sei). Não darei explicações, sei que vocês já estão cansados de ler, mas gostaria de dizer que finalmente terminei esse capítulo que estava estagnado aqui por meses, e que tenho uma boa notícia: minha criatividade voltou, fiz cronograma, e essa semana tem mais. Até depois, beijuuus xx